Saul Leiva

Saul Leiva

n. 1997 BR BR

Creio que ao escrever, deixamos impresso um pouco de nós, cada palavra, um pouco de experiencias, sentimentos ou dúvidas. Objetivo da arte, ademais de expressão, é a conexão, sermos um pouco menos estranhos um pro outro. Se quiser conversar, estarei aqui.

n. 1997-06-04, Ponta Porã-MS

Perfil
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Verdes olhos

Acordando, minha alvorada surge esverdeada

Quando de manha se encontram nossos olhares

Que alegria te rever minha amada

Sonolento, vejo esmeraldas em pares,

Nem preciso que o sol apareça

Pois todo brilho tenho do lado

Grato por como o dia começa

Incrível, outra vez apaixonado,

Somos imãs e o metal a cama

Os três, a melhor mistura

Que bela sois em seu pijama

Figura de intensa ternura,

Alarme toca, hora de levantar

Mas adiamos o despertar

Mais cinco minutos decretamos

Abraçados voltamos a sonhar,

O que mais poderia sonhar ao teu lado?

Teu olhar impregnado na minha mente

Sou ciente que ate no inconsciente

Que meu amor por você é demasiado,

Vejo-te como rainha, e não em sentido figurado

Por isso, estou juntando as pedras pro castelo

Queria ser arquiteto ,não sei nem o modelo

Mas é singelo querida, e com muito anelo.

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Poemas

5

Arrastando âncoras

Voltando pra casa, vigiado pela lua

Com peso nas costas, áspera rua

Levando o dia todo no bolso

Recaídas, flashbacks insólitos,

 

Meus problemas dispersos na sórdida terra

Arrastando âncoras por cima, no meio da guerra

“guerra interna” digo, dentro o verdadeiro conflito

Em criar devaneio e hesitação, sou um total perito,

 

Corto-me com o gume da própria espada

Todos os problemas viram pedras pesadas

Vejo-me moribundo e sujo

Morte lenta ouperecimento súbito,

 

Dançando pra não cair em cacos espectrais

Depositando felicidade em terceiros desleais

Ademais, ironias essenciais, farsas colossais

Mascaras dos falsos engrossam cada vez mais,

 

Queimarei tudo e todos, dentro de casa

Pois aqui os acumulo. Lembras das ancoras?

Mais que metáforas, matarei todos em massa

No final, não serão mais que míseras brasas.

364

Pretérito decomposto

Quando você a observa de frente

mas não física, nem literalmente

E nada do que você faça

Impossível tira-la da sua mente,

Os lugares onde passávamos o tempo

Onde procrastinávamos no entretempo

Lembra do nosso principal passatempo?

O amor, primeiro, frente a qualquer contratempo,

Verdadeiro sou, ao dizer que não me entristeço

Pra alguns um fim, para nós, um começo

Dizem que na vida isso é um tropeço

Mas amadurece, a dor, é só o preço,

Como diria Cartola, "que sejas bem feliz"

Sei que serás, tua luz sempre afastou o "infeliz"

Neste tempo, te digo, meu caminho já refiz

Pelo menos, não haverá gente cuidando nosso nariz,

Com você, meu dicionário ganhou palavras

Umas literais, outras, metáforas

Agora sem , aprendeu outras mais severas

Revelando-me que as literais, eram efêmeras,

Sejas bem feliz, independente de desamores quaisquer

Beijos e abraços, quem sabe um dia nos volvamos a ver.

361

Psico dispersão

O que escrever?, como te prender?

Qual idéia é necessária defender?

Procuramos nos distrair cada minuto

Divagação alienada, desvio absoluto,

Pessoas, objetos, músicas, dinheiro e drogas

Pensas que matas tédio?, apenas o negas

Consegues ficar sozinho, fazendo monólogo

Sem platéia, sei que teu circo vai pegar fogo,

Rodeado de ruído, para não se escutar

Voz da consciência, prefere não afrontar

Pois não se aguenta

Também, alma marrenta,

Fugindo da própria sombra

Mas como escapar de si?

Nossa vida, eterna penumbra

escondendo-se com frenesi,

Sois feliz na sua companhia?

"estar sozinho ou ser feliz?"

era a única decisão que você possuía?

Isso, Acabou sendo escolha de Sophia,

Gostas do que vês no espelho?

Sentes bem teu espírito velho?

Não sois completo, nem minimamente meio

Questionador tipo apanhador no campo de centeio,

Vida turbulenta, lidando com depressão e psicose

todo dia e noite, faz com que a confiança necrose

quer uma mão amiga?, esta perto do seu antebraço

se a encontrares, terás a resiliência forte como aço,

Tentas escapar como Alice

Tudo para evitar uma crise

Toca do coelho é seu refugio sagrado

Mas sem chapeleiro, rainhas ou gato,

Não escondas a sua sombra, para mais a noite

Porque infelizmente, é quando fica mais forte.



HENRIQUE SAUL LEIVA SALDIVAR
388

Para Nala

Sentes como está tudo diferente, esquisito, inusitado?

Atrás das cortinas, não mais sentimento dissimulado

Sei que assim será por um tempo

Pra recuperar toda aquela confiança, estou atrasado,

Dor no peito lembrar de toda lágrima derramada

Deixa minha alma e sanidade bem desgraçada

Enxergo que possa parecer conversa fiada

Como disse, confiança atenuada, por verdade a ti mostrada,

Verdade minha, que te revelou, não fui suficiente

Que nas ruas da cidade de mentiras, fui indigente

Do ponto de ser um bom par, meu caminho foi divergente

Consciência me xingando, eu mudo, "quem cala consente",

(Levando-nos a um desmoronamento iminente)

Nesse tempo, senti, "dizer a verdade" nunca me ajudaria

Isso, aos poucos extorquiu do nosso mar a calmaria

"O reflexo vira matéria", incrível (puta) teoria

Toda nossa histeria na alegria, fez-se uma total disforia,

Segunda chance dada, juro, não será desperdiçada

"Juro", olha só, que palavra engraçada

Saindo da minha boca, pra você continua válida?

Toda "verdade" agora dita é pálida, nada cálida,

Com fogo destruí a Mona Lisa

Manchei as palavras da profetisa

Fiz Atena ficar indecisa

Espero ter uma linguagem concisa,

Afundei os barcos de Cristóvão e Gama

Todo ouro conquistado virou lama

Comédia romântica, transformei em drama

De biblioteca, virou fliperama,

Céus, pra que tanta referência?

Não sei se entendes o que digo

De todo erro cometido

O pior, foi feito contigo,

Erro que nunca será apagado

Não quero parecer um coitado

De tudo que passamos, deixei cinismo

Cartola, tarde demais, beira de abismo,

Sou sincero, espero que dê certo

Cada um atravessando seu decerto

Se no final, continuar ou afastar

Tudo no fim, irá nos lapidar,

Fiz de mim, de nós, Alcatraz

Privando-me da própria paz

A felicidade diante minha, em cartaz

Mas de perceber isso, fui incapaz.

404

Cortejo pra madrugada

O que você procura na madrugada?

Acompanhando a sua fiel insônia

Atormentado por uma idéia frustrada

Alter ego maldito, duvida desgraçada,

O que queremos?, se nos drogamos de distrações

Cortando as verdadeiras emoções nas relações

Livrar-se de sentimentos, para evitar todos os possíveis lamentos

Decorremos fragmentos, de "autenticidade" tornamo-nos sedentos,

A verdade que deslembramos e enterramos com areia fútil

Matando-a com fuzil, carregada e que atira coisa inútil

Todo dia é primeiro de Abril, todos se mentem a mil

Também a si mesmos, um tipo de suicídio mental sutil,

Todos com amor, amizade e confiança sempre relativos

E ainda com educação, respeito e tolerância inativos

Em lugar de cuidar dos outros, resultastes esmeril

Podias ser contra dores, doril, mas chegastes a ser febril,

Sei que dizer verdades, nem sempre vem te ajudado

Mas se a pessoa que amas, descobrir que mentistes

Pensas que depois disso, continuaras sendo amado?

De todos os defeitos, mentiroso, o mais difícil de ser perdoado.


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