Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
Sei que não conviria dizer isso, sobretudo nessa hora de inquietante indecisão à nuvem:
mas o amor é como uma mesa de apostas, onde se flerta com um ou outro jogador dissimulados;
onde se blefa, ou não, com cartas escondidas às mãos,
até que elas sejam expostas em vitórias extaticamente regozijadas ou em dramáticas derrotas.
Um pouco depois, renovam-se os personagens e se começam novas partidas em incautos e viciosos ciclos.
193
QUEREM SABER DE UMA COISA?
Em certas horas, à merda com essa tal senciente razão do sapiens:
ela é tudo que não pode justificar as guerras, as mortandades, as fomes, as opressões e os estupros às virgindades das coisas naturais.
Querem saber?
Hoje vi uma criança à rua, imunda e com a roupa rasgada; e o pior, com a alma arregaçada,
a mendigar um pouco de comida.
Sem mais adelongas, que há muito tempo estou puto com isso, vocês querem mesmo saber de uma coisa?
À puta que pariu os menestréis e intelectuais de terno, os políticos da figa, e todo tipo de tentilhão soberbo ,
que tomam vinhos importados, comem suas putas e puristas de mesma laia, regadas a granas e a prazeres concupiscentes,
e depois vão se escorrer defecando merdas com seus verbos voláteis por aí:
exatamente, e muito bem claro fica dito: à puta que vos pariu, isso sim!
164
ESTUPRO
A poesia em movimento, essa sedutora e assanhada estranheza - inspirada em com suas estórias de amor e dor -,
insiste em me amar, às frias e silentes madrugadas, e sob os umbrais vazios do niilista:
que triste traição aos verdadeiros poetas, que cruciante ferida a sangrar-lhes os egos e as soberbias,
quando leem - aos mal traçados versos nessas secas folhas sombrias -
os estupros de todo dia à sua formosa, inspiradora e preferida musa.
210
EXISTIMOS?
Somente agora, depois de tantos anos e enganos,
posso dizer realmente que nada sei e que não existe o que vejo:
apenas me invento de meu abnormal advento: o espúrio, vão e passageiro momento.
179
TRONCOS E GALHOS
... ser galho é fácil e podemos, sendo, brincar com os passarinhos, com as joaninhas e com as abelhinhas que neles pousam sublimes;
difícil é quando a gente se transforma em tronco e se nos vem uma profunda cor que começa nas raízes
e vai até a última folha, lá no alto, eu tenta em vão, alcançar o luar, em claras noites!
192
ERA
... tinha os cabelos compridos e lisos, negros como o breu mais profundo,
e no meio deles tinha um rosto angelicamente lindo, que se parecia como um linda lua;
tinha um corpo perfeito, geralmente maqueada, arrumada como uma linda e pura princesa
e, por baixo dessa máscara, tinha a alma da mesma cor dos seus nigérrimos cabelos!
184
SEM MAIS TORMENTOS
... agora estás onde não mais podemos ver,
só o infinito te sente, porque agora és de falo uma parte dele sem a humana e abnômala senciência;
Thor te conquistou pelo teu conhecimento, pela tua força, pela tua filosofia e pela tua ousadia de absurda oposição;
outros te conquistaram apenas por tua beleza, pelos teus rijos e grandes seios e pela deliciosa flor que trazias escondida entre as pernas;
mas o infinito não, o infinito se acercou de ti e contigo se tornou um só, invisível às formigas, aos anjos, aos heróis e aos nobre menestréis punheteiros de aqui!
119
MONTES E DESPENHADEIROS
... há quem vomite luzes sem ter combustível para sustenta-las por muito tempo,
há quem tropece nos próprios sonhos, nas próprias ilusões quedadas em desenganos,
há quem beije e afague, e chupe e fode; e depois cospe, escarra er, claro, esporra;
há quem fale de honestidade, de moral er de lealdade escondento putos de pau duro no armário,
há quem fale de Deus com o diabo enfiado na bolsa e, muitas vezes, usado como escapulário;
há também os cãe, que faze tudo isso aí, assumindo como um vendaval indigente, com destinos finais sempre turbulentos!
169
ANDARILHO ALUCINADO
... incauto transeunte a sonhar com moças lindas de corpos gostosos e de almas limpas,
louco como o vento corre volvendo folhas, pedras e outras coisas fabulosas para chegarem à presa.
e como o vento, pobre coitado, sempre morre em algum redemoinho escuro, tênebro e frio!
182
TER-TE ASSIM
... ter-te, sabendo que habitas o deserto de mim,
ter-te sabendo o que eu mesmo vejo, diante do espelho, do reflexo de mim,
ter-te com a magnitude de teus encantos neste pequeno pedaço que sobrou de mim,
ter-te, assim, entre o sonho e a realidade, entre a ilusão e a loucura,
entre o amor e o desejo, entre o céu, o chão e os leitos imaginários
é algo que me comove, que me faz delirar e que me coloca em medo e espanto!
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*