Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
Pouco sabeis a meu respeito, e nada mais podeis prometer-me com vossas tremeluzentes lamparinas, ou atirar-me de vossas ominosas latrinas,
porque há tanto tempo caminho com o peso quase insuportável do que houve e do que possa haver em minhas margens espúrias,
que os sonhos, e os amores, as esperanças e até os medos e receios caíram neste caos de mim.
150
ANÊMICA
Loucura incógnita,
andande de solo torpe,
frequentadora de céus escondidos
com porras azedas,
sempre proclastinando
o reflexo do corno em outros
leitos refletido!
159
SÓ ELA ME CONHECEU TÃO BEM!
Vejo reflexos do ser disperso por todos os lados,
não ligo, não me importo, porque sei que são imanentemente negados em suas falas;
e eu sei o que é ser um inconsciente náufrago, que espera salvação ou redenção em algum novo elogio, jura ou afago;
mas queimo como um sol, sem piedade, quando adentram com má fé, em meu retiro mais tranquilo, fiel e solitário!
214
ESPELHOS DA ALMA
Mesmo que usem as melhores máscaras,
nesmo que passem as melhores maquiagens,
mesmo que usem as melhores, mais lindas e mais eficazes palavras voláteis,
mesmo que façam juras de solidezes sublimes e infinitas;
eu afirmo, se repararem bem, os espelhos da alma não mentem jamais
e irá lhes revelar, em algum momento, toda a verdade!
132
SE NÃO CONTIVER LOUCURA, NÃO É AMOR!
Não consigo amar, porque o ser humano não sabe amar ddebaixo da água sob a carestia de oxigênio,
nem no sincero escuro onde, tendo de ser apalpado ou imaginado, tudo e qualquer coisa pode acontecer e se tornar incontrolável;
não, não sei amar porque as estações que me dão contêm muitas promessas e poucas dádivas
e eu sou do tipo que, para amar, não me protejo do frio, do ângulo em fúria ou do inferno em gula:
eu apenas seuspendo o céu e lambo, e chupo, e engulo todo o rio que deságua da beldosa criatura,
mesmo que eu tenha de cerrar a noite, ou o dia, ou o paraíso ou meu inferno com silêncio e gula!
138
SIMPLESMENTE NADA!
... nem a vida nem a morte, nem o céu, nem o inferno, nem a salvação, nem o apocalipse,
nem o amor, nem a dor, nem o rancor, nem a paixão, nem o tesão,
nem o sonho, nem a fantasia nem nenhuma dos sapiens criação
realmente é de conhecimento ou importa ao eterno, frio e insenciente Cosmo de Deus!
134
LOUR
Quero esconder-me nas paredes da nova casa,
a casa que aguardou meu regresso, com meu fiel espelho pendurado na sala;
quero retornar à casa nova com nossas noites de amor, de chuvas de fogo, de incontroláveis desejos e também de severos pesadelos.
Não quero mais ficar adoecido da sepultada, qnquanto me aguarda e me acolhe a casa nova,
que, como eu, não acredita em amores infinitos, mas que sabe fazer com que o momento se torne perpétuo!
158
CHUVAS QUE LAVAM AS ALMAS
Gosto de quando chove e os homens ficam quietos nos parâmetros faustos do mundo.
Gosto de quando chove e se afastam de mim os vestígios púmbleos dos contínuos ciclos abnormais salpicados nos desalinhos.
Gosto de quando chove e me escondo em meu canto, anoitecendo-me em claustro silêncio, de onde não posso ver nem atuar nos entrevados palcos de concretos.
Gosto de quando chove, porque tento me desfazer - em vão - também de meus próprios vestígios espúrios, lançando-os às enxurradas dos precipícios.
Mas, quando a chuva para, perco com o líquido o momento onírico e retorno à coleção de imagens e de superficialidades cimentais,
com minhas performances dissimuladas e com meus versos escumalhados.
165
O PULSO
Pulsa o hieróglifo da existência: os soberbos pássaros - que colecionam imagens, sonhos, pedras e musgos - não estão libertos em seus viveiros de ouro.
Há ecos de dor entre as paredes:
por isso mandem livros aos prisioneiros, contando-lhes as estórias dos poetas, das lendas e dos cancioneiros.
Mas, para que não morram na alfama, não deixem que descubram a grande verdade:
de que são aves absolutamente planas, e de que as grades são feitas de ebriedades
originadas de suas mentes insanas e de suas salivas humanas.
204
EU VI
Sim, de esguelha, eu vi por entre as horas e as ondas incertas:
há sonhos e esperanças aos jardins outonais, há desejos e concupiscências aos leitos caudais;
lendas e mitos vão colher frutas nos pomares, homens vão cair com seus lumes bipolares.
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*