Sonho
Lembro-me das meninas da rua, que viviam na Cohab Da ânsia que sentia antes da briga de barro Do campo onde brincávamos e sorriamos da vida Todos os dias ensolarados Os dias mais tristes não eram nublados Nos dias de chuva era diversão Lá no campo onde brincávamos Era lama marrom e chão molhado sob nossos pés Caíamos, corríamos, brincávamos e vivíamos. Hoje não sinto mais isso, apenas um vazio. Vejo os dias cinza e pálidos Fracos e débeis pelo temor do futuro Vejo pessoas vivas por fora, e mortas por dentro. Vejo antônimos completando-se Dinheiro e amor! Lá na Cohab, onde o sol raiava e o galo cantava As tardes eram roxas cor de céu Os dias eram frescos Nas manhãs, ia ao colégio. Nas tardes brincava no campo. Lembro-me das caras e cores que moravam ao lado. No alto do dia em sua varanda Ela vinha me ver com seu sorriso de todos os dias Eu, ingênuo, nunca percebi. Nos dias de hoje tenho medos, vícios e aflições. Incertezas que sinto Que dominam minha vida Não reconheço a mim mesmo E nem quero, eu quero sonhar. Questiono a Deus “Por que me pôs aqui? “ Se sabes que morrem, sofrem e temem Onde não posso fugir Onde iludo-me com ideias e sonhos Que já estão mortos. A modernidade é incerta E também somos nós Por isso matamos por dinheiro Vivemos por amor E fingimos que amamos. Mataram-nos! E venderam nossos sonhos Mas nossos sonhos de consumo são voltar para infância
O bom cidadão
Pro bom governador É mais fácil matar mais um favelado, Pegar mais uma arma E matar mais um preto, Do que criar mais escola. O bom cidadão não discorda, Acha que mais um favelado morto é menos um vagabundo na terra. Pro bom cristão Deixa nascer, Mas mata depois, Porque só é vida quando quer, Porque direito é pra cidadão direito. Pro bom cristão, criança que rouba não é cidadã, Pra esses bons cidadãos Brasil a fora, Criança rouba porque quer, Porque pro bom cidadão não existe pobreza. Pro bom cidadão é melhor mais um no caixão do que mais um livro na mão. O bom cidadão aceita calado a pec. 287 Mas só falta morrer contra uma mulher no poder. O bom cidadão é aquele que bate panela, Mas aplaude e aceita calado aquele que rouba o Brasil. O bom cidadão é aquele obediente, calado e submisso. O bom cidadão não fala, não vê, não sente, mas escuta. O bom burguês acha melhor mais um na miséria do que mais um prato na mesa Pro bom burguês é melhor mais miséria do que menos cifra no fim do mês. Já o bom presidente é aquele que tira direito, mas tem boa propaganda, Tem a mídia ao seu lado, Tem o congresso e o senado Quiçá o judiciário... O bom deputado anda cheirado, mas não é cheirado. O bom deputado rouba, mas não é roubado Ele tem a mídia ao seu lado Apoia o panelaço, mas não apoia a lava jato Pois, ele sabe que se apoiar, vai ser caçado. Mas tem aquele bom deputado diferente, Aquele que rouba dinheiro da merenda Pra alimentar o seu cachorro E pagar viagem pro “estrangeiro”. Não podia esquecer o cidadão direito, Aquele que reza aos domingos E espanca a mulher nas segundas. Esses são os bons cidadãos do meu Brasil varonil.
Tanque D’arca
Do alto do cruzeiro, Aos baixos da cohab, Das estradas de terra, As quais eu percorria em busca dos frutos do solo, A tua imensidão é verde, Verde como as matas que te acercam, Dos campos às serras do alto do cruzeiro. Terra onde o carnaval aquecia a folia E fazia-nos pular e farrear como se o amanhã nunca houvesse. Como se a felicidade inundasse-nos de alegria e excitação pela vida, Como se infelicidade acabasse em meio aos seios do carnaval, O qual gozávamos do prazer de ter em nossas vidas. Havia os meses de corre bicho, Os quais ainda me recordo, com clareza, do temor que me causavam. A noite o medo reinava, Mas não o medo da cidade, Reinava, aquele..., o medo dos mitos e contos, Os quais, até as comadres e compadres temiam. Aquele bendito fogo corredor, o pavor das comadres e dos compadres. Arrodeávamos a fogueira e os mais velhos profeririam os contos, Não havia nenhuma singela criança que não temesse aqueles contos de horror. O “papo-figo” e a maldita ‘camboquinha”, quem não havia de temê-los? E até o pobre dezoito. Lá ela habitava, onde ninguém soubera Lá onde aqueles que não lhe traziam fumo haviam de sofrer. Onde entrelaçava seus cabelos, E usava-os contra os maus aventureiros E aqueles que ousassem a desrespeitar. E eu, preso entre mitos e contos, a temera como o pior inimigo. Tanque D’arca, terra dos medos e dos mitos, Dos bons e dos maus, Dos nomes engraçados Das memórias de outrora de uma simples criança, Das formigas e daqueles que houveram de ir e nunca mais voltaram, Mas nunca houveram de sair de minhas memorias. Tanque D’arca, terra do bom pai Merquido E da boa mãe Bem Vinda, Ainda os guardo em meu coração, Ainda guardo as boas histórias e memórias que tivera com vós. Do dia em que o boi pulou a cercar, E eu com medo procurei refúgio ao seu lado. Aquela criança temia ser pega pelo boi da cara preta. Tanque D’arca das águas que corriam pelos rios e cacimbas... E nas bicas que nos banhava, Rodeadas pelo verde das matas e fazendas, Que lá se encontrara. Tanque D’arca, terra do bom velho, De coração alegre E de caráter indulgente. Onde em sua calçada sentava E deleitava-se de boas rimas de embolada. Lá é onde suas madrinhas e padrinhos vivem Lá é onde aqueles que eu amava Descansam... Terra que não vive sem bênção. Bênção, vó, Bênção, tio, Mas nunca bênção, pai. Terra onde os tropejos das florestas são temidos. Terra da deusa-mãe que benzia a erisipela do pobre menino doente, Terra de minha avó. Terra dos dialetos algaraviados ao ouvido do moço da cidade Tanque D’arca, terra de memórias tão ávidas.
Tanque D’arca
Do alto do cruzeiro, Aos baixos da cohab, Das estradas de terra, As quais eu percorria em busca dos frutos do solo, A tua imensidão é verde, Verde como as matas que te acercam, Dos campos às serras do alto do cruzeiro. Terra onde o carnaval aquecia a folia E fazia-nos pular e farrear como se o amanhã nunca houvesse. Como se a felicidade inundasse-nos de alegria e excitação pela vida, Como se infelicidade acabasse em meio aos seios do carnaval, O qual gozávamos do prazer de ter em nossas vidas. Havia os meses de corre bicho, Os quais ainda me recordo, com clareza, do temor que me causavam. A noite o medo reinava, Mas não o medo da cidade, Reinava, aquele..., o medo dos mitos e contos, Os quais, até as comadres e compadres temiam. Aquele bendito fogo corredor, o pavor das comadres e dos compadres. Arrodeávamos a fogueira e os mais velhos profeririam os contos, Não havia nenhuma singela criança que não temesse aqueles contos de horror. O “papo-figo” e a maldita ‘camboquinha”, quem não havia de temê-los? E até o pobre dezoito. Lá ela habitava, onde ninguém soubera Lá onde aqueles que não lhe traziam fumo haviam de sofrer. Onde entrelaçava seus cabelos, E usava-os contra os maus aventureiros E aqueles que ousassem a desrespeitar. E eu, preso entre mitos e contos, a temera como o pior inimigo. Tanque D’arca, terra dos medos e dos mitos, Dos bons e dos maus, Dos nomes engraçados Das memórias de outrora de uma simples criança, Das formigas e daqueles que houveram de ir e nunca mais voltaram, Mas nunca houveram de sair de minhas memorias. Tanque D’arca, terra do bom pai Merquido E da boa mãe Bem Vinda, Ainda os guardo em meu coração, Ainda guardo as boas histórias e memórias que tivera com vós. Do dia em que o boi pulou a cercar, E eu com medo procurei refúgio ao seu lado. Aquela criança temia ser pega pelo boi da cara preta. Tanque D’arca das águas que corriam pelos rios e cacimbas... E nas bicas que nos banhava, Rodeadas pelo verde das matas e fazendas, Que lá se encontrara. Tanque D’arca, terra do bom velho, De coração alegre E de caráter indulgente. Onde em sua calçada sentava E deleitava-se de boas rimas de embolada. Lá é onde suas madrinhas e padrinhos vivem Lá é onde aqueles que eu amava Descansam... Terra que não vive sem bênção. Bênção, vó, Bênção, tio, Mas nunca bênção, pai. Terra onde os tropejos das florestas são temidos. Terra da deusa-mãe que benzia a erisipela do pobre menino doente, Terra de minha avó. Terra dos dialetos algaraviados ao ouvido do moço da cidade Tanque D’arca, terra de memórias tão ávidas.
Tanque D’arca
Do alto do cruzeiro, Aos baixos da cohab, Das estradas de terra, As quais eu percorria em busca dos frutos do solo, A tua imensidão é verde, Verde como as matas que te acercam, Dos campos às serras do alto do cruzeiro. Terra onde o carnaval aquecia a folia E fazia-nos pular e farrear como se o amanhã nunca houvesse. Como se a felicidade inundasse-nos de alegria e excitação pela vida, Como se infelicidade acabasse em meio aos seios do carnaval, O qual gozávamos do prazer de ter em nossas vidas. Havia os meses de corre bicho, Os quais ainda me recordo, com clareza, do temor que me causavam. A noite o medo reinava, Mas não o medo da cidade, Reinava, aquele..., o medo dos mitos e contos, Os quais, até as comadres e compadres temiam. Aquele bendito fogo corredor, o pavor das comadres e dos compadres. Arrodeávamos a fogueira e os mais velhos profeririam os contos, Não havia nenhuma singela criança que não temesse aqueles contos de horror. O “papo-figo” e a maldita ‘camboquinha”, quem não havia de temê-los? E até o pobre dezoito. Lá ela habitava, onde ninguém soubera Lá onde aqueles que não lhe traziam fumo haviam de sofrer. Onde entrelaçava seus cabelos, E usava-os contra os maus aventureiros E aqueles que ousassem a desrespeitar. E eu, preso entre mitos e contos, a temera como o pior inimigo. Tanque D’arca, terra dos medos e dos mitos, Dos bons e dos maus, Dos nomes engraçados Das memórias de outrora de uma simples criança, Das formigas e daqueles que houveram de ir e nunca mais voltaram, Mas nunca houveram de sair de minhas memorias. Tanque D’arca, terra do bom pai Merquido E da boa mãe Bem Vinda, Ainda os guardo em meu coração, Ainda guardo as boas histórias e memórias que tivera com vós. Do dia em que o boi pulou a cercar, E eu com medo procurei refúgio ao seu lado. Aquela criança temia ser pega pelo boi da cara preta. Tanque D’arca das águas que corriam pelos rios e cacimbas... E nas bicas que nos banhava, Rodeadas pelo verde das matas e fazendas, Que lá se encontrara. Tanque D’arca, terra do bom velho, De coração alegre E de caráter indulgente. Onde em sua calçada sentava E deleitava-se de boas rimas de embolada. Lá é onde suas madrinhas e padrinhos vivem Lá é onde aqueles que eu amava Descansam... Terra que não vive sem bênção. Bênção, vó, Bênção, tio, Mas nunca bênção, pai. Terra onde os tropejos das florestas são temidos. Terra da deusa-mãe que benzia a erisipela do pobre menino doente, Terra de minha avó. Terra dos dialetos algaraviados ao ouvido do moço da cidade Tanque D’arca, terra de memórias tão ávidas.
Finda
I A vida é finda Tudo se vai E acaba. Infindável nada Feito palavra passada Vira memoria no tempo que foi Palavras jogadas ao vento De nada valem se ditas sem vida São idas sem vinda. II De idas e vindas Tanto se foi, que sumiu Que não volta jamais E feito poeira voou para longe E nunca voltou para perto de mim III De tantos embates O sol derramou-se e chorou para lua E disse a mim que não há nunca mais A lagrima desceu e escorreu pelo cor´p Passou pelo peito Deixou para atrás apenas a dor E lembrou do passado E disse a si mesmo Não quero jamais Mentiu para si E lembrou que deseja Um final em que fosse feliz Com ela ao seu lado Deixou para trás Tudo que carregava e pensava Para escrever poemas de amor
Terra Perfeita
I Hoje estava a andar e pensar nos problemas da vida; Um poema não veio e há tempos não vem. Todos em torno de mim são convictos; E eu apenas um bloco andante no meio dos homens; Todos em torno de mim são massivos e absolutos. E eu apenas nada e vazio; Apenas uma folha em branco esperando para ser escrita. II O céu roxo alaranjado tornou-se escuro. Os livros de rima, tão poucas rimas As métricas e sonetos; o conceito esquecido. Nasci imperfeito, mas como eu sonho com uma vida perfeita, Onde os males não existam, onde meu amor seja eterno, Onde meu peito não doa. III Sonho todos os dias com uma terra perfeita, numa rima perfeita Num poema perfeito, mas todos os dias me mostram que sou imperfeito. Todos os dias são pensamentos jogados ao vento. Entre os bairros e ruas, pessoas eu vejo, os rostos eu vejo suas dores, eu sinto, por isso não posso ser estático perante a dor ao fim eu sou por sentir e me pôr nos sapatos alheios, nas roupas alheias nas alegrias fugazes, nos sorrisos d’outrem. IV Estamos presos em bolhas de ego e egos inflados Nas ruas, eles querem mudança As bocas debatem os temas, de como viver nossas vidas, os melhores sistemas, Mas tão pouco sabem o que querem.
Poema sobre um termino II
Lá fora entre os becos e ruas Lá fora na noite escura Na penumbra soturna Lá fora no mundo, em ti, em teu peito Em tua imensidão, totalidade Não existe mais amor Cá dentro de mim, diferente dos becos e ruas Diferente do mundo, dos homens, de ti Cá dentro de mim ainda jaz amor por ti. Infeliz destino meu Que me acorrenta na tormenta de amar E que entre todos os acontecimentos Que haviam de acontecer E que enfim houve de vir O fim Pobre eu que te amava E sinto-me triste E anseio por ti, por teus seios Teu amor e teu corpo.