O despertar
Não nasci da geração da luz ou do bem
O mal me deslumbrou mas o bem me fascinou
Por quanto tempo mais terei que vagar por aqui?
Caído, ferido, feito pó, eis-me fênix ao bater de asas
Ressurgindo do fel e da amargura da escola da vida
Olhem! Uma sobra! Sou eu, você viu? Eu voei!
Quantas vezes tenho que te provar que sou capaz?
Meus joelhos já estão calejados, não faz diferença
Meus olhos que de tempestade eram feitos
Hoje são faróis para qualquer tipo de escuridão
Hoje meu sorriso é eterno por cada lágrima derramada
Qualquer desafio será brisa entre meus dedos
Ao fechar o punho se desfalecerá agora, medo
Você sente? Ele está do seu lado, consegue esquivar-se?
A verdade é que sou capaz por que você é capaz
Sinta! Agora eu sei que posso, é só pensar que posso!
Liberte-se, pois o gatilho depressivo é a desonra
E só quem pode puxa-lo é você! Acorde!
Cor Bordô
Sangra, tão vermelho sangue, que escorre do palanque
O qual caí outrora em descuido lento vento se fez relento
Me de traz mil sonhos que vejo, tão risonhos sonhos
Sonhos felizes com o cessar do fogo e o estancar de corpos
Que bóiam em rios de sangue feitos por tão simples porcos
Tais quais mascaram suas mentes sujas que tais ditas cujas
Sempre pensam em sangue, tão glorioso sangue
Se precioso brilho que deslumbra a tantos no sofrer alheio
Me mostra toda suja face no espelho
É por que vítima também posso me sentir
Quando os porcos criam asas, sujam todas nossas casas
E sujam ruas e também quintais, sujam crianças e os animais
Sujam lamentos e alegrias, sempre ditando as suas sangrias
De um poder sujo e denso, tenso, lenço vermelho bordô
Bordô tal sangue escorre embora estancado fora
Como tal aurora suja o céu antes azul tão resplandecente
Hoje um brilho em mente sem direção de se findar
E depois de tanto sangue derramado, porcos vão para seu lado
Afim de toda vossa alma sugar
E toda lama se transforma em sangue neste vento lento
Sopram as folhas de um fim tão amargoso e amoroso
Porcos são todos que se acham espertos, destroem desertos
Rodeiam você com meia dúzia de palavras encantadoras
Te encantam como uma serpente, infelizmente,
Você ainda canta e anda como se fosse uma tampa a se fechar
Eles fazem sua cabeça e o que quer que aconteça, eles querem mais
Vão sujar o seu vestido, te marcar como escolhido
Então será mais um à sua lista a entrar
Seja todo tempo, porcos estão em todo lugar, em casa, na rua, no altar
Veem como águias e escolhem suas presas, todas de surpresa
E é tão simplificado as devorar
Agora mais cuidado nesta esquina, porcos podem te pegar
E em cor bordô os vão pintar.
As Vezes
As vezes me pego a escrever coisas que não fazem sentido... apenas escrevo
Escrevo por não ter palavras pra descrever o que sinto, por que sinto
As vezes me pego abatido, enciumado, cabisbaixo e distraído
E nem ao menos sei o motivo pelo qual assim me sinto
As vezes disfarço o sorriso entre as lágrimas contidas
Sem saber por que as contenho
As vezes me ponho em máscara e faço outros sorrirem
Como se aquilo acalmasse minha dor... ou fingisse acalmar
As vezes eu encontro impurezas que se alojam em mim
Sem saber como tirar, as deixo quietas, até descobrir-se
As vezes me engasgo com meu espasmo e minha fúria
Me surpreendo com minha força inexistente
As vezes o mundo parece não girar, o tempo não passar
Por que meus erros eu tenho que descobrir sozinho?
As vezes tudo se conspira contra mim, e eu caio
Mas sempre dou um jeitinho de levantar
As vezes me machuco sem saber onde me cortei
E quem me cortou geralmente também não sabe que o fez
As vezes meu silêncio me atordoa
Essa falta de ter com quem conversar... esse penar...
...
As vezes eu falho... aliás, sempre falho, mas isso é bom
Toda falha vem com sua lição, aprendo
As vezes me deito sozinho e me passo a mão no cabelo
Como não notar a solidão!?!
As vezes me sinto carente, olhos acoados...
Existe sentimento demais reprimido aqui dentro
As vezes eu sonho, mas sonhar, no meu caso faz mal
Tenho sonhos pequenos, porém não vejo suas concretizações
As vezes tenho amigos, mas não os vejo, jamais
Ao menos a certeza de que alguém me ama
As vezes falo demais...
As vezes eu sorrio...
Vício
Quanta brisa faz o que sente, o que está na mente?
Será mesmo impossível se desfazer de tudo isso?
Aparenta ser difícil, realmente, a gente entende
Mais que uma vontade, parece um compromisso
Choros, angustias, arrependimentos, o que mais?
Tudo isso e mais um pouco, mas de que adianta?
No dia seguinte volta o barco sempre ao velho cais
E esqueceras tudo que ao anterior o abrilhanta
E se parar fosse tão simples quanto querer?
Será que teria a mesma graça tentar parar?
Não vejo isso engraçado por te fazer sofrer
É simplesmente o conflito entre amar e odiar
Você que era surpreendentemente tão forte
Como achar uma saída se tudo é breu completo?
Você precisa acordar, isso só te suga para baixo
Deste quebra-cabeças perdi a peça que me encaixo
Vejo como se de trevas eu estivesse repleto
E ainda sigo tal caminho que me leva a morte
Tic Tac
Penso em tudo e não faço nada
Nada faço sem saber
Sem saber nada ouço
Nada ouço sobre você
Que medo estranho
Estranho jeito
Jeito tolo
Tola vida
Vida sem sentido
Sentido na pele
Pele se enrosca
Enrosca em todas
Todas se grudam
Grudam sem largar
Largar é sofrer
Sofrer é começar
Começar é parar
Parar é incapacidade
Incapacidade é o presente
E o presente já passou.
Quem te viu, quem te vê
Sabe aquela presença e aquele respeito?
Aquele carinho, aquele afeto?
E aquela humildade, simplicidade?
Talvez aquela honra e aquela paz?
Medo inexistente, amor ardente?
Todo fervor, orações?
Por onde tens andado?
Como isso tudo pode acabar?
Não pode acabar, pra onde foi?
Por onde tens andado?
Estamos com saudade...
Volte logo, por favor!
Seus Erros
O homem perfeito chegou e está ao seu lado
Meus olhos que parecem agua olham pro céu
Eu errei e não tive outra chance
Por isso eu não quero mais errar
Logo chega o seu aniversário
E não será eu quem cortará o bolo com você
E se eu pegasse minhas roupas do armário
E fosse correndo atraz de você?
Minhas lágrimas são lágrimas salgadas
São dores de culpa e de erros
Eu sei que errei mas de nada vale isso!
A quem ler entenda que chorar não vale a pena
Mas e quando a dor é mais forte?
Entenda que você não pode errar jamais
Você pode não ter outra chance para consertar
Então sentirá o peso do mundo nas costas
E as lágrimas cairão sem cessar
Todos tem uma segunda chance, eu não tive
Você também pode não ter, cuidado
Guarde no seu coração uma canção
A que mais lhe convir, a minha agora será
Cuide bem do seu amor, seja quem for
Foi a última coisa que eu aprendi
E é o erro que eu jamais cometerei novamente.
O mastro da bandeira
Tendo eu sofrido e gritado por dentro
Me sentido feliz por algum momento banal
Tendo eu feito tudo q tinha sentimento
Parecia fumaça para os olhos do animal
Tudo que se faz por amor é proveitoso
Tem um buquê de rosas, músicas compostas
Tem o sorriso alheio que te deixa orgulhoso
Tem poemas e poesias de amor sendo expostas
Todo aquele carinho, aquele amor e ternura
Você dizia, fazia, ela sorria sempre, gostava
Quem a olhava via sua alegria como armadura
E você ainda gritava pelas ruas que a amava
E depois de algum tempo foi tudo se esfriando
Brigas e mais brigas sempre por motivos futeis
Depois ela te olha e diz que a está ignorando
E todas as declarações não seriam mais uteis
Ela diz estar agora olhando só para o futuro
Tudo que fez foi esquecido e levado pela poeira
Como quem Vê a beleza da bandeira por cima do muro
Como que quem nunca irá olhar o mastro da bandeira
Agonia confusa
Ser sempre pálido ao alvorecer, alvo, sempre calmo enquanto o sangue
escorre. Lágrimas caem sem eu querer, a dor é tão forte que não se
importa ver, crer, crescer, andar. Minhas pernas não mais caminham
contra o vento, pois estáticas se tornaram após a grande tempestade,
que mesmo sem eu entender qual grande foi esta tempestade, assim me
encontro caído, abatido, abalado, enciumado por algo que não existe,
isso tudo eu apenas criei, agora me diz como desfazer? Somente vejo a
sombra de minha cabeça baixa, meu sorriso não mais se encaixa nesta
mera solidão. Foi tudo eu quem criou. Foi tudo eu quem criou. Foi tudo
eu quem criei as aves que cantam e me cercam a cada manhã e que me
tiram um aperto qual sem jeito me leva fingir. Como rosas me via a
esperar que chegasse a luz, a luz que aos céus as conduz. Em vão
tentei, me esqueci que caminhar não posso mais, no entanto, um pranto
rolava interno, paterno, onde está o Pai? Sinto-me confuso e atraído,
sinto-me desvalorizado e traído, mas porque ainda resta algo bom que me
faça lembrar dos tempos bons que eu vivia a te amar? Não quero magoar
mais ninguém, férias de mim mesmo já tirei, seria bela a manhã serena
do fim de tudo isso que eu criei, pois foi eu quem criei, foi eu quem
criou...
mas tudo vai se findar.
A vida é como um jogo de xadrez
A vida é como um jogo de xadrez, você
tem todas as peças no inicio de um jogo, mas você não pode tirar os
olhos dele, tem que estar sempre atento. Você tem que pensar muito bem
antes de fazer a sua jogada, analisar, ver as conseqüências que esta
jogada vai causar por que você sabe que após feita tal jogada ela não
poderá ser desfeita. Um movimento sem pensar e lá se vai uma peça sua.
As vezes é preciso sacrificar uma peça para que você execute sua
jogada. Cada movimento é decisivo e seu oponente é inteligente e quer
te derrotar de qualquer forma. Você deve ser mais esperto que ele,
pensar bem nas jogadas, parar, analisar, reanalisar e jogar. Não se
importe com o tempo neste jogo, desde que você perca o seu tempo
raciocinando. Às vezes você se sente pressionado por seu oponente, ele
só ataca e você só defende, as vezes a defesa é a melhor estratégia,
mas não se vence uma guerra se defendendo apenas. Casualmente seu
oponente irá abrir uma brecha em sua ofensiva e deixará sua defesa nua,
é uma questão de percepção, estar sempre atento a qualquer movimento.
Pode se encontrar sem peças e dizer que o jogo está perdido, mas o jogo
nunca acaba até o rei cair, portanto nuca desista, por mais que
amarrados seus pés e suas mãos pareçam estar, seu oponente ainda pode
vacilar. Eventualmente pode se sentir afobado para fazer tal jogada e
ficar cego para o restante do jogo, um jogador desesperado para ganhar
jamais ganhará, é preciso muita calma e atenção. Quando menos se espera
surge um xeque e você perde o chão sobre teus pés, é hora de por em
pratica a calmaria e raciocinar uma solução. A rainha é a peça mais
importante do jogo pelo seu poder. Ela irá proteger o rei e irá atacar,
os dois juntos são perfeitos, portanto, proteja sua rainha sempre. Caso
você a perca o jogo continua, mas não tem a mesma graça, no entanto
você ainda pode chegar com seu peão até o topo do tabuleiro, seguindo
um longo caminho, mas no final, pode se transformar numa nova rainha.
Eis que não será a mesma coisa, esta permanecerá pouco tempo,
certamente, por tua vitória ou por tua derrota. Cada movimento é
decisivo, ganha-se peças, perde-se peças, no entanto, estranhamente,
quem está de fora do jogo vê muito mais jogadas do que o próprio
jogador, seria bom ouvi-los quando tiver oportunidade. Enfim é
anunciado "xeque-mate" e quem o anunciou? Sua vitória depende apenas de
você. A única diferença entre a vida real e um jogo de xadrez é que no
xadrez você pode jogar novamente, na vida não. A vida é feita de vários
jogos interligados a um só jogo, que chamamos de "jogo da vida", cada
jogo destes nos ensina algo, cabe a você aprender a jogar ou não,
alguns jogos se repetem, mas são raras as oportunidades de jogar
novamente o mesmo jogo, se as tiver, não desperdi-se-as. Não é tão
difícil aprender a jogar, basta pensar bem antes de efetuar a jogada,
olhar tudo ao seu redor, estar sempre atento e jogar. Quanto mais se
joga, mais se aprende, e quando você já estiver bom no jogo, ensine-o
para outros, eles precisam de você e de você deles, nunca os subestime,
pois até mesmo um principiante, mesmo que inconsciente, pode te ensinar
muita coisa.