Raimundo Candido

Raimundo Candido

n. 1957 BR BR

n. 1957-12-15, Crateús

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Teorema pra nos tanger

Há um pequeno porém

ao ultrapassar travessias;

o trabalho é na espora,

todavia, o lume da carga

nem pende, nem pesa,

parece flutuar nos arreios.

Só o bornal descontente

sem empenho transporta

uma época de intenções

e travessuras pelas veredas

penosas, longas e sinuosas,

como obrigação imposta

até a armadura do gibão

treme por conta do som

estridente da ave de rapina

e do chicotear do couro cru

que lembra como é a morte

cruel no lamber das esporas.

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Poemas

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FASTIO

Ultimamente,

tenho carregado demasiado peso:

ausências indefinidas,

presenças indesejadas

e saudade de um doce sal

que jamais provei!

A vontade de conter o mundo

me franze as sobrancelhas

neste nevoeiro denso

a me reter num abraço.

Necessito verter um vômito

inorgânico que se acumulou

em minhas prateleiras:

aclamações induzidas,

anulações forçadas

e as crenças ilusórias

que retraíram meu ser!

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LENITIVO

Já viu... a sede no mar

e na fartura a fome?

Já viu... no claro dia um olhar

tateando sem luz?

Já viu... um sangue pulsar

fermentando saudade?

Já viu... uma alma gritar

implorando por ti?

Se não, olhe aqui:

– a minha fome...

– a minha sede...

– o meu vago dia

diluído em lágrimas

em desespero

suplicando lenitivo

a tua lembrança...

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