Sinto o frio Pois a noite chegou Sinto a dor, pois o amor acabou, Sinto nada, pois nada há para existir, Sinto o medo, pois a solidão é de mim. Sinto o ardor Pois você não está aqui E o que tenho agora se não for o sentir? Sinto a falta, da alma, da calma, da cama, Pois só resta a noite que chama.
De onde alma vieste? Por onde não te busquei Achara-te no caminho tão só Quanto a mim encontrei
Perdida no mundo tão negro, Criado em rica ilusão Contida em tua pureza Reprimida na tua emoção
Os ventos guiaram o tempo Sem saber aonde irás Remoendo os desalentos Olhando os pobres mortais
Observa a tristeza, da humana natureza voraz No caos de sua insana ganância Saciando seu egoísmo sagaz
Vestida com pés descalços No silêncio da sensatez Necessitas de um caminho claro, Que a morte da virtude desfez
Donde alma achas-te, Esse orbe querer habitar? Onde rude costume cultivam, Desprezando uma vida honrar.
Carregas uma esperança no peito Que o desgosto não consegue despir Herdas dos nobres espíritos Esse jeito distinto a seguir
A Longa planície é árdua A quem tenta os outros comprar Quem sabe um pouco mais tenro Aquele que deixa o coração lhe guiar
Já vistes o pôr do sol, no alto da montanha se abrir Nos mares, a solidão sorrindo, nos braços de quem se viu partir
Já viste a noite secar, na espera da consciência. A amargura tendo filhos, em sua descendência
Viste portas de lares fechadas Para vidas inteiras roubar Ideias, frágeis de um novo rumo Amante do tédio vulgar
Culpa em cada um é tida Na Teima em desviar da estrada, como se o torvo fosse conquista, para uma alma desencontrada
A ermo, então, segues como arauto Lendo o livro escrito a mão Elevando os olhos ao alto Aceitando a salvação
Recitando pelos lugares Os versos escolhidos do não mentir Alheio a gozos vulgares Atento para chamada Com olhos fitando ao subir.
niterói.rj | 2011
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257
Arte Completa
Abro os olhos e inteiro, enxergo o que mais quero Rósea flor rubra menina Inerte e inapto, incapaz me desviar de tua retina Escravo, nato amar-te é minha sina
Raciocínio lento que agrava Enquanto tento me sustentar Macios lábios, teus, me afundar Gota saliva, escorrendo entre os dedos bicos doces salivar, umbigo faminto tocar, coxas, curvas Arte completa, admirar por enfim, em teus pulmões respirar.
salvador.ba | 2012
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250
Inteiro
Deixe-me ser esse inteiro Aquele, a quem amam não me serve mais O rosto que a máscara cobria não é o mesmo que o espelho me trás Talvez um pouco mais forte talvez e nada mais Só me deixe ser inteiro Pois metade não me cabe mais Talvez um novo estranho pra aqueles que conhecia talvez um novo amigo Pra aqueles que perseguia.
O desperdício de ser parte não mais me satisfaz Então, deixe-me ser esse inteiro por essa noite e quem sabe, metade nunca mais
niterói.rj | 2011
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247
Um Segundo Agora
Enfim, Entre o quarto e a porta Seus olhos refletidos no espelho E uma segurança amarga na boca
Os sonhos sangram cores derramadas pelo chão Um segundo a mais
E vi que não era tão forte Pois o amor não venceu É o que ficou Por um segundo agora
niterói.rj | 2011
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38
Laços Fortes
Mudei a mesa de lugar Arrumei um bom disco Já pus na vitrola pra tocar Mas ainda não sei como desatar esses laços
Esses laços fortes, seus abraços Talvez tão forte que nunca consiga me soltar Mesmo que as cartas mortas Não tenham mais os cheiros das rosas cor de rosas
Equilíbrio ainda se tem Mas as plantas do jardim não são as mesmas E as paredes não têm a mesma cor Nem a tenda da sala, estendida que você criou
Não quero apenas o desapego dos teus desejos Pois sabes que és a pessoa especial Foi a sorte de se ter o que se tem Acomodado bem apertado, No acalanto forte dos Teus braços
Ah, e assa vagarosa ansiedade De mãos dadas com sua sutil lembrança Enroscam-se pelos dias que se findam, Insistindo em se renovar a cada descuido do nascer do sol Em outros desenlaces, descortinados em frágeis lampejos de alegria
Mudei já a mesa de lugar Arrumei um bom disco Já pus na vitrola pra tocar Mas ainda não sei como desatar esses laços Esses laços fortes, seus abraços Talvez tão forte que nunca consiga me soltar Mesmo que as cartas mortas Não tenha mais os cheiros das rosas, que você deixou...
salvador.ba | 2012
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234
Despida
Apenas mais uma entre vós, conseguirá encantar o encantador Apertar os laços no abraço, na busca incontida do amor As vozes que clamam, os olhos que amam, em tensa rubra retina O gozo, riso de menina Simples contentar nessa rotina Esquece-se do véu em branco linho fino cortado Que como nuvem pelo céu se espalha Nas noites que brinca escondida recebendo apenas migalha Mero espelho, imagem refletida Pois não acredita, no límpido vestido que usa Que de tão sujo por outras, O tempo, despida a deixou.
niterói.rj | 2011
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239
Itapuã
Ah, essa preguiça que dorme comigo, dando corda ao despertador, Insiste em tocar antes das seis, provocando me acordar. Carrega-me nos braços, fazendo minhas pernas correrem atrás dos sapatos. Meus sonhos dão lugar, à procura do terno jogado canto qualquer, Nesse instante, aquela inveja me invade, A inveja do velho poeta JORGE AMADO pés descalços, á sombra, coqueiro, na rede Olhando ao largo as águas claras do mar azul, de areia branca, alva, como a alma Em um paraíso chamado Itapuã.
niterói.rj | 2009
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60
Origens
As folhas secas que caem, não sabem se presenciam ou são presenciadas E com toda intensidade de meu peito não consigo saber. As lembranças. As origens. O canto dos pássaros, o sol refletindo os olhos de Deus. A feira armada na rua, barracas apertadas Como resgatar fosse todas as lembranças solitárias, solidárias. O cheiro de mato, O sereno, que nas folhas formava um lençol. Será que é por Ela, a lembrança, que tem asas e voa através do vento? Será que é por Ela, que voa contrariando o tempo? E o campo de flores não plantadas, no caminho, Refém da Saudade, Talvez... Quem sabe o dia anterior da partida E a praça que se abria como se sala fosse, para mostrar uma tv sem cor... Salas generosas que faziam passar os dias, Salas sem piso que no chão sumiam com as horas, e acabava na seresta de uma varanda qualquer são as origens, minha terra de ti, que não consigo esquecer.
niterói.rj | 2008
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225
Herança
Carrego um jeito Uma esperança que não me atrapalha Uma herança que me trava, mas não falha
Minha fala pode dizer não Mais aqui dentro o que posso ouvir? Há sempre o agora que insiste em existir levo comigo, o que a voz não pode traduzir Isso não é um presente, para se agradar É pesado como uma rocha, para se carregar Espero, tenhas guardado as rosas, como fotografias,
Tenha guardado as coisas, que a voz não pode dizer, que a voz não pode contar Essa é a herança A quem tanto soube querer A quem tanto soube amar
(Cada coisa é bem vinda no seu devido lugar)
niterói-rj | 2011
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194
Sobreviver
Acreditou na estória E Quis ficar ao meu lado Só para escapar da sua prisão Seus olhos não conseguem esconder Só para sobreviver Como criança está aqui Querendo atenção ao anoitecer E Não há nada que a faça mudar de ideia E acredita na estória Que da guerra, a paz é seus braços, Acredita
Quis ficar ao meu lado Só para sobreviver E não há nada que a faça mudar de ideia E não há nada que a faça mudar de ideia
E o que lhe dou é a recompensa que EU esperava receber Para escapar da minha prisão Pois me lembro Não consigo esquecer Só Para sobreviver
E não há nada que a faça mudar de ideia E não há nada que a faça mudar de ideia Só Para sobreviver