ndugcts . 075
cansado
da cidade
dos carros
das luzes
das pessoas
do barulho
sem saber
para onde ir
que caminho percorrer
por agora
só tenho a opção
de apenas ser
rui serra nasceu em novembro de 1972, data em que a unesco comemorou o “ano internacional do livro”. cresceu e sempre viveu no alentejo e, como o próprio diz: “sou alentejano de alma e coração, um ser emocional, que vagueia pelo infinito do imaginário.
n. 1972-11-19, Serpa
Sayyid tentava, no meio de algum esforço, ver o seu corpo no pequeno espelho que estava pendurado na casa de banho do Hércules C-130. A sua estatura, elevada, dificultava a tarefa, no entanto Sayyid conseguia vislumbrar o quão magro estava. O corpo esguio e a barba grande, faziam-no aparentar ter uns cinquentas e poucos anos, embora só completasse os quarenta no próximo ano. Afastou-se para se poder ver melhor, parando apenas quando embateu de costas na porta da casa de banho. Estava na última, pensava para consigo. Tinha sido resgatado no limiar das suas forças, e agradecia a Deus por isso. Deu dois passos e inclinou a cabeça. Os olhos castanhos estavam cansados do sofrimento dos últimos dias e as marcas negras eram disso a prova viva. As sobrancelhas, ou o que restava delas, estavam em concordância com a barba "desarrumada" e que já deixava antever uns quantos cabelos grisalhos. Sayyid pensava no que o seu pai lhe havia dito: "estuda meu filho, estuda, que o teu futuro são os estudos". E foram os estudos, a educação, o estatuto da família, que o levaram a onde se encontrava agora. Tantas competências, tantos sonhos e ambições para agora estar neste sofrimento. Sayyid sentia a alma feita em bocados e apenas pensava, o que pode uma prisão fazer a um homem!
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