Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
... os templos não compreendem as razões e as loucuras do mundo,
às vezes violadas, às vezes soterradas em campos de batalha,
sangue nos olhos, sangue na boca, sangue sobre os destroços que ficaram;
e elas não entendem, não entendem nada, às vezes nem choram as dores que sentem,
elas ainda não compreendem as insânias e as atrocidades cometidas pelos adultos, seus pais!
171
PESOS E BALANÇAS
Ninfetas e garanhões a alisarem peles, peitos e genitálias em seus leitos infames;
anjos e santas a se consolarem, com sonhos, asas e mãos, em seus paraísos secretos;
homens-vales, homens-insones, homens-insanos: whitmans, sartres, sheakespeares, raquéis, mozarts e o esbambal:
Putos, todos putos, proxenetas, como eu, de palavras voláteis (vadias) e de oníricos orgasmos vazios.
141
OS FUNDOS DOS VALES
Bocas regurgitam lumes tão sublimes que despertariam anjos e deuses
(se estes existissem),
enquanto úmidos ventres guardam orgíacos desejos e anguladas insânias,
em um tudo que se julga possível o "ser", que pensa poder fazer alguma diferença,
jogando incautamente suas faustas e falsas luzes em meio a nadas.
147
NÃO HÁ INOCÊNCIAS CEGAS PARA O SER!
Todos se vestem como anjos e menestréis, abusam da alva palavra
volátil e bancam os puritanos, os moralistas
e os que pregam a fé, a paz, a dignidade social e a justa divisão das coisas entre os demais daseins;
todos também, quando tangenciam as luzes, com seus segredos tão loucos e libidinosos como terríveis,
fodem asas, corações, corpos e psiquésque deixaram, por eles, durante o caminho de céus, de chãos e de pedras, apaixonados!
120
AINDA É NOSSO TEMPO!
Há tempos em que nos sentimos como mortos vivos, como quem já partira há muito e se esquecera de deitar,
há tempos em que nos sentimos solitários como a lua a brilhar em um céu eterno. Infinito e cheio de brilhoas longinguazmente vazios,
há trempo em que nos perdemos entre sonhos, esperanças, desejos, sombriedades e estupidedez humanas,
há também o tempo em que iremos realmente morrer nos deitar ao apagamento em que o absolutamente nada vigora.
Antes porém, que nos chegue este fatídico tarde demais, escolhamos um tempo, um canto e um encanto que nos permita, com sublime amor e ardente queimor,
nos tocas os lábios e apaixonadamente nos entregarmos e nos beijarmos!
160
CHAOS THEORY
Dizem que tudo pode mudar, quando bate as asas uma borboleta;
digo eu que isso e tudo o mais certamente é mudado
toda vez que o sapiens firma suas retinas para ver, contemplar,
admirar, imaginar ou pensar em algo!
158
O INSTANTE
... há alguém nascendo em alguma tosca ilusão,
há alguém nascendo em algum incêndio de palavras,
há alguém nascendo em alguma concupiscências entre bocas, corpos e mãos.
Neste mesmo momento,
há alguém morrendo em algum útero ressecado,
há alguém morrendo em alguma escola desleixada,
há alguém morrendo em algum leito enfeitado.
Sim, neste mesmo e exato momento em que me lês em tua tela mambembe,
onde costumas atirar brancas palavras voláteis
e beber de imagens, fantasias e libertinagens desvairadas.
118
FLORES E VOOS
Margaridas e tentilhões fediam ao desfilarem com suas belas pétalas e plumas pelos canteiros e terreiros da cidade.
Dentre eles, a fulga flor de inverno (com seu tridente dourado), que vivia a cantarolar: "sou pura, pura, pura",
como que se não tivesse nascido entre as demais, como se não conhecesse o próprio rabo;
como se também já não tivesse a vulva (por todo tipo de pássaro que se imaginar) já rasgada.
211
E AO FIM, FOSTE TAMBÉM AO NADA!
Pobre purista culta:
só se parece mesmo com um anjo,
quando está em uma mortalha forçada
de dor, silêncio e angústia.
142
ONDE TU ESTIVERES, NÃO TE ESQUEÇAS DE MIM!
Não gosto de te amar com as palavras voláteis,
gosto de te amar com o sentimento sincero na virtude do silêncio,
com minha boca beijando tua boca, chupando teus seios, percorrendo teu corpo e bailando em tua boceta;
sim, gosto de te amar no segredo de um quarto fechado ou em um mar longíquo, ou no fundo de um lote esquecido,
longe dos anjos e dos demônios e dos mitos sapiens tão bem mascarados,
e gosto de te amar o corpo, o coração, a essência e a alma como se fôssemos uma só magnífica e Sonora harpa!
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*