Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
que todos os que se autodeclaram puros, moralistas e conselheiros dos mais fracos, tolos e oprimidos,
que todos os que são soberbos vaidosos com seus corpos ou com corpos olheios,
com seus desejos e com desejos alheios, com seus sonhos e com os sonhos alheios,
atribuindo-se pretenções e direitos que exigem (mesmo inconscientemente) do companheiro que dizem amar, para satisfação de si mesmos
têm exatamente a mesma condição abnômala que a minha e se regem exatamente pelas mesmas caracteríscas psíquicas que as minhas!
187
O MUNDO SEM TI
Quando a noite chega para quem já vive até aos dias com trajes escuros,
os pequenos restos de sonhos, de ilusões e de esperanças se tornam tão fugases e tênues
que exalam, em vez do perfume outrora aspirado dela, um estranho fedor vazio!
121
ATÉ O ETERNO FOI TOCADO!
Em sonho, eu a vi vestida de noiva, sob um sol que descongelava os gelos das mais altas montanhas,
eu vi os preparativos dos anjos e dos demônios celebrando a união entre ela (a luz) e as sombras
e eu vi quando o caos original começou a se rachar, originando um novo conglomerado infinito de imagens plêndidas, mas vazias!
161
TUDO SE TRANSFORMA
Tudo passa, tudo munda:
a infância, a adolescência, a vida,
o amor, a paixão, o desejo,
os sonhos, as fantasias, as esperanças;
sim, tudo passa, tu munda, exceto me parece, ao que até os quarenta e sete,
o inverno, o deserto e o vazio que neles, desde cedo se me assentam!
167
O CHAMADO DO NIHILO
No caminho até o grande monte, longe do contato vulnerável com a causa perdida, quis o tempo me mostrar algo:
a ferida exangue, embrionária, alastra-se discreta, com seus vermes a se alimentarem do leito vivo.
A vida, efemeridade, esvai-se discreta com a chaga, sem destino, em fragmentos de lembranças perdidas,
num ignóbil fiasco do espetáculo onde tantas vezes atuei, infectado, com a cor falseada das máscaras minhas.
Da rocha firme, de onde antes desafiava o mundo, sobrou apenas um resíduo enlodaçado de sonhos,
incapaz de aliviar a dor que invade a alma perdida, Em caos, entre as sombras que lhe foram plantadas.
Com o olhar perplexo, o medo provoca a paralisia, as trevas eternas e famintas vão devorando todo meu ser,
e um murmúrio suplicando piedade, solto às portas inferno, sob trapos de luz, não se faz ouvir pelos deuses impiedosos.
129
POR QUE NÃO ME ESQUECI?
Um dia fui lá, onde nem mais sei, mas sei que te vi: sentada, deslumbrante.
até havia me esquecido de que um dia amei teu olhar.
Mas por que não me esqueci, de me esquecer de que um dia fui lá?
153
MINHA AMADA IMORTAL
Quebrando as barreiras da insanidade, invadi os espaços todos do Cosmo, violei os tempos, tornando-os meus escravos.
Toda a natureza me obedeceu e a mim se sujeitou perante a energia despendida na gloriosa busca.
Na Terra levantaram barreiras, já demolidas, e, antes, na vida passada, em Querac, sob a escuridão do planeta sem sol, seres dobraram os joelhos perante a força de um amor que trancende.
A morte vinda em batalha, em Lasaac, ao confrontar deuses irados que me queriam tomar a amada, apenas por algum tempo conseguiu o odioso intento, lançando-me ao inferno, sob a vigia dos indignos.
Mas eis que nem os servos de Hades ou de Malamac, ensandecidos com tal amor conseguiram me conter. rebelando-me contra o próprio mundo das trevas absolutas, em pulsares de energia contínua, também a reclamei.
Os inimigos concentraram tamanha força e união para as batalhas insanas, impondo-me a dor da ausência, que ao início voltei e contemplei a grande explosão original, em busca de energia bruta, concentrada e absorvida para sobrepujá-los.
O Cosmo estremeceu perante a violação inicial, leis físicas não mais existiram em muitos reinos e o tecido cosmo-tempo fora alterado sob tal poder.
Até os paraísos intocados dos luminosos se abalaram. Fortalecido, venci o deus-demônio Isalin, filho de comunhão vossa, e vosso mais poderoso guerreiro, com armadura de sombra e luz, e o fiz dobrar os joelhos na grande nebulosa distante.
Ao sobrepujá-lo, tornei-o prisioneiro enfraquecido, enviando-o às incertezas e tornando-o um fantasma sem rosto.
Deuses e demônios, seres titânicos de todo o Cosmo, por que ousastes tentar separar tamanha força de união?
Por que me obrigaram a destruir os mundos de Laizin, de Harkak e tantos outros a quem contra nosso amor envenenaste?
Eis que ainda sinto vossas forças agindo em profanação, em todos os tempos e espaços e possibilidades possíveis, contaminando mundos vários de seres inocentes com a pregação infame, contra nosso amor, para apartar-me de minha esposa celestial.
Não sabes que à eternidade me lancei para a amar, e para retomar minha amada imortal em alma e fogo?
Se condenares nosso amor e contra ele vos insurgires, poupais, ao menos, os mundos inocentes de minha ira contra vós!
188
NO SILÊNCIO NOTURNO
Noite sombrosa e fria. Em mim há lagos de fogo a me queimarem o pensamento que me entorpece.
Hoje, todos os fantasmas, de todos os tempos, reuniram-se e tramam para me levarem a seus reinos sombrios, enquanto a suave brisa compõe a última sinfonia.
Fora de mim, nos semblantes que omitem suas dores em risos ébrios, e nos corpos que apresentam desejos despudorados em curvas ocultas, contemplo flores se apodrecem inadvertidamente pelo caminho, sacrilejadas pelo tempo que lhes viola futilidades ás avessas.
E os cheiros almiscarados, a exalarem das flores cadentes, trazem a fragrância à medida certa, para manter em mim a frágil chama - quase apagada pelo vazio que se me assenta severamente - e mascarar minha iminente partida, contra a qual luto em suspiro final.
Próximo à manhã, tudo parece ainda mais estranho e surreal. Sinto que a vida de mim também se vai esvaindo lentamente.
Uma suave brisa me acaricia, leve e mornamente, o corpo frágil, como que a afagar meus derradeiros murmúrios supliciados.
Então, a pequena chama residual se me contorce em mínimos feixes de luz, prenunciando o fim que se aproxima o momento seria trágico, não fosse meu anseio pelo sono derradeiro que viesse me aliviar minhas angústias mais severas, mergulhando-me no apagamento eterno e me libertando da prisão em que me encontro.
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EXTENSO DESERTO
Talvez esse meu deserto não seja mais que máxima representação
de meus fracassos e de minha covardia por entre as margens e as imagens do caminho ;
talvez eu esteja usando minhas senciências espúrias e meu maldito bodoque verbal,
tão somente para tentar me refugiar, em vão, de meus próprios e cernientes erros e medos.
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EXTENSO DESERTO
Talvez esse meu deserto não seja mais que máxima representação
de meus fracassos e de minha covardia por entre as margens e as imagens do caminho ;
talvez eu esteja usando minhas senciências espúrias e meu maldito bodoque verbal,
tão somente para tentar me refugiar, em vão, de meus próprios e cernientes erros e medos.
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*