No regresso do mundo
Teus olhos, perdidos entre os meus, vai cortando os nevoeiros, afastando brumas.
Tudo é encanto, e em nós dois vamos nos traduzindo em amor.
No regresso do mundo, podemos descansar um no outro.
E chorar nossa dor pelos mesmos olhos. Amar pelo mesmo coração. E quando partir, ir com os mesmos pés. Morrer pelo mesmo corpo. Sangrar pela mesma pele.
Quanta beleza tens, amor
Quanta beleza tens, amor,
És como a rosa singela,
És como as coisas mais belas:
cheia de graça e fulgor.
Quanta beleza tem meu amor,
É como os lírios, é como as flores,
eu em delírios lhe canto louvores:
cheia de graça e fulgor.
Mas conheço tristeza sem fim.
Tão sem fim, minha querida,
Quanta tristeza hei de esperar na vida, quanta tristeza há de esperar por mim?
A todos os amigos
Quero, sim, que me amem, mas que amem sem pressa e sem medo, amem manso, e falem-me com entusiasmo sobre como é linda as flores na primavera. Quero que, me amando, se calem as vezes, e ao me verem triste não se afastem, não guardem nenhuma pena de mim por eu ser sozinho. E que, quando eu divagar, no meio de alguma conversa, não me repreendam nem julguem falso meu amor: outras vozes me chamam do mundo.
Como por ti não suspirar de amor
Teus braços teceram muros contra a dor
Tuas mãos morenas, são para mim mãos santas
Como por ti não suspirar de amor, quando teu corpo, no meu, se levanta?
O teu amor fez-se semente em mim
O teu amor fez-se semente em mim, trazida pelo vento.
E as tuas raízes atravessaram meu peito, traduzindo-se na chuva.
Nossas almas se tocaram e confundiram-se, como se colocadas ao espelho.
E tu e eu era a mesma coisa, de modo que, a tua fala em mim, era a minha e teu gesto em meu corpo era o meu gesto.
E o nosso silêncio espalhado no mundo, era o jeito mais triste que tínhamos de ser.
Agora, quando as almas não mais se tocam e nao se confundem, quando as rosas não brotam ao fundo, tua fala descansa no meu peito, e tuas mãos abrem-se para o mundo.
Antes de conhecer o amor
Antes de conhecer o amor, andava as ruas a sua procura.
Minha alma ia ao mundo e caminhava sem voz entre outras almas.
A mim, foram revelados os seus olhos. Só conhecia a noite.
Antes disso, eu nao havia nascido. Jurei imediatamente ser devoto deles.
Porque te amo
Porque te amo, faltam-me palavras
para dizer-te quanto, amor.
Amo-te como jardim em flor,
Cheio de pudores e graças.
Minha doce lira, lírio do val,
Preciosa ninfa aquática;
Rainha poderosíssima das águas,
Meu amor por ti é carnaval.
Em brincadeiras, alegria e folguedos,
Vou as ruas declarando-te amor,
Encho meu peito de bonanças;
Amo-te inteiramente, sem medos.
Amo-te, passarinho, sem dor,
Com amor sincero e esperança.
Pares
Ela disse: os melhores beijos são os de tua boca; tua língua um pássaro livre que transcreve prazeres.
Ao regressar teus olhos
Ao regressar teus olhos, abrem-me os botões da vida. Tudo renasce ao teu regresso.
Os meus olhos são rios despertos. Comovidos, os frutos vão se revelando em silêncio.
Do ventre da terra surgem novas rosas.
Dos teus pés nascem novos cantos. O teu rosto se revela em mistério.
Pouco a pouco
Pouco a pouco, descubro o silêncio de minha alma. Assim, pouco a pouco, transbordo. Nesse sigilo, milhões de mistérios; sou todo segredo. E não me conto a mim mesmo.