Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
... o amor, apesar de sublime, é uma coisa realmente muito estranha:
não tem caminhos, nem direções, nem certezas, nem conhecidas fronteiras;
sim, o amor, apesar de sublime, é algo indecifravelmente estranho:
quando verdadeiro, vai do amanhecer ao gris crepúsculo e, se preciso, adentra a longa noite de sombras,
sem que se distancie, por qualquer motivo que seja, daqueles que verdadeiramente se amam.
129
EU ME CONSAGRO AO SUBLIME NIHILO!
Quando eu morrer vai ser exatamente como quando nasci:
alguns continuarão a dizerem se amar reciprocamente,
alguns se foderão, em traições abrasadas, um ao outro debaixo das escadas,
alguns comporão mais e mais poemas, mais e mais canções, mais e mais figurações em artes máximas,
alguns continuarão exercendo a soberbia máxima e angariando poder, status e genitálias escaldadamente excitadas;
sim, quando eu morrer volto a ser exatamente como antes de nascer,
deixando toda essa ilusória loucura de lado e voltando a ser absolutamente nada!
126
TENHO TE ZELADO MESMO APÓS TUA MORTE
A voz sufocada na caixa, a mesma voz com que encantou tantos anjos, tantos tentilhões e tanto mitos marítimos.
O corpo mergulhado na terra, o mesmo corpo que povoou tantos leitos com seus leites espumados.
Os doutores, os tentilhões soberbos, os fodedores moralistas ficaram de fora, os mesmo que não conseguiram aguentar dela as posteriores quedas mandando-ma sempre de volta.
A alma se perdeu na morte. a mesma morte que tantas vezes mostrei a ela com o nome de apagamento, sempre advertindo-a para economizarmos
palavras, esperanças vãs, amores irreais, fantasias insanas e nos firmamos juntos antes que (e foi) nos fosse tarde demais!
136
OS ANJOS NÃO EXISTEM
Já era essa estória de crer em anjos puristas que vivem em meio cáfilas de bocas e cus contaminados:
agora, ando vendo apenas (de minha janela ao deseto) os fervorosos labores das formigas terreiras,
as exíguas ilusões das santas sacramenteiras, e as recorrentes quedas das águias trepadeiras.
204
O DESFILE DOS SOBERBOS
Margaridas e tentilhões fediam ao desfilarem com suas belas pétalas e plumas pelos canteiros e terreiros da cidade.
Dentre eles, a fulga flor de inverno (com seu tridente dourado), que vivia a cantarolar: "sou pura, pura, pura",
como que se não tivesse nascido entre as demais, como se não conhecesse o próprio rabo;
como se também já não tivesse a vulva (por todo tipo de pássaro que se imaginar) já rasgada.
117
EM MEIO À ALGAZARRA SAPIENS
... neste momento, há alguém nascendo em alguma tosca ilusão,
há alguém nascendo em algum incêndio de palavras,
há alguém nascendo em alguma concupiscências entre bocas, corpos e mãos.
Neste mesmo momento,
há alguém morrendo em algum útero ressecado,
há alguém morrendo em alguma escola desleixada,
há alguém morrendo em algum leito enfeitado.
Sim, neste mesmo e exato momento em que me lês em tua tela mambembe,
onde costumas atirar brancas palavras voláteis
e beber de imagens, fantasias e libertinagens desvairadas.
175
E NADA IRÁ MUDAR NESTE REINO
Se tudo é supefície
adulterada e remodelada
em formas e cores pelo sapiens,
por que
é que ele não para nunca
de cavar assassinos
buracos?
106
SEM VAGA PARA FRACOS
A paixão é sempre como a paixão, o desejo é sempre como o desejo,
o prazer e as gozadas são sempre como o prazer e as gozadas,
os sonhos, as fantasias e as teatrações costumam ter, ao fundo, sempre a mesma branca cor,
a rancor é sempre como o rancor, e o lavor, e o horror, e o medo de se cair em tremor;
na verdade, até as dores não apresentam tantos dissabores, dando-nos novos filhos em arte parturiente;
por isso, para amar de verdade, é preciso um pouco mais, é preciso supercar um pouco a margem do que pensar ser humanamente amor!
208
O ENGANO SÓ OCORRE ATÉ A PASSAGEM DA PORTA DA SALA
Entre os secretos e escuros esconderijos meus,
ninguém,
nem os santos mais fiéis, nem os anjos mais perfeitos, nem as beladonas mais sublimes adentram,
sem saírem com uma estranha e doce sensãção de nausea,
devido ao fato de terem visto, entre calcinados sonhos, o abismo pegando fogo!
159
EU SEI LIDAR COM A COISA!
Entre imagens, sonhos, fantasias, devaneios e paredes excepcionalmente bem inaurugradas e pintadas,
entre ruas, jardins, mares, casas e leitos onde falam sobre o amor e sobre coisas libidinosas sem o menor receio de que suas mascaras caiam,
sigo como niilista, nasce sol, entra noite, hora megulhando na tediosa solidão que tem só quem sente a famigerada condição humana,
ora apenas me canibalizando, também humanamente, entre as calcinhas, os seios e as xanas das beladonas puristas,
sempre, claro, com o cuidado de lhes tapar a boca com a mão para que não contradigam, em uma cama, os belos ensinametos que dão em seus claríssimos e soberbos plantões!
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*