Entre Delírios e Devaneios
Subindo a escarpa
Da realidade
Entre folhas e capas
Da minha insanidade.
Esse silêncio desfavorável
Roubou-me um grito
E quase foi junto
Minha vida e liberdade.
Essa insanidade temporária
Restaurar-se a cada dez minutos
Agora cansei de ser tantos, muitos.
Fujo de mim mesmo
Minha insônia me serve
Poesias por debaixo
Da porta.
Adultério
Sendo pedra a poesia
Vou afiando minha rima
Navalhando tua falta
Que me preenche por inteiro.
Tendo como inimiga
A eterna morte e a breve vida
Vou me camuflando
E habitando outro mundo.
Tendo a poesia na minha cama
Mas sendo pedra a poesia
Vou adulterando
Por agora outra sussurra no meu ouvido.
Pamela
Era
Colóquios
Ontem à noite
Era
Passos
Ontem à noite
Era
Realidade
Ontem à noite
Era
Curvas
Ontem à noite
Era
Tantas e única
Ontem à noite.
Elza (Solipoesia)
Então
Ela me veio
Com um olhar sólido
Um sorriso curto
Uma estória louca.
Minha poesia correu mundos
Procurou rimas e rumos
Voltou com pedidos de desculpas.
Então
Você me veio
Com suas roupas soltas
Com seu corpo pequeno
E de sapatos baixos
Me trazia o sorriso
A paz.
Então
Você me veio
Com seus cabelos soltos
Seu olhar sólido
Habitou meu corpo
Realizou meus sonhos
Me deu o que eu não tinha
E era pouco.
Acho que morri!
Enquanto
O mundo gira
Não sinto
A ansiedade
Nem o medo
Que me destroçava
Até ontem.
Não estou
Naquele mundo
Onde todos
Se conectam
Para vencer e ser vencido.
Acho que morri!
E uma parte
Do mundo mora
E morre em mim.
Mariana
O mar
Do teu nome
Já não rima
Com o par
Dos teus olhos.
Talvez seja arte
Talvez seja arte
Morrer assim
Beijar tua boca
Se sentir assim.
Talvez seja arte
Sentir teu perfume
Talvez seja arte
Morrer ao teu lado
Sem sentir ciúme.
Talvez seja arte
Dar mais um passo e cair.
Arte da mais perfeita solidão.
Talvez seja fácil
Nascer em teus braços
Acariciar teu peito escasso.
Talvez seja fácil
Ouvir tua voz, num som curioso
Que não posso tocar
Com o amor do meu peito.
Talvez seja fácil
Olhar meus passos
E sair.
Talvez seja fácil
Beijar te a face
Ser poeta e crê na arte.
Eudes / Washington / J. Veloso
1994
Poema de Despedida
Deixei uma folha em branco
Para contar o que restou de nós.
Conclusão
Estou cansado
Do teu rosto
Do teu gosto
Do teu jeito
Dos teus feitos.
Estou farto
Dos teus mormaços
Dos cansaços
Dos teus traços
Dos teus abraços.
Estou indignado
Com tuas brigas
Com tuas amigas
Com tuas saídas
Tuas intrigas.
Estou louco
E rouco
Por te amar tanto
E tão pouco.
Eu marasmo
Minha vida
Resume-se
Em cinco inspirações,
Em alguns
Aperto de mãos
E quatro olhares.
Minha vida
Resume-se
Em três beijos,
Em seis sonetos
Que não fiz,
E algo mais
Que inspirações.
Minha vida
Resume-se
Em um sorriso pálido,
Em um olhar sólido,
E dez gritos
Na multidão.
Minha vida
Resume-se
Em uma foto
Três por quatro,
Alguns beijos
E sete abraços.
Minha vida
Resume-se
Em mil marasmos
E um orgasmo.
2001