PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT

PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT

n. 1970 -- --

Escritor, poeta e pensador niilista, sempre em busca da análise do ser jogado em meio de suas reinauradas coisas!

n. 1970-03-07, Bom Despacho

Perfil
500 121 Visualizações

FLOR DO DESERTO, VÊS COMO ME ENCONTRO?

Flor do Deserto,
vês como já há tanto tempo
me encontro?

Sabes quanto
me custa ser franco
quanto a meus sentimentos por alguém
que já passou a um leito negro
de onde jamais
retornará?

Alguns anjos me julgam
dizendo que é derespeito amar
uma defunta,

outros
vão além e dizem que com ela
ainda me masturbo,

e há os que
não me perdoam por quererem a carne
deste corpo, que nada vale perante
o sentimento que se assentou
em minha alma;

e eu fico aqui
pensando: "O que posso fazer
por alguém, uma flor tão boa para comigo,
de modo que a agrade, sem que minta
ou a engane sobre meus sentimentos
mais profundos?
Ler poema completo

Poemas

1417

SER HORRENDO

... os templos
não compreendem as razões
e as loucuras do mundo,

às vezes violadas,
às vezes soterradas em campos
de batalha,

sangue nos olhos,
sangue na boca,
sangue sobre os destroços
que ficaram;

e elas não
entendem, não entendem nada,
às vezes nem choram
as dores que sentem,

elas ainda
não compreendem as insânias
e as atrocidades cometidas
pelos adultos, seus
pais!
171

PESOS E BALANÇAS

Ninfetas e garanhões
a alisarem peles, peitos e genitálias
em seus leitos infames;

anjos e santas
a se consolarem, com sonhos, asas e mãos,
em seus paraísos secretos;

homens-vales,
homens-insones, homens-insanos:
whitmans, sartres, sheakespeares, raquéis,
mozarts e o esbambal:

Putos, todos putos,
proxenetas, como eu, de palavras
voláteis (vadias) e de oníricos
orgasmos vazios.
141

OS FUNDOS DOS VALES

Bocas regurgitam lumes
tão sublimes que despertariam
anjos e deuses

(se estes existissem),

enquanto úmidos
ventres guardam orgíacos desejos
e anguladas insânias,

em um tudo que se julga
possível o "ser", que pensa poder fazer
alguma diferença,

jogando incautamente
suas faustas e falsas luzes
em meio a nadas.
147

NÃO HÁ INOCÊNCIAS CEGAS PARA O SER!

Todos se vestem
como anjos e menestréis,
abusam da alva palavra

volátil
e bancam os puritanos,
os moralistas

e os que pregam
a fé, a paz, a dignidade social e a justa
divisão das coisas entre
os demais daseins;

todos também,
quando tangenciam as luzes, com seus segredos
tão loucos e libidinosos como
terríveis,

fodem asas,
corações, corpos e psiquésque deixaram,
por eles, durante o caminho de céus,
de chãos e de pedras,
apaixonados!
120

AINDA É NOSSO TEMPO!

Há tempos
em que nos sentimos como mortos vivos,
como quem já partira há muito
e se esquecera de deitar,

há tempos
em que nos sentimos solitários
como a lua a brilhar em um céu eterno.
Infinito e cheio de brilhoas longinguazmente
vazios,

há trempo
em que nos perdemos entre sonhos,
esperanças, desejos, sombriedades e estupidedez
humanas,

há também o tempo
em que iremos realmente morrer
nos deitar ao apagamento em que o absolutamente
nada vigora.

Antes porém,
que nos chegue este fatídico tarde demais,
escolhamos um tempo, um canto e um encanto
que nos permita, com sublime amor
e ardente queimor,

nos tocas os lábios
e apaixonadamente nos entregarmos
e nos beijarmos!
160

CHAOS THEORY

Dizem que tudo pode mudar,
quando bate as asas uma borboleta;

digo eu que isso e tudo o mais
certamente é mudado

toda vez que o sapiens firma
suas retinas para ver, contemplar,

admirar, imaginar ou pensar
em algo!
158

O INSTANTE

... há alguém nascendo
em alguma tosca ilusão,

há alguém nascendo
em algum incêndio de palavras,

há alguém nascendo
em alguma concupiscências entre bocas,
corpos e mãos.

Neste mesmo momento,

há alguém morrendo
em algum útero ressecado,

há alguém morrendo
em alguma escola desleixada,

há alguém morrendo
em algum leito enfeitado.

Sim, neste mesmo
e exato momento em que me lês
em tua tela mambembe,

onde costumas atirar brancas
palavras voláteis

e beber de imagens, fantasias
e libertinagens desvairadas.
118

FLORES E VOOS

Margaridas e tentilhões fediam
ao desfilarem com suas belas pétalas e plumas
pelos canteiros e terreiros
da cidade.

Dentre eles,
a fulga flor de inverno (com seu tridente
dourado), que vivia a cantarolar:
"sou pura, pura, pura",

como que se
não tivesse nascido entre as demais,
como se não conhecesse
o próprio rabo;

como se também
já não tivesse a vulva (por todo tipo
de pássaro que se imaginar)
já rasgada.
211

E AO FIM, FOSTE TAMBÉM AO NADA!

Pobre purista
culta:

só se parece mesmo
com um anjo,

quando está em uma
mortalha forçada

de dor, silêncio
e angústia.
142

ONDE TU ESTIVERES, NÃO TE ESQUEÇAS DE MIM!

Não gosto
de te amar com as palavras
voláteis,

gosto de te amar
com o sentimento sincero na virtude
do silêncio,

com minha boca
beijando tua boca, chupando teus seios,
percorrendo teu corpo e bailando
em tua boceta;

sim, gosto de te amar
no segredo de um quarto fechado
ou em um mar longíquo, ou no fundo de um
lote esquecido,

longe
dos anjos e dos demônios e dos mitos
sapiens tão bem mascarados,

e gosto de te amar o corpo,
o coração, a essência e a alma como se fôssemos
uma só magnífica e Sonora
harpa!
171

Comentários (7)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
fernanda_xerez

SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*

fernanda_xerez

Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*

Trivium
Trivium

Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?

fernanda_xerez

E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.

fernanda_xerez

Lindo e provocante!