robcar_1948

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Professor, aposentado, escritor e poeta

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O canto que devemos cantar

Somos todos, somos muitos, somos um,
tão parecidos, tão diferentes.
Muito nos aproxima de outros;
contudo, tão distintos.

Novos, praticamente as mesmas brincadeiras, a mesma curiosidade,
a mesma necessidade da descoberta do corpo;
mais tarde, tão diferentes.
Cada um tem e leva sua marca.

Única é a roupagem do tigre entre tantos, 
únicas são as listas da zebra entre muitas,
as manchas da girafa entre outras,
as marcas de nossos dedos entre todos.

Cada um com sua voz, seu jeito, seu canto
Todos os cantos, ao final, nos chamam para um só lugar.

Doce o canto do uirapuru, feliz de quem o escutou.
Triste é o canto do pavão e sentiu quem esteve só.
Meigo e forte é o canto das baleias e parou quem ouviu.
Todos tem seu canto único como o canto do sabiá-laranjeira. 

Mas de todos os cantos, só um tem um canto especial.
Nada é mais forte, mais sonoro, mais doce que este canto cheio de vontades, de amores e dores.
Nenhum canto chora a vida como ele, nenhum canto eleva a força como este.
De todos os cantos, só este faz sentido para humanizar.

Este é o canto dos homens.
Este é o canto que devemos cantar.
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Poemas

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Aritmética Simples

A chuva é criança
O mar é velho
é a soma
de todas as nossas infâncias
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Pássaro estranho

Trago em mim
Noites gordas de todos os homens
Como pássaro morto
De voos noturnos.

Há muito tento dar vida
A este pássaro estranho,
Na melodia surda e rouca
De meus cigarros sonâmbulos.

Mas em vão! Em  vão!

As águias famintas
Arrancaram meus olhos de sonhos
E todas as noites faço este voo
Sem árvore para descansar.

Chove lá fora!
O céu está chorando
Por todos os pássaros mortos.
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