INEXORÁVEIS HERANÇAS
Quando partimos,
deixamos sempre dois espaços
de lembranças para trás, nas mentes
e nos corações
daqueles
que outrora nos acompanharam
e disseram nos amar?
Um branco
e um demasiado negro!
UM DIA NÃO MUITO DISTANTE
Um dia não vão mais me achar e não terão onde mais mirar nada além de suas paravras voláteis em flocos de luzes ou sombras; um dia não irei mais sonhar, esvaziar-se-á o meu mare não restará dele sequer alguma brisa de esperança; sim, um dia, não muito distante, todos os meus desejos, todos os meus segredos e todas as minhas lucidezes e insânias estarão comigo enterrados em algum desconhecido e vazio lugar!
O GRANDE MAR TEU
Um dia serás cingido, ó grande Mar, com o escarro de meus laivos líquidos póstumos, quando não houver mais hóspedes náufragos às minhas planícies, nem pássaros feridos a habitarem minhas matas sombrias. Ao chegar desse tempo - de passagem ao frio apagamento - haverei de deixar tudo, ó Mar dos mitos, das lendas e das amorosas contendas, para ver em tua impetuosa imensidade, os destroços dos corpos, corações e almas, que lhe foram naufragados.
UM POEMA ANTIGO III
Dizes que não te amo, que não te quero e que não ligo para quase para nada que dizes a mim; e, de fato, talvez eu não saiba amar cá deste meu angustiante deserto interno, de onde te imagino (em poesias escritas às secas areias do cerne) tão bela e esplêndida como um feixe de helianto azul fugido casuisticamente do destino, a atravessar-me [cortantemente] o perfumado silêncio das solitárias e tristes noites.
A PAZ É TAMBÉM SEMPRE UMA ESCOLHA
Quando se força (dos amantes em recorrentes chuvas) a paz à sublime morada do silêncio, acabam-se as fábulas máculas das frívolas paixões e cessam-se as essências inventadas das exíguas ilusões: apenas flores murchas e algumas dolorosas e angustiantes reminiscências submissas restam suspensas, entre a serenidade das longínquas estrelas e a proximidade da cova ao chão.
UM POEMA DO PASSADO II
à estranha e senciente mistura que me deste, meu céu reagiu fortemente: foi do azul vitral ao entenebrecido das nuvens: e findou-se, por fim, em violentíssimas chuvas.
UM POEMA DO PASSADO
Sinto o olhar que silentemente me olha: ele também olha a lua, as estrelas e (dos outros) as sublimes e fantásticas loucuras; ele me olha, matando-me a cada vez que atravessa (refletindo-me) ilusórias avenidas e ruas.
EU CREIO
Pode até ser que houvesse (realmente) aquele grande amor, que nos regozijávamos em leitos quentes e em sempiternidades brancas; mas houve-nos também uma ébria, amarga e fatal escolha: a de nos fazer (em pleno verão) um sombrio e mortal in(f)verno.
SERÁ POSSÍVEL AMAR DE VERDADE?
... porque, para se amar real e plenamente, seria preciso suportar (amando-se ainda mais) a angustiante dor que há às inevitáveis dobras dos naufrágios!
FÚTEIS CRIAÇÕES HUMANAS
Fúteis criações humanas, digo que morrereis todas, lentamente, ao mesmo passo com que vossos promotores tonitruantes se dirigem incautos, e cada vez mais soberbos e imponentes, rumo ao despercebido e frio apagamento.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*