CONVULSÕES
Em meio a ardentes desejos, a avassaladoras sensações e a recordações fantasmagóricas que criamos incautamente, triste (amargamente triste) é o amor fincado em alicerces de cimento, com suas paredes feitas de ventos e crenças: como seria bom se as palavras fossem veladas, e verdadeiro fosse o sentimento, como seria bom se desvulcanizássemos as ilusões, as chuvas e os respectivos choros e lamentos, e nos amássemos, assim como prótons e nêutrons - intocáveis na força que supera suas diferenças - em um natural, sublime e eterno aprisionamento.
A MATA SAPIENS
Silente, a floresta segue seu curso e não se verga pelo ser a nenhuma senciência e a nenhum capricho, a nenhuma fausta demência; por outra, é fechada e compacta, embora não a sintamos com nossas faustas asas, embora nos enventemos tantas e tantas luzes aureoladas.
RAZÕES DO PERDIMENTO
Não vês
o motivo de tanta luta,
de tanta dor
e chuva?
E essa massa cerrada,
e esse corpo delicado,
e esse rosto angelicado,
e essa sublimidade recantada,
que me lembra,
embora sem cor e sem rosto
(daquela minha infância
perdida),
a frágil, eterna e sublime
namorada?
A PAIXÃO NÃO É COMO O AMOR: AVASSALA
... a paixão inflamada em piscinões lotados de pássaros, a paz por algum anjo recém-chegado, a ilusão instalada para aliviar dores e pecados, o sexo, o orgasmo, e o gemido instalados podem abafar (e às dobras do caminho nos enganar) o maior de todos os amores já vivenciado.
AS MÁSCARAS DO ESPETÁCULO
Em meu gruarda-roupas não há mais máscaras para atuar no teatral mercado; fraco, meus sonhos não têm mais força e graça para tentar ainda voar como um pássaro; e o pior de tudo: neste escuro deserto todo, eu não vejo mais amanhãs em que possa do cruciante pesadelo acordar.
A ETERNA
Sob teu céu voaram esplêndias águias douradas, todas com asas de ouro e com cantos idílicos, todos fortes, esplêndidos, plácidos, flores, mitológicos e afloradamente estáticos; sobre teu leito ebúrneo, copulavam contigo diversos anjos, igualmente incônscios, igualmente marinhos, igualmente lunáticos e ugualmente safados; e agora, sigo eu, sobre teu túmulo e apenas com a lembrança tua olvidando-me do sonho que eu te contara naquela época em que ainda andavas comigo, acerda de tua passagem à outra esfera, deixando-me completamente abandonado e sozinho no escuríssimo prédio!
VELHOS E BONS TEMPOS
... tardes desesperadas ___ de sol, o cheiro ___ de plástico dos natais, bolinhos de chuvas nas noites ___ de sábado, a carne tirada da gordura branca da lata cheirava ___ ao quarteirão, a primeira punheta com uma calcinha ___ esquecida no banheiro, bodoques e mamonas eram minhas ___ armas, a cabana ___ foi abandonada, a cabana que fiz outrora na infânci ___ perdida, e não restou, além da casa fria e vazia, ___ mais nada!
DECLARAÇÃO
... nesta manhã de domingo, silente e fria, ___eu declaro ao mundo: ouve-me, ___ mas não me creias; já fui lavrador de ilusões em terrenos ___ baldios, já fui compositor de músicas para ouvidos ___ moucos, já fui malabaris ___ de belos fonemas vazios, já fui até anjo ___ a beber demônias escondido; antes, portanto, irdes às nuvens, às esquinas e às encruzilhadas ___ floridas, por onde, pelo menos, podereis dizer que vos amam ou que ___ vos bem querem, porque, deste meu anguloso e angustiante momento ao deserto ___ (que não passa), nem isso mais, sem o morrer das faustas luzes do palco, permitir-me ___ posso.
PSIQUÉS E IMPULSOS
... quase nada sabem, muito menos que o desejo nos primitivo e nada mais se trata do que tentar sempre recuperar o primeiro prazer; trazendo-nos como consequência, se em exagero, características de loucos assassinos e, se em contenção, a famigerada características dos impotenteé simplesmente porque, entre o ser-eu e o ser-multidão, Freud, há um diferença tão grande que se pode chegar não se tratar do mesmo ser e, por inconsciente autodefesa, não percepem!
ÚLTIMAS SEMANAS DE ESPETÁCULO
Já estou chegando aos quarenta e oito, ainda perdido e pensando no que faço aqui, é claro que ainda sonho e tenho tremendos e horripilantes pesadelos, é claro que ainda fico a ver as mulheres que passam, admirirando-lhes a beleza, a feminilidade, os seios, as pernas e as bocetazs; é claro que ainda amo dar umas boas trepadas, vianjando e não tenho de renunciar a nada que me agrade; mas o problema é que agora eu sinto que realmente estou chegando numa idade e em uma consição em que sinto que, a qualquer momento que eu abrir novamente a janela, verei o mundo a partir (ou estarei partindo eu?) com sua morna e extática luz!
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*