Rinaldo santo

Rinaldo santo

n. 1971 BR BR

n. 1971-03-28, Moreno

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Noite Que Chama

Sinto o frio
Pois a noite chegou
Sinto a dor, pois o amor acabou,
Sinto nada, pois nada há para existir,
Sinto o medo, pois a solidão é de mim.
Sinto o ardor
Pois você não está aqui
E o que tenho agora se não for o sentir?
Sinto a falta,
da alma,
da calma,
da cama,
Pois só resta a noite que chama.

niterói.rj | 2009

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Poemas

10

Alma

De onde alma vieste?
Por onde não te busquei
Achara-te no caminho tão só
Quanto a mim encontrei

Perdida no mundo tão negro,
Criado em rica ilusão
Contida em tua pureza
Reprimida na tua emoção

Os ventos guiaram o tempo
Sem saber aonde irás
Remoendo os desalentos
Olhando os pobres mortais

Observa a tristeza,
da humana natureza voraz
No caos de sua insana ganância
Saciando seu egoísmo sagaz

Vestida com pés descalços
No silêncio da sensatez
Necessitas de um caminho claro,
Que a morte da virtude desfez

Donde alma achas-te,
Esse orbe querer habitar?
Onde rude costume cultivam,
Desprezando uma vida honrar.

Carregas uma esperança no peito
Que o desgosto não consegue despir
Herdas dos nobres espíritos
Esse jeito distinto a seguir

A Longa planície é árdua
A quem tenta os outros comprar
Quem sabe um pouco mais tenro
Aquele que deixa o coração lhe guiar

Já vistes o pôr do sol, no alto da montanha se abrir
Nos mares, a solidão sorrindo,
nos braços de quem se viu partir

Já viste a noite secar, na espera da consciência.
A amargura tendo filhos, em sua descendência

Viste portas de lares fechadas
Para vidas inteiras roubar
Ideias, frágeis de um novo rumo
Amante do tédio vulgar

Culpa em cada um é tida
Na Teima em desviar da estrada,
como se o torvo fosse conquista,
para uma alma desencontrada

A ermo, então, segues como arauto
Lendo o livro escrito a mão
Elevando os olhos ao alto
Aceitando a salvação

Recitando pelos lugares
Os versos escolhidos do não mentir
Alheio a gozos vulgares
Atento para chamada
Com olhos fitando ao subir.

niterói.rj | 2011

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257

Arte Completa

Abro os olhos e inteiro,
enxergo o que mais quero
Rósea flor rubra menina
Inerte e inapto, incapaz me desviar de tua retina
Escravo, nato amar-te é minha sina

Raciocínio lento que agrava
Enquanto tento me sustentar
Macios lábios, teus, me afundar
Gota saliva, escorrendo entre os dedos
bicos doces salivar,
umbigo faminto tocar,
coxas, curvas
Arte completa, admirar
por enfim, em teus pulmões respirar.

salvador.ba | 2012

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250

Inteiro

Deixe-me ser esse inteiro
Aquele, a quem amam não me serve mais
O rosto que a máscara cobria
não é o mesmo que o espelho me trás
Talvez um pouco mais forte
talvez e nada mais
Só me deixe ser inteiro
Pois metade não me cabe mais
Talvez um novo estranho
pra aqueles que conhecia
talvez um novo amigo
Pra aqueles que perseguia.

O desperdício de ser parte
não mais me satisfaz
Então, deixe-me ser esse inteiro por essa noite
e quem sabe, metade nunca mais

niterói.rj | 2011

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247

Um Segundo Agora

Enfim,
Entre o quarto e a porta
Seus olhos refletidos no espelho
E uma segurança amarga na boca

Os sonhos sangram
cores derramadas pelo chão
Um segundo a mais

E vi que não era tão forte
Pois o amor não venceu
É o que ficou
Por um segundo agora

niterói.rj | 2011

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38

Laços Fortes

Mudei a mesa de lugar
Arrumei um bom disco
Já pus na vitrola pra tocar
Mas ainda não sei como desatar esses laços

Esses laços fortes, seus abraços
Talvez tão forte que nunca consiga me soltar
Mesmo que as cartas mortas
Não tenham mais os cheiros das rosas cor de rosas

Equilíbrio ainda se tem
Mas as plantas do jardim não são as mesmas
E as paredes não têm a mesma cor
Nem a tenda da sala, estendida que você criou

Não quero apenas o desapego dos teus desejos
Pois sabes que és a pessoa especial
Foi a sorte de se ter o que se tem
Acomodado bem apertado,
No acalanto forte dos Teus braços

Ah, e assa vagarosa ansiedade
De mãos dadas com sua sutil lembrança
Enroscam-se pelos dias que se findam,
Insistindo em se renovar a cada descuido do nascer do sol
Em outros desenlaces,
descortinados em frágeis lampejos de alegria

Mudei já a mesa de lugar
Arrumei um bom disco
Já pus na vitrola pra tocar
Mas ainda não sei como desatar esses laços
Esses laços fortes, seus abraços
Talvez tão forte que nunca consiga me soltar
Mesmo que as cartas mortas
Não tenha mais os cheiros das rosas, que você deixou...

salvador.ba | 2012

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234

Despida

Apenas mais uma entre vós, conseguirá encantar o encantador
Apertar os laços no abraço, na busca incontida do amor
As vozes que clamam, os olhos que amam, em tensa rubra retina
O gozo, riso de menina
Simples contentar nessa rotina
Esquece-se do véu em branco linho fino cortado
Que como nuvem pelo céu se espalha
Nas noites que brinca escondida
recebendo apenas migalha
Mero espelho, imagem refletida
Pois não acredita,
no límpido vestido que usa
Que de tão sujo por outras,
O tempo, despida a deixou.

niterói.rj | 2011

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239

Itapuã

Ah, essa preguiça que dorme comigo,
dando corda ao despertador,
Insiste em tocar antes das seis,
provocando me acordar.
Carrega-me nos braços,
fazendo minhas pernas correrem atrás dos sapatos.
Meus sonhos dão lugar,
à procura do terno jogado canto qualquer,
Nesse instante, aquela inveja me invade,
A inveja do velho poeta JORGE AMADO
pés descalços,
á sombra, coqueiro, na rede
Olhando ao largo as águas claras do mar azul,
de areia branca, alva, como a alma
Em um paraíso chamado Itapuã.

niterói.rj | 2009

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60

Origens

As folhas secas que caem, não sabem se presenciam ou são presenciadas
E com toda intensidade de meu peito não consigo saber.
As lembranças.
As origens.
O canto dos pássaros, o sol refletindo os olhos de Deus.
A feira armada na rua, barracas apertadas
Como resgatar fosse todas as lembranças solitárias, solidárias.
O cheiro de mato,
O sereno, que nas folhas formava um lençol.
Será que é por Ela, a lembrança, que tem asas e voa através do vento?
Será que é por Ela, que voa contrariando o tempo?
E o campo de flores não plantadas, no caminho,
Refém da Saudade, Talvez...
Quem sabe o dia anterior da partida
E a praça que se abria como se sala fosse, para mostrar uma tv sem cor...
Salas generosas que faziam passar os dias,
Salas sem piso que no chão sumiam com as horas, e acabava na seresta de uma varanda qualquer
são as origens, minha terra de ti, que não consigo esquecer.

niterói.rj | 2008

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225

Herança

Carrego um jeito
Uma esperança que não me atrapalha
Uma herança que me trava, mas não falha

Minha fala pode dizer não
Mais aqui dentro o que posso ouvir?
Há sempre o agora que insiste em existir
levo comigo, o que a voz não pode traduzir
Isso não é um presente,
para se agradar
É pesado como uma rocha,
para se carregar
Espero, tenhas guardado as rosas,
como fotografias,

Tenha guardado as coisas,
que a voz não pode dizer,
que a voz não pode contar
Essa é a herança
A quem tanto soube querer
A quem tanto soube amar

(Cada coisa é bem vinda no seu devido lugar)

niterói-rj | 2011

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194

Sobreviver

Acreditou na estória
E Quis ficar ao meu lado
Só para escapar da sua prisão
Seus olhos não conseguem esconder
Só para sobreviver
Como criança está aqui
Querendo atenção ao anoitecer
E Não há nada que a faça mudar de ideia
E acredita na estória
Que da guerra, a paz é seus braços,
Acredita

Quis ficar ao meu lado
Só para sobreviver
E não há nada que a faça mudar de ideia
E não há nada que a faça mudar de ideia

E o que lhe dou
é a recompensa que EU esperava receber
Para escapar da minha prisão
Pois me lembro
Não consigo esquecer
Só Para sobreviver

E não há nada que a faça mudar de ideia
E não há nada que a faça mudar de ideia
Só Para sobreviver

são gonçalo.rj | 2009

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241

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