AUSÊNCIA
... depois que ela
se foi,
deixou
um rastro de luz sobre o barro
podre em que andávamos;
possuído
pela solidão, pela dor, pela saudade
e pelo desejo de a ter
novamente,
comecei
a seguir os vestígios deixados
ansiando também pela morte tão bela
e sensualizada!
COMO ESTÁ FRIO SEM TI!
... está orvalhadamente sombria a memória deste poeta, meu corpo se encontra surrado e cansado pelas intempéries da vida, meus sonhos, minhas ilusões e minhas esperanças fugira pelo caído telhado de minha cas, fantasmas do passado, e a lembrança de ela andar ao meu lado neste reino de imagens fantásticas me acompanham à última dança rumo a esse duro. frio e infértil chão!
O VÍCIO DA VAIDADE!
Ela era uma excelente fingidora, faladora e sonhadora, até morrer afogada na própria luz que com o verbo fabricava, com seu dissimulado jeitinho de anjo sedutor!
VOCÁLICOS
... tomais cuidado com os verbos voláteis, acidentais, insensatos; expostos em ilusões perenes ou em extrusões terrenas, porque vos digo que, na verdade, toda boca de onde se originam é suicida.
AS PORTAS DO MUNDO!
O objetivo desse mal traçado poema é unicamente para lembrar-te que, embora nunca conseguiste me amar com as portas do mundo abertas - como se fosse possível mantê-las fechadas, ou nos havermos como hóspedes invisíveis aos caminhos e desalinhos das estradas -, e sem chaves ou trancas existentes para se evitarem o trânsito dos tentilhões, das andorinhas e da metaforia que se possa dizer dos soberbos sapiens; após nossa morte por afogamento sob incontidas chuvas de fogo e ódio, sempre te devas - vez em quando - contemplar nos céus a eterna prova do que tivemos juntos, embora jamais me tenhas acreditado: um grande e inesquecível amor às nuvens.
EU QUERIA PODER PRORROGAR O INFINITO DA HORA!
Eu queria poder suspender a hora, descolorir os horizontes, desfazer as imagens já carpidas no incendeio exangue de um novo crepúsculo; eu queria não ser mais nau, embora pudesse me perder sobre a pálida luz da lua para, quem sabe, tentar achar tua alma [nua] em fuga. Sim, eu queria ter um par de asas válidas, para flanar em ritmos e danças, em uma puríssima comunhão celeste, que nos levasse a uma eternidade que não mais hiberne, e sem que as nuvens se evaporassem novamente às vazias escuridões da verve!
FLUXOS INFECTADOS
Quando se nos abre um outro tipo de estrada: a seca pode ficar incomunicável; não se convém ficar desejando rituais em voos, nem ilusões molhadas aos leitos: "Desejar arrrrr, arrr" - Eu ali sentado. "Toc, toc, toc - abre logo, que estou apertado !" "Já vai, já vai, já vai!" É... Parece que já havia outra flor querendo se abrir, enquanto às laivas metafísicas do ser eu defecava.
FULGAS INTERNAS
Para mim, os mais sísmicos abalares entre as tênues estruturas das luzes e as firmes extremidades das sombras, as mais crepitantes chuvas entre as exíguas ilusões e os tonitruosos ululos que saem pelas mandíbulas transitórias dos homens [em febres de desejos, em trâmites de quimeras, em bordas de úlceras, em caminhos perdidos, enfim] não impedem que eles [os sapiens] se convirjam em asas, corpos e camas, como que a tentarem criar alguma esperança em algo qualquer que não mais lhes incorra em dores e angústias, nem nos inexoráveis silêncios das pedras.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*