PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT

PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT

n. 1970 -- --

Escritor, poeta e pensador niilista, sempre em busca da análise do ser jogado em meio de suas reinauradas coisas!

n. 1970-03-07, Bom Despacho

Perfil
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FLOR DO DESERTO, VÊS COMO ME ENCONTRO?

Flor do Deserto,
vês como já há tanto tempo
me encontro?

Sabes quanto
me custa ser franco
quanto a meus sentimentos por alguém
que já passou a um leito negro
de onde jamais
retornará?

Alguns anjos me julgam
dizendo que é derespeito amar
uma defunta,

outros
vão além e dizem que com ela
ainda me masturbo,

e há os que
não me perdoam por quererem a carne
deste corpo, que nada vale perante
o sentimento que se assentou
em minha alma;

e eu fico aqui
pensando: "O que posso fazer
por alguém, uma flor tão boa para comigo,
de modo que a agrade, sem que minta
ou a engane sobre meus sentimentos
mais profundos?
Ler poema completo

Poemas

1417

EMBAÇADO

... o que dizer
de minha partida iminente,
ou de meus desejos
imanentes,

ou ainda
de algum sonho que pudesse
ter realmente,

a quem não me
conhece senão pelo seu envesgalhado
modo de ver,

a quem não me
crê pela egolatria, ego e libidinosidades
silentes que carrega escondidos
ao cerne,

a quem me é só
frio, silêncio e cismo?
2 133

O INFERNO DO SER É INEXORAVELMENTE IRREVOGÁVEL!

É verdade,
o inferno, como dizia Jean Paul
Sartre
é o outro, referindo-se
às projeções que neles fazemos à luz cujo
foco tentamos impor idealisticamente
em nós;
mas é verdade também que,
exatamente por projetarmos o inferno no outro,
conforme disse Nietzsche:
"O pior inimigo
que podes encontrar será sempre tu mesmo;
espreita a ti mesmo nas cavernas
e na floresta!"
169

EU NÃO QUERO TE VER SOFRENDO!

Eu não quero te fazer sofrer,
eu não vou ficar contigo apenas
para ver e devorar as curvas
de teu corpo,

tu me vês chorando
o tempo todo sobre cinzas
que não vão aparecer, e tu me disseste
que irias comigo para o chão,
se fosse preciso,

mas, por Deus,
neste momento, já ao fim do outono,
a loucura é a minha maior aliada, e a silente
tempestade no deserto é minha
amante contumas;

e eu, entende-me,
não gostaria que sofresses mais tanto
por minhas dores e por minhas lembranças
tão amargas!
145

MEU CORAÇÃO NÃO BLASFEMA

Sei que não sei amar,
sei que nunca vou aprender a amar
um sapiens,

sei que isso,
essa loucura e essa dor nunca
irão cessar

(não restaram
nem cinzas dos ecos passados
em que estive com
ela);

mas eu quero
que tu saibas que eu tenho me esforçado,
mesmo sabendo que me transformei
inexoravelmente

em meus próprios
precipícios internos, para te dar um pouco
de companhia, sem muita da agonia
e da dor infinita que povoa
minha alma!
226

MORTE ABRENUNCIADA

Fora por mim
anunciada a última tempestade,

protestaram
os deuses, os demônios, os mitos,
os ídolos e os homens;

e eu te dizia,
acautela-te, Flor de Inverno,
não tardará para que os efeitos de nossas
más escolhas

nos mostrem
o tamanho dos abismos que se esconde
em nossas almas, tão bem escondidos
por nossas palavras e por nossas
máscaras!
146

EM ALGUM LUGAR DO TEMPO-ESPAÇO A REPRESA VAI ESTOURAR

As folhas
de minha árvore secaram-se,
estremeceram e caíram
sem ti;

antes, porém,
de me secar completamente no fim
do ultimo outono,

quero que saibas
que irei te procurar, flor de inverno
ausente, por todo o Universo,

com minha fome
e minha sede completamente alucinadas
e sem limite!
154

TEU VENENO FOI TATUADO EM MINHA ALMA!

Agonizo no silêncio
do deserto, junto ao resto dos vermes
e dos ratos sapiens,

tenho um amor
passado, e irrecuperável, que ainda
sangra meu coração,

tenho flexas pregadas
em todas as minhas gerações e estações
nesta jornada vã,

tenho uma esperança:
atingir a paz na morte, desapregado
de toda humanidade, de toda angústia
e de toda dor!
108

MORTE DE UM FLORIR ABSURDO

Quis ser
como os poetas tristes
para dar-te o verso certo
nos momentos
incertos.

Quis ser como os anjos
alvos para apaziguar-te os ermos
e cingir de paz tuas
angústias.

Quis ser como os mitos
impávidos para dar-te sonhos de asas
e livrar-te dos rastros dos homens
que edificam magníficos
templos.

Mas a única
coisa que pude ofertar foi a celebração de mim
mesmo, como um frágil vaga-lume
noturno a querer amar,

em êxtase,
a florescência mortífera
da luz.

E foi assim
que me quedei,
desterrado do que não
pude ser, e sob a esqualidez de tua ausência,
em meus próprios precipícios
rasos.
165

EM UMA NOITE DE SERENO INSÍPIDO

Em uma noite
de sereno insípido,
o marujo dos mares e das eras
abarcou-se, com o corpo hígido,
às vagas de uma flor de
quimeras.

Em meio
ao alvoroço das águas superficiais,
palavras incautas moviam rimas
plácidas,

desejos ávidos
extasiavam corpos cálidos,
e enlaces dádivos polinizavam sonhos
artificiais.


Enquanto isso,
às eructações dos ventos uivantes,
lendas regozijavam com verbos
espuídos,

a hipnotizarem
as retinas cegas dos amantes
com histórias de seus grandes feitos
exequidos.

Até que,
com os novos céus cingidos
por florescentes imagens
encantadas,

acabou o marujo
com a alma estiolada;
e a flor, com as quimeras
multiplicadas!
123

O NIHILO ESTÁ MORTO

Clausura
do corpo: êxtases
e desejos em carnes que transpiram
suores e dádivas.

Desvarios
da mente: sonhos em voos
de águia sem rumo, e quedas
em deserto
silente.

Há manchas
na água que cai
molhando
meu medos.

Em meu corpo,
falésias se abrem com os tempos
que passam.

Em minha mente,
sonhos naufragam em eternos
que passam.

Até que,
por fim, à última noite,
tudo passe, e tão somente reste
o anseio de uma alma
angustiada!
174

Comentários (7)

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fernanda_xerez

SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*

fernanda_xerez

Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*

Trivium
Trivium

Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?

fernanda_xerez

E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.

fernanda_xerez

Lindo e provocante!