Raimundo Candido

Raimundo Candido

n. 1957 BR BR

n. 1957-12-15, Crateús

Perfil
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PORTEIRA

O aboio de meus ancestrais

é o que escuto ao longe

quando o olho se depara

no langor da velha porteira...

Ouço o som puxado

do canto de meu bisavô

tangendo uma boiada,

depois outro, entoando...

é meu avô gravando no ar

o seu ecoar de saudade.

E na cancela, ruína

empenada, corroída

pela angústia de seu fim,

algo cordial ainda pulsa

como álbum de fotografia

e me dá a impressão que

os mesmos paus corredios

se abrem... se fecham...

sozinhos! logo ao ouvir

um pungente mugido ou

o grito de aboio de meu avô.

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Poemas

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FASTIO

Ultimamente,

tenho carregado demasiado peso:

ausências indefinidas,

presenças indesejadas

e saudade de um doce sal

que jamais provei!

A vontade de conter o mundo

me franze as sobrancelhas

neste nevoeiro denso

a me reter num abraço.

Necessito verter um vômito

inorgânico que se acumulou

em minhas prateleiras:

aclamações induzidas,

anulações forçadas

e as crenças ilusórias

que retraíram meu ser!

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LENITIVO

Já viu... a sede no mar

e na fartura a fome?

Já viu... no claro dia um olhar

tateando sem luz?

Já viu... um sangue pulsar

fermentando saudade?

Já viu... uma alma gritar

implorando por ti?

Se não, olhe aqui:

– a minha fome...

– a minha sede...

– o meu vago dia

diluído em lágrimas

em desespero

suplicando lenitivo

a tua lembrança...

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