RAVIA

RAVIA

RAVIA. Entre queimaduras de gelo e chama.

n. , Natal

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Faz falta escolher

Saudade sinto de ansiar
Por te encontrar sem querer no bar
Eu sabia que iria
De pintar meus lábios de vermelho
Que me lembram daquele sangue derramado
Mas faz falta escolher
Ir na rua passear
Ou na praia ver o mar
E esperar o amanhecer
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Poemas

31

Escolhas

Corpos não faltam pra ninguém
Se você não quer
Também não quero que fique
Acima disso me amo tão bem
Palavras são tão quentes
Vez ou outra fazem língua queimar
402

Manchas

Desejo tanto não me deixar levar por isso
Mas eu gosto do gosto
Do drama que envolve
Da tensão que tempera
Por mais que fira
Masoquismo não decretado
Até que haja manchas roxas na pele
271

Perigos da sombra

Cão faminto da carne maciça do corpo cansado
Na espreita da falha distraída
Nos olhos que não alcançam a sombra
Perigos que esperam a oportunidade
De sugar as forças da carne maciça de um corpo cansado
225

Queda aniosa

Me sinto cair mas não enxergo o chão
Escuro demais pra ver o quão fundo eu ainda posso chegar
E quanto mais eu caio
Anseio pela pancada
E isso não pausa
Até que eu me choque no fundo da terra
Com o teto de madeira
Nas chuvas de Genebra
286

Amor de sexta-feira.1

Quero ser maior que um amor de sexta-feira
Beijar no banco da mesa
Esperar o efeito da cerveja
E voltar antes do amanhecer
349

Me ama só nas sextas

Talvez não me contente só com um beijo de sexta-feira
Dado por uma boca bêbada
Que diz que me ama
Me ama só nas sextas
Quando me tem ali no outro lado da mesa
Entre os olhares avulsos e alheios 
Nos cumprimentos

Com abraço pra disfarce
Enquanto a cevada não sobe pra mente

Enquanto fogo não invade
Contamos sobre a vida

Falando com os olhos vidrados sem abrir a boca
Esperando a hora da saída

333

Como já disse...
Baby, sou tão só
Quis que me chamasse pra dançar
Mas não é bem assim
Pessoas tem seu lar
Meu lugar é aqui

Aqui
E
263

Melaço de história

Melaço de cana é vestígio de tinta na mesa
Mancha antiga que não sai 
E toda vez que a olho 
Me conta uma mesma história
Lenha carburada pelo fogo que o papel incendeia
Meus papéis queimados
Queimaram uma parte de mim
Avermelha minha pele
Carbura carbura
Queima sem ordem 
Mas sempre do início ao fim
.
356

Nem num tantão

Eu trouxe uns versos pra tu
Mas se for pra falar tudo que tenho pra dizer
Num cabe nesse tanto de linha
Meu amor é maior que um mói de coentro
É lindo igual teus zói castanho da cor de palha seca
E xêroso feito chá de flor de maracujá 
Transparante como as águas do Riacho Doce
Amor, doce mesmo é teu beijo com gosto de cereja
Então deixa de besteira, bem
Se entrega pr'eu
342

Swing natural

Tira do peito saudade que leva uma vida
De onde extraiu da terra os sais que alimentaram a maternidade
Sentiu debaixo do mar o vento que embola a massa de um corpo
Saugada maresia pra embaçar o óculos
Que vejo o vento 
O nada

Dançando junto ao swing da pipa
Com o balançado das correntes
Que puxam
E empurram
A todo momento.
407

Comentários (1)

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Márcio Barbosa

Parabéns, belo trabalho. Sucesso bela poetisa !!