Ao regressar teus olhos
Ao regressar teus olhos, abrem-me os botões da vida. Tudo renasce ao teu regresso.
Os meus olhos são rios despertos. Comovidos, os frutos vão se revelando em silêncio.
Do ventre da terra surgem novas rosas.
Dos teus pés nascem novos cantos. O teu rosto se revela em mistério.
Pouco a pouco
Pouco a pouco, descubro o silêncio de minha alma. Assim, pouco a pouco, transbordo. Nesse sigilo, milhões de mistérios; sou todo segredo. E não me conto a mim mesmo.
Não conte a ninguém que te amo
Não conte a ninguém que te amo. É um segredo nosso. Não conte o que fazemos nos intervalos do mundo: quantas vezes visitamos o céu; como é a face dos anjos... Não conte do paraíso. Não conte nosso amor aos invejosos. Pois, só quem ama conhece os céus e Deus.
Belos são teus olhos...
Belos são teus olhos. E deleite a alma a tua fala harmoniosa. Bela é as tuas feições, meu amor, e o teu riso um consolo. Os teus lábios são frutos e o teu corpo um oásis. As palavras de tua boca, admiráveis poemas.
não me prive de te amar
Não me prive de ver a ti, porque tudo seria triste. Não me prive dos teus olhares, dando-os a outro, nem de habitar teu coração, chamando-te pelo nome. Deixa estar, minha fala aos teus ouvidos. Não me prive de te amar nunca.
Beija-me, amor
Beija-me, amor, meu bem-amado coração a quer beijar, sobre o luar amoroso das conversações de amar.
Beija-me agora para que não haja jamais dor no meu peito, e eu lembre de ti desse jeito, ainda que não queira lembrar.
Sem título
Recolhe a rosa da roseira no seio miúdo do tronco: Dá amor, nos frutos ja maduros, para consumo dos amantes.
Pílula poética
Desabrocha ávida as tentações mais selvagens, semeando um broto cansado de uma paixão envelhecida, na chuva breve e solitária de nossas vidas.
um vento suave beira o rio...
um vento suave beira o rio, dentro dos vãos do silêncio.
Tomba os panos da noite aos pés da aurora.
Salta um peixe, desarruma apaixonadamente a paz da hora.
Acolá, no mundo...
Acolá, no mundo, os amigos contam essa história: flui um rio, vestido de um venusto airoso lençol cristalino, que se estira tombando para abocanhar a bacia de marfim oceânica. E o mar em sal é de uma mulher muito bela e quem se deitar com o rio se deita também com ela.