Não conte a ninguém que te amo
Não conte a ninguém que te amo. É um segredo nosso. Não conte o que fazemos nos intervalos do mundo: quantas vezes visitamos o céu; como é a face dos anjos... Não conte do paraíso. Não conte nosso amor aos invejosos. Pois, só quem ama conhece os céus e Deus.
Belos são teus olhos...
Belos são teus olhos. E deleite a alma a tua fala harmoniosa. Bela é as tuas feições, meu amor, e o teu riso um consolo. Os teus lábios são frutos e o teu corpo um oásis. As palavras de tua boca, admiráveis poemas.
não me prive de te amar
Não me prive de ver a ti, porque tudo seria triste. Não me prive dos teus olhares, dando-os a outro, nem de habitar teu coração, chamando-te pelo nome. Deixa estar, minha fala aos teus ouvidos. Não me prive de te amar nunca.
Beija-me, amor
Beija-me, amor, meu bem-amado coração a quer beijar, sobre o luar amoroso das conversações de amar.
Beija-me agora para que não haja jamais dor no meu peito, e eu lembre de ti desse jeito, ainda que não queira lembrar.
Sem título
Recolhe a rosa da roseira no seio miúdo do tronco: Dá amor, nos frutos ja maduros, para consumo dos amantes.
Pílula poética
Desabrocha ávida as tentações mais selvagens, semeando um broto cansado de uma paixão envelhecida, na chuva breve e solitária de nossas vidas.
um vento suave beira o rio...
um vento suave beira o rio, dentro dos vãos do silêncio.
Tomba os panos da noite aos pés da aurora.
Salta um peixe, desarruma apaixonadamente a paz da hora.
Acolá, no mundo...
Acolá, no mundo, os amigos contam essa história: flui um rio, vestido de um venusto airoso lençol cristalino, que se estira tombando para abocanhar a bacia de marfim oceânica. E o mar em sal é de uma mulher muito bela e quem se deitar com o rio se deita também com ela.
Sou teu escravo por querer...
Sou teu escravo por querer, tua propriedade, teu prisioneiro;
tua mão de obra cativa, amante dos teus olhos.
Não careço de salário, teus olhos são minha recompensa;
Quando quiseres me dar algo olha-me e darás à minha vida mais alegria.
E se quiseres me punir, nega-me os teus olhos, e eu serei brutalmente açoitado. Porque os teus olhos é o destino a que estou fadado, meu rumo, minha fatalidade, meu emprego, minha fortuna.
O amor que deflagrou a rosa...
O amor que deflagrou a rosa, desabrochou-nos em flor e em pomo, encerrando a semente encarcerada no chão fecundo da alegria etérea.
Imagino que agora iremos despertar para o futuro e, brevemente, aperceber-se do fruto da vida que floresce nos recônditos bosques da alma.