RAVIA

RAVIA

RAVIA. Entre queimaduras de gelo e chama.

n. , Natal

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Sem contar teus números

Vou apagar seu número
Talvez assim
Não arrume uma desculpa pra te ligar
Falar que te quero
Contar da saudade
Para que não reforce lembranças
E dê vontade de encontrar-te mais tarde
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Poemas

10

Me ama só nas sextas

Talvez não me contente só com um beijo de sexta-feira
Dado por uma boca bêbada
Que diz que me ama
Me ama só nas sextas
Quando me tem ali no outro lado da mesa
Entre os olhares avulsos e alheios 
Nos cumprimentos

Com abraço pra disfarce
Enquanto a cevada não sobe pra mente

Enquanto fogo não invade
Contamos sobre a vida

Falando com os olhos vidrados sem abrir a boca
Esperando a hora da saída

330

Como já disse...
Baby, sou tão só
Quis que me chamasse pra dançar
Mas não é bem assim
Pessoas tem seu lar
Meu lugar é aqui

Aqui
E
262

Melaço de história

Melaço de cana é vestígio de tinta na mesa
Mancha antiga que não sai 
E toda vez que a olho 
Me conta uma mesma história
Lenha carburada pelo fogo que o papel incendeia
Meus papéis queimados
Queimaram uma parte de mim
Avermelha minha pele
Carbura carbura
Queima sem ordem 
Mas sempre do início ao fim
.
352

Nem num tantão

Eu trouxe uns versos pra tu
Mas se for pra falar tudo que tenho pra dizer
Num cabe nesse tanto de linha
Meu amor é maior que um mói de coentro
É lindo igual teus zói castanho da cor de palha seca
E xêroso feito chá de flor de maracujá 
Transparante como as águas do Riacho Doce
Amor, doce mesmo é teu beijo com gosto de cereja
Então deixa de besteira, bem
Se entrega pr'eu
337

Swing natural

Tira do peito saudade que leva uma vida
De onde extraiu da terra os sais que alimentaram a maternidade
Sentiu debaixo do mar o vento que embola a massa de um corpo
Saugada maresia pra embaçar o óculos
Que vejo o vento 
O nada

Dançando junto ao swing da pipa
Com o balançado das correntes
Que puxam
E empurram
A todo momento.
402

O tanto certo das coisas

Café com leite nem sempre foi clarinho
Pingo em pingo na xícara
De pingo em pingo enche
De pingo em pingo seca
De pingo em pingo adoça
De pingo em pingo amarga
Que seja pingado na medida
Senão na medida que pinga
O pingo estraga.
391

sentido aflito

 No leito debruça teu peito em mim
Aberto a nudez da alma
Enquanto tua voz carcome meu interior
Aflita de querer como se fosse meu
Faminta da tua carne enquanto mantenho jejum
Emocionada pela tua arte que atrai minha atenção...
Pra mim, em silêncio
Mantenho a sós
Trancafiado ao meu ego e ao medo.
430

Coração frio na cidade do sol

Não me aguento
Esse coração frio numa cidade tão quente é estranho
Espero que ela não precise aquecer mais para que ele derreta
Do que jeito que eu me derreto por tu
Até nos dias gelados
Coração acelerado
Prestes a sair pela boca
Mão meio suada
Tu enxuga ela na roupa
Eu conheço teus sinais
Tuas marcas e tatuagens
Teus gostos musicais
O jazz que tu curte
E o amor pela arte
O blues que a gente embala
O tango que nos arriscamos dançar
Até tropeçar nos passos desajeitados.
386

Dor amiga

Dias de chuva a dias de sol
Estamos sempre sozinhas
É coisa de outro mundo
Pensar
Que você
Um dia vai me deixar
Somos tão próximas para que penses em ir
Senta comigo pr'um chá
Como de costume
Me acompanha na rede
E me assiste dormir.
446

Um pouco de espera

Não me deixa esperar
Já não consigo manter
Por favor, não esconde
Diz o que tem que dizer
De uma vez!
Não me faz palpitar
Seu atraso me mata
Preciso de um pouco de ar
É que eu sinto demais
É intenso demais
Me maltrato bem mais
Do que me permito acalmar
Penso, já me volto a perder
O ar que uso pra viver
Esse aperto no peito que quase me leva
E amassa tão bruto
Como se quebrasse espelho com pedra
Não liga pra isso
Você não precisa saber
Eu consigo esperar
O que tens pra dizer.
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Comentários (1)

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Márcio Barbosa

Parabéns, belo trabalho. Sucesso bela poetisa !!