RAVIA

RAVIA

RAVIA. Entre queimaduras de gelo e chama.

n. , Natal

Perfil
10 774 Visualizações

Sem contar teus números

Vou apagar seu número
Talvez assim
Não arrume uma desculpa pra te ligar
Falar que te quero
Contar da saudade
Para que não reforce lembranças
E dê vontade de encontrar-te mais tarde
Ler poema completo

Poemas

31

O tanto certo das coisas

Café com leite nem sempre foi clarinho
Pingo em pingo na xícara
De pingo em pingo enche
De pingo em pingo seca
De pingo em pingo adoça
De pingo em pingo amarga
Que seja pingado na medida
Senão na medida que pinga
O pingo estraga.
391

sentido aflito

 No leito debruça teu peito em mim
Aberto a nudez da alma
Enquanto tua voz carcome meu interior
Aflita de querer como se fosse meu
Faminta da tua carne enquanto mantenho jejum
Emocionada pela tua arte que atrai minha atenção...
Pra mim, em silêncio
Mantenho a sós
Trancafiado ao meu ego e ao medo.
430

Coração frio na cidade do sol

Não me aguento
Esse coração frio numa cidade tão quente é estranho
Espero que ela não precise aquecer mais para que ele derreta
Do que jeito que eu me derreto por tu
Até nos dias gelados
Coração acelerado
Prestes a sair pela boca
Mão meio suada
Tu enxuga ela na roupa
Eu conheço teus sinais
Tuas marcas e tatuagens
Teus gostos musicais
O jazz que tu curte
E o amor pela arte
O blues que a gente embala
O tango que nos arriscamos dançar
Até tropeçar nos passos desajeitados.
386

Dor amiga

Dias de chuva a dias de sol
Estamos sempre sozinhas
É coisa de outro mundo
Pensar
Que você
Um dia vai me deixar
Somos tão próximas para que penses em ir
Senta comigo pr'um chá
Como de costume
Me acompanha na rede
E me assiste dormir.
446

Um pouco de espera

Não me deixa esperar
Já não consigo manter
Por favor, não esconde
Diz o que tem que dizer
De uma vez!
Não me faz palpitar
Seu atraso me mata
Preciso de um pouco de ar
É que eu sinto demais
É intenso demais
Me maltrato bem mais
Do que me permito acalmar
Penso, já me volto a perder
O ar que uso pra viver
Esse aperto no peito que quase me leva
E amassa tão bruto
Como se quebrasse espelho com pedra
Não liga pra isso
Você não precisa saber
Eu consigo esperar
O que tens pra dizer.
471

De novo

Só mais uma vez!
Só mais uma vez...
Só mais uma vez?
Eu me disse de novo!?!
Eu me conheço
Não é a última
Não consigo parar
Talvez não vá fazer diferença
Mas não é só m a i s u m a v e zZz
463

Farejando desejos

Não quero ter que pedir
Sua atenção ou favor
Eu vim pra sentir
E te dar o meu amor
Mas se não fazes questão
Eu guardo tudo pra mim
Meu amor que não jura
Não tenho estrutura
Pra poder mentir 
Meu faro sente teu cheiro
Que me atrasa e me faz reparar
Nas lembranças da cama
Me deixando louca
Fazendo arrepiar
Com olhos virados
Unhas cravadas no colchão
Pêlos arrepiados
Uma garrafa acabada na mão
E de goles em goles eu sinto que cada vez
Me aperta o peito 
E te trago na massa pesada em pedaço de descontração
Nos teus toques com calo
Trabalha pesado em me deixar louca no chão
Sempre bem empenhado
Em me fazer sentir
Cada toque virar erupção
458

Vendas de carne

Vendas de carne sob meus olhos
Na cama
Me cego de ti
Teu corpo me acanha
Me puxa, me cede e a pouco me derrama
Teu olhar de noite escura
Me faz perder a meia noite
Admirar contigo as Marias e a lua
Encher o copo de quinta
Arranhar a coxa na quina
Secar teu corpo de suor
Sentir num todo adrenalina
481

Sem preocupações

Não quero insistir, não precisa me ver
Não ligue pra mim, é melhor pra você
Não faz diferença, você vai esquecer
Quarto escuro e bagunçado
Cerveja na cabeceira e livros jogados
Travesseiros caídos e roupas amassadas
Meu canto e refúgio
Ficam melhor desarrumados
Mas... não faz diferença
Fique distante, você vai esquecer
Não precisa se preocupar
Só tô um pouco cansada
Não tem nada de errado
Cansaço, é isso, só um pouco
Não precisa me ouvir, não quero falar
Só me deixa aqui, prometo que levanto
Só uma hora, talvez um pouco mais
Ou alguns dias, não sei, mas não se preocupe
É normal pra mim
São três da manhã, não consigo dormir
Seis da matina tento levantar
Meu coração aperta e esmaga meu peito
Outro dia normal pra sobreviver
505

Dunas de areia

Areia arranha os olhos daqueles
Aqueles que insistem em mantê-los expostos
Não firma o alicerce nas dunas
Visa da ponte ao morro
E verás que teu lugar não consiste
É passageiro
É ligeiro igual lágrimas de um dia triste
E pode ser lindo não fixar-me
Encantar-me ao aprecia-lo
Só não firma teu alicerce nas dunas.
534

Comentários (1)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
Márcio Barbosa

Parabéns, belo trabalho. Sucesso bela poetisa !!