EMBAÇADO
... o que dizer de minha partida iminente, ou de meus desejos imanentes, ou ainda de algum sonho que pudesse ter realmente, a quem não me conhece senão pelo seu envesgalhado modo de ver, a quem não me crê pela egolatria, ego e libidinosidades silentes que carrega escondidos ao cerne, a quem me é só frio, silêncio e cismo?
O INFERNO DO SER É INEXORAVELMENTE IRREVOGÁVEL!
É verdade,
o inferno, como dizia Jean Paul
Sartre
é o outro, referindo-se
às projeções que neles fazemos à luz cujo
foco tentamos impor idealisticamente
em nós;
mas é verdade também que,
exatamente por projetarmos o inferno no outro,
conforme disse Nietzsche:
"O pior inimigo
que podes encontrar será sempre tu mesmo;
espreita a ti mesmo nas cavernas
e na floresta!"
EU NÃO QUERO TE VER SOFRENDO!
Eu não quero te fazer sofrer, eu não vou ficar contigo apenas para ver e devorar as curvas de teu corpo, tu me vês chorando o tempo todo sobre cinzas que não vão aparecer, e tu me disseste que irias comigo para o chão, se fosse preciso, mas, por Deus, neste momento, já ao fim do outono, a loucura é a minha maior aliada, e a silente tempestade no deserto é minha amante contumas; e eu, entende-me, não gostaria que sofresses mais tanto por minhas dores e por minhas lembranças tão amargas!
MEU CORAÇÃO NÃO BLASFEMA
Sei que não sei amar, sei que nunca vou aprender a amar um sapiens, sei que isso, essa loucura e essa dor nunca irão cessar (não restaram nem cinzas dos ecos passados em que estive com ela); mas eu quero que tu saibas que eu tenho me esforçado, mesmo sabendo que me transformei inexoravelmente em meus próprios precipícios internos, para te dar um pouco de companhia, sem muita da agonia e da dor infinita que povoa minha alma!
MORTE ABRENUNCIADA
Fora por mim anunciada a última tempestade, protestaram os deuses, os demônios, os mitos, os ídolos e os homens; e eu te dizia, acautela-te, Flor de Inverno, não tardará para que os efeitos de nossas más escolhas nos mostrem o tamanho dos abismos que se esconde em nossas almas, tão bem escondidos por nossas palavras e por nossas máscaras!
EM ALGUM LUGAR DO TEMPO-ESPAÇO A REPRESA VAI ESTOURAR
As folhas de minha árvore secaram-se, estremeceram e caíram sem ti; antes, porém, de me secar completamente no fim do ultimo outono, quero que saibas que irei te procurar, flor de inverno ausente, por todo o Universo, com minha fome e minha sede completamente alucinadas e sem limite!
TEU VENENO FOI TATUADO EM MINHA ALMA!
Agonizo no silêncio do deserto, junto ao resto dos vermes e dos ratos sapiens, tenho um amor passado, e irrecuperável, que ainda sangra meu coração, tenho flexas pregadas em todas as minhas gerações e estações nesta jornada vã, tenho uma esperança: atingir a paz na morte, desapregado de toda humanidade, de toda angústia e de toda dor!
MORTE DE UM FLORIR ABSURDO
Quis ser como os poetas tristes para dar-te o verso certo nos momentos incertos. Quis ser como os anjos alvos para apaziguar-te os ermos e cingir de paz tuas angústias. Quis ser como os mitos impávidos para dar-te sonhos de asas e livrar-te dos rastros dos homens que edificam magníficos templos. Mas a única coisa que pude ofertar foi a celebração de mim mesmo, como um frágil vaga-lume noturno a querer amar, em êxtase, a florescência mortífera da luz. E foi assim que me quedei, desterrado do que não pude ser, e sob a esqualidez de tua ausência, em meus próprios precipícios rasos.
EM UMA NOITE DE SERENO INSÍPIDO
Em uma noite de sereno insípido, o marujo dos mares e das eras abarcou-se, com o corpo hígido, às vagas de uma flor de quimeras. Em meio ao alvoroço das águas superficiais, palavras incautas moviam rimas plácidas, desejos ávidos extasiavam corpos cálidos, e enlaces dádivos polinizavam sonhos artificiais. Enquanto isso, às eructações dos ventos uivantes, lendas regozijavam com verbos espuídos, a hipnotizarem as retinas cegas dos amantes com histórias de seus grandes feitos exequidos. Até que, com os novos céus cingidos por florescentes imagens encantadas, acabou o marujo com a alma estiolada; e a flor, com as quimeras multiplicadas!
O NIHILO ESTÁ MORTO
Clausura do corpo: êxtases e desejos em carnes que transpiram suores e dádivas. Desvarios da mente: sonhos em voos de águia sem rumo, e quedas em deserto silente. Há manchas na água que cai molhando meu medos. Em meu corpo, falésias se abrem com os tempos que passam. Em minha mente, sonhos naufragam em eternos que passam. Até que, por fim, à última noite, tudo passe, e tão somente reste o anseio de uma alma angustiada!
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*