Robson Lins

Robson Lins

n. 1990 BR BR

Nasci e me criei no sertão paraibano, nordestino, crítico, compositor, blogueiro e escritor. Porém dessas citações nenhuma é minha profissão. A literatura disperta o auto conhecimento, a imaginação, o ser que está adormecido dentro de nós e é isso que buscos nos textos que leio e escrevo.

n. 1990-05-01, Cajazeiras - PB

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Setembro Despedaçado

Mais um dia na cidade grande, muita gente passando fome
A correria como sempre começa
Num cotidiano sempre com pressa.
Apesar da alegria de ser promovido,
Não presto atenção no mundo onde vivo,
Que mais uma vez passa despercebido.

Tento admirar o que a natureza tem a dar,
Porque esse barulho não dá pra aguentar,
Nessa selva de pedras não se vive,
Um exemplo é aquela criança triste,
Que com fome de um banco assiste,
A fome d'outra criança triste.

Apesar de toda essa modernidade,
As florestas são derrubadas com extrema crueldade,
Só para construir mais outra cidade.
Já está tudo preparado, os soldados estão armados,
E clamam com gritos e cartazes
A sobrevivência do mundo selvagem.

Estou atrasado, apresso o carro,
Depois de meia hora vejo
O congestionamento é um pesadelo,
Enquanto do outro lado da rua,
Um assaltante em plena fuga,
Foge da polícia arrancando os cabelos.

Súbito, ouço um grande estrondo,
Pessoas gemendo, pessoas chorando
A nuvem invade avenida,
Uns correm, outros gritam
As gêmeas não são mais as mesmas,
Ninguém consegue ver as suas belezas.

Ela vem, e vem tinhosa,
E adora ser gulosa.
Pega-me pela garganta e levanta
Vê se me solta coisa insana,
Hoje, tu não me terás,
Que tu queres, satanás?

Outro estrondo ocorre
Tento correr, mostrar que sou forte.
Tropeço e caio no chão,
Vejo sangue em minhas mãos,
E ao olhar pro lado, fiquei paralisado.
Eram corpos espalhados.

Escapei da morte uma vez,
No sei se posso fazer outra vez
Cai sobre mim mais um corpo
Penso, quem será esse louco?
Que faz de nós um brinquedo
E da vida um pesadelo.

O centro do globo agora é outro,
O mundo parou, viu,
E só um homem sorriu.
E eu compartilhando para o ser espetáculo
Só mais um corpo a ser contado,
Meu coração está quebrado.

Vi cair a outra gêmea,
E senti uma dor suprema
Que me esganava por dentro.
O pó faz mais vítimas,
Ali, duas crianças perdidas
Que por sorte ainda estão vivas.

As trevas vêm se espalhando
Essa dor já não estou aguentando,
Me falta ar pra respirar
Me falta forças pra lutar
Mesmo que eu consiga sair,
Nunca mais esquecerei daqui.

Abro os olhos, estou no hospital,
Lá fora canta um lindo coral
Eu sinto que não estou normal.
Tento me levantar, mas não consigo,
Não tenho pernas, estou perdido
E descubro que meus filhos, não estão mais vivos.

Bate-me uma dor enorme,
Ainda sofre Nova York,
Pela a perda dos seus filhos.
Dois prédios despedaçados
Nessa cidade um grande buraco,
que só lembra terror e dor.

Um homem está sendo caçado,
Querem-no morto, vivo ou enterrado,
Por que ele é o culpado
Daquele ataque inesperado
Na cidade onde vivo,
E não é justo, que ele esteja sorrindo.

A lamentação é tanta,
Perdemos nossas crianças,
E ainda sofremos com as lembranças.
Os heróis que sobreviveram
Hoje morrem de desespero,
E de doença do pó negro.
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Biografia
Nasci e me criei no sertão paraibano, nordestino, crítico, compositor, blogueiro e escritor. Porém dessas citações nenhuma é minha profissão, sou técnico em informática e procuro cursar ciências da computação. A literatura disperta o auto conhecimento, a imaginação, o ser que está adormecido dentro de nós e é isso que buscos nos textos que leio e escrevo, pois não existe liberdade maior que um papel em branco.

Poemas

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Setembro Despedaçado

Mais um dia na cidade grande, muita gente passando fome
A correria como sempre começa
Num cotidiano sempre com pressa.
Apesar da alegria de ser promovido,
Não presto atenção no mundo onde vivo,
Que mais uma vez passa despercebido.

Tento admirar o que a natureza tem a dar,
Porque esse barulho não dá pra aguentar,
Nessa selva de pedras não se vive,
Um exemplo é aquela criança triste,
Que com fome de um banco assiste,
A fome d'outra criança triste.

Apesar de toda essa modernidade,
As florestas são derrubadas com extrema crueldade,
Só para construir mais outra cidade.
Já está tudo preparado, os soldados estão armados,
E clamam com gritos e cartazes
A sobrevivência do mundo selvagem.

Estou atrasado, apresso o carro,
Depois de meia hora vejo
O congestionamento é um pesadelo,
Enquanto do outro lado da rua,
Um assaltante em plena fuga,
Foge da polícia arrancando os cabelos.

Súbito, ouço um grande estrondo,
Pessoas gemendo, pessoas chorando
A nuvem invade avenida,
Uns correm, outros gritam
As gêmeas não são mais as mesmas,
Ninguém consegue ver as suas belezas.

Ela vem, e vem tinhosa,
E adora ser gulosa.
Pega-me pela garganta e levanta
Vê se me solta coisa insana,
Hoje, tu não me terás,
Que tu queres, satanás?

Outro estrondo ocorre
Tento correr, mostrar que sou forte.
Tropeço e caio no chão,
Vejo sangue em minhas mãos,
E ao olhar pro lado, fiquei paralisado.
Eram corpos espalhados.

Escapei da morte uma vez,
No sei se posso fazer outra vez
Cai sobre mim mais um corpo
Penso, quem será esse louco?
Que faz de nós um brinquedo
E da vida um pesadelo.

O centro do globo agora é outro,
O mundo parou, viu,
E só um homem sorriu.
E eu compartilhando para o ser espetáculo
Só mais um corpo a ser contado,
Meu coração está quebrado.

Vi cair a outra gêmea,
E senti uma dor suprema
Que me esganava por dentro.
O pó faz mais vítimas,
Ali, duas crianças perdidas
Que por sorte ainda estão vivas.

As trevas vêm se espalhando
Essa dor já não estou aguentando,
Me falta ar pra respirar
Me falta forças pra lutar
Mesmo que eu consiga sair,
Nunca mais esquecerei daqui.

Abro os olhos, estou no hospital,
Lá fora canta um lindo coral
Eu sinto que não estou normal.
Tento me levantar, mas não consigo,
Não tenho pernas, estou perdido
E descubro que meus filhos, não estão mais vivos.

Bate-me uma dor enorme,
Ainda sofre Nova York,
Pela a perda dos seus filhos.
Dois prédios despedaçados
Nessa cidade um grande buraco,
que só lembra terror e dor.

Um homem está sendo caçado,
Querem-no morto, vivo ou enterrado,
Por que ele é o culpado
Daquele ataque inesperado
Na cidade onde vivo,
E não é justo, que ele esteja sorrindo.

A lamentação é tanta,
Perdemos nossas crianças,
E ainda sofremos com as lembranças.
Os heróis que sobreviveram
Hoje morrem de desespero,
E de doença do pó negro.
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Traição

Ela junta de um lado e separa de outro
Inicia uma alegria passageira e uma dor permanente
Enlouquece e liberta nossos desejos mais absurdos
Nos maltrata e nos tortura
Nas escuras e as escondidas
é quente, mas um quente bom
Suada e suave
Muitas vezes ousada e sem vergonha
Nos fere, mas o prazer fala mais alto
Quem disse que nos importamos com alguém nesse momento?
A consciência nega
O corpo afirma
A roupa cai e o resto agita
No fim o amanhã voltará ser o mesmo dia
Mas detesto dias iguais.
587

Épico Amor

É o voo do amor que contem o furacão
É o fogo da paixão que acalma o coração,
São as belas donzelas em meio ao luar
Que dá forças aos cavaleiros para lutar

Mas a mesma donzela morte pode causar
Quando chega à dor da despedida
Espadas e lanças se travam,
Os reis lutam, em meio a escravos

Não existe diferença entre os burgos e a plebe
Só existe a batalha e sangue na pele,
Cabeças rolam, lágrimas não adiantam
É fogo, é dor, lamento e pranto

Nem os versos mais belos
De um bardo pode explicar
O que é ou como é
A força de amar.
589

Desejo Melancólico

Ainda que eu caia do mais alto abismo,
Ainda que eu me entregue ao mais cruel dos inimigos,
Ainda que eu morra sem abrir um sorriso,
Lembrarei-me de te e do teu lindo vestido.

Aquele que eu amarrotei nas noites de lua cheia,
Aquele que tu desfilavas, eu dizia, minha sereia,
Aquele que tu me traíste apenas por riqueza,
Eu sempre lembrarei do vestido com a mancha vermelha.

Naquela noite eu estava desesperado
Foi quando descobri a sua traição,
Que eu fiquei melancólico e angustiado
Que eu reagi com o coração,
E açoitei-me, querendo ter-te do meu lado.

Não foi vingança alguma posso garantir,
Foi um desejo louco e inteiramente descontrolado
Armei-me de uma faca pra te atingir
Cortei tua garganta e olhei tua morte sentado
E atiei fogo no teu corpo antes de sair.

Hoje guardo teu vestido de lembrança
Teu sangue escorrendo, vejo nele
Tua face queimando é uma imagem bela,
Ainda procuro uma paixão daquela
Desejando obsecadamente a melancolia
Realizando o desejo de matar, é o que eu queria.
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