PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT

PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT

n. 1970 -- --

Escritor, poeta e pensador niilista, sempre em busca da análise do ser jogado em meio de suas reinauradas coisas!

n. 1970-03-07, Bom Despacho

Perfil
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FLOR DO DESERTO, VÊS COMO ME ENCONTRO?

Flor do Deserto,
vês como já há tanto tempo
me encontro?

Sabes quanto
me custa ser franco
quanto a meus sentimentos por alguém
que já passou a um leito negro
de onde jamais
retornará?

Alguns anjos me julgam
dizendo que é derespeito amar
uma defunta,

outros
vão além e dizem que com ela
ainda me masturbo,

e há os que
não me perdoam por quererem a carne
deste corpo, que nada vale perante
o sentimento que se assentou
em minha alma;

e eu fico aqui
pensando: "O que posso fazer
por alguém, uma flor tão boa para comigo,
de modo que a agrade, sem que minta
ou a engane sobre meus sentimentos
mais profundos?
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Poemas

1417

O JOGO DO AMOR

Sei que não conviria
dizer isso, sobretudo nessa hora
de inquietante indecisão
à nuvem:

mas o amor
é como uma mesa de apostas,
onde se flerta com um
ou outro jogador
dissimulados;

onde se blefa, ou não,
com cartas escondidas
às mãos,

até que elas sejam expostas
em vitórias extaticamente regozijadas
ou em dramáticas
derrotas.

Um pouco depois,
renovam-se os personagens
e se começam novas partidas
em incautos e viciosos
ciclos.
193

QUEREM SABER DE UMA COISA?

Em certas horas,
à merda com essa tal senciente
razão do sapiens:

ela é tudo
que não pode justificar
as guerras, as mortandades,
as fomes, as opressões
e os estupros às virgindades
das coisas naturais.

Querem saber?

Hoje vi uma criança à rua,
imunda e com a roupa rasgada;
e o pior, com a alma
arregaçada,

a mendigar um pouco
de comida.

Sem mais adelongas,
que há muito tempo estou puto com isso,
vocês querem mesmo saber
de uma coisa?

À puta que pariu
os menestréis e intelectuais de terno,
os políticos da figa,
e todo tipo de tentilhão
soberbo ,

que tomam vinhos importados,
comem suas putas e puristas de mesma laia,
regadas a granas e a prazeres
concupiscentes,

e depois vão se escorrer
defecando merdas
com seus verbos voláteis
por aí:

exatamente,
e muito bem claro fica dito:
à puta que vos pariu,
isso sim!
164

ESTUPRO

A poesia em movimento,
essa sedutora e assanhada estranheza
- inspirada em com suas estórias
de amor e dor -,

insiste em me amar,
às frias e silentes madrugadas,
e sob os umbrais vazios
do niilista:

que triste traição
aos verdadeiros poetas,
que cruciante ferida a sangrar-lhes
os egos e as soberbias,

quando leem
- aos mal traçados versos
nessas secas folhas
sombrias -

os estupros de todo dia
à sua formosa, inspiradora
e preferida musa.
210

EXISTIMOS?

Somente agora,
depois de tantos anos
e enganos,

posso dizer
realmente que nada sei
e que não existe
o que vejo:

apenas me invento
de meu abnormal advento:
o espúrio, vão e passageiro
momento.
179

TRONCOS E GALHOS

... ser galho é fácil
e podemos, sendo, brincar com os passarinhos,
com as joaninhas e com as abelhinhas
que neles pousam sublimes;

difícil é quando
a gente se transforma em tronco
e se nos vem uma profunda cor que começa
nas raízes

e vai até a última
folha, lá no alto, eu tenta em vão,
alcançar o luar, em claras
noites!
192

ERA

... tinha os cabelos
compridos e lisos, negros como o breu
mais profundo,

e no meio deles
tinha um rosto angelicamente lindo,
que se parecia como
um linda lua;

tinha um corpo
perfeito, geralmente maqueada,
arrumada como uma linda e pura
princesa

e, por baixo
dessa máscara, tinha a alma
da mesma cor dos seus nigérrimos
cabelos!
184

SEM MAIS TORMENTOS

... agora estás
onde não mais podemos ver,

só o infinito
te sente, porque agora és de falo
uma parte dele sem a humana e abnômala
senciência;

Thor te conquistou
pelo teu conhecimento, pela tua força,
pela tua filosofia e pela tua ousadia de absurda
oposição;

outros te conquistaram
apenas por tua beleza, pelos teus rijos
e grandes seios e pela deliciosa flor que trazias
escondida entre as pernas;

mas o infinito não,
o infinito se acercou de ti e contigo
se tornou um só, invisível às formigas,
aos anjos, aos heróis e aos nobre menestréis
punheteiros de aqui!
119

MONTES E DESPENHADEIROS

... há quem vomite luzes
sem ter combustível para sustenta-las
por muito tempo,

há quem tropece
nos próprios sonhos, nas próprias ilusões
quedadas em desenganos,

há quem beije
e afague, e chupe e fode; e depois cospe,
escarra er, claro, esporra;

há quem fale
de honestidade, de moral er de lealdade
escondento putos de pau duro
no armário,

há quem fale de Deus
com o diabo enfiado na bolsa e, muitas
vezes, usado como
escapulário;

há também os cãe,
que faze tudo isso aí, assumindo
como um vendaval indigente, com destinos
finais sempre turbulentos!
169

ANDARILHO ALUCINADO

... incauto transeunte a sonhar
com moças lindas de corpos gostosos
e de almas limpas,

louco como o vento
corre volvendo folhas, pedras e outras
coisas fabulosas para chegarem
à presa.

e como o vento,
pobre coitado, sempre morre em algum
redemoinho escuro, tênebro
e frio!
182

TER-TE ASSIM

... ter-te,
sabendo que habitas
o deserto de mim,

ter-te
sabendo o que eu mesmo
vejo, diante do espelho, do reflexo
de mim,

ter-te
com a magnitude de teus encantos
neste pequeno pedaço que
sobrou de mim,

ter-te,
assim, entre o sonho e a realidade,
entre a ilusão e a loucura,

entre o amor
e o desejo, entre o céu, o chão
e os leitos imaginários

é algo
que me comove, que me faz delirar
e que me coloca em medo
e espanto!


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Comentários (7)

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fernanda_xerez

SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*

fernanda_xerez

Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*

Trivium
Trivium

Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?

fernanda_xerez

E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.

fernanda_xerez

Lindo e provocante!