sebastiao_xirimbimbi

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Tudo Que Eu Quero

Tudo que eu quero é lembrar sempre de agradecer a Deus pelas inúmeras bençãos recebidas,  
Pelo deitar e levantar, pelo fôlego de vida.

Tudo que eu quero é tentar ser feliz, 
E contribuir para o sucesso do meu país.

Tudo que eu quero é sorrir a cada Segundo, cada minuto, cada momento, 
E a cada batimento do meu coração;
Amar verdadeiramente e com intenção;
Intensamente sentir e viver cada emoção.

Tudo que eu quero é tentar ser um bom filho;
um bom irmão, um bom neto, um bom primo;
um bom tio, um bom sobrinho, um bom marido;
um bom cunhado, um bom vizinho, um bom amigo;
um bom estudante, um bom educador, um bom conhecido;
um bom colega, um bom funcionário, um bom chefe, um bom desconhecido;

Tudo que eu quero é ser um bom homem, um bom ser humano!

Tudo que eu quero é aprender mais e mais a Amar e a espalhar o Amor! 
Ser forte e firme em cada momento de dor!

Tudo que eu quero é tentar ser uma boa pessoa!
Que me julgue quem quiser me julgar, eu estou tentando viver da forma mais certa possível, eu não sou perfeito eu sou um simples errante tentando ser o melhor que eu possa ser!

Tudo que eu quero é honrar o peso que os meus pés exercem sobre a terra, 
Tudo que quero é alcançar a paz verdadeira.

quando for o meu dia de partir, quero olhar para trás e ver que fiz o que estava ao meu alcance para deixar o mundo um pouco melhor do que encontrei,

Quero olhar para trás e ver que realmente vivi a melhor vida que eu poderia ter vivido, e partir sem vontade de voltar pois o meu dever de um simples mero mortal estará cumprido!

Por enquanto vou vivendo humildemente, com o auxílio de Deus procurando ter saúde, ser feliz e se possível ter paz com todos.

É tudo que eu quero.

Por: Sebastião Xirimbimbi

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Poemas

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Enquanto houver fome (11 de Novembro)

Como posso dizer que somos livres?

Se em Luanda ainda há mães
que dividem restos nos contentores com o cão,
e crianças que descobrem o sabor do lixo antes do sabor do pão.

Que independência é essa?

Se o povo carrega o estômago vazio como fardo e bandeira.

As ruas do Zango, do Prenda,
de Cacuaco, do Sambizanga, 
de Viana e do Cazenga
todas gritam em silêncio nos choros do bebê nas costas da zungueira.

Gritam contra o esquecimento,
contra o discurso bonito
que não enche panela.

Gritam lembrando que a liberdade não vive de discursos,
vive do prato cheio e do coração tranquilo.

Angola, minha terra…

A tua independência só será completa quando nenhum dos teus filhos
tiver de procurar vida
entre os restos da vergonha.
Passando humilhação por um mísero “salário mínimo”

Não há independência quando o estômago do povo fala mais alto que o hino.

Enquanto houver fome,
o hino nacional será apenas um eco distante de um sonho ainda adiado.

Enquanto houver fome,
a bandeira é apenas um pano colorido a tremular sobre a miséria.

Enquanto houver crianças que se alimentam dos restos da indiferença,
Não haverá progresso, não haverá independência.

A verdadeira liberdade começa quando o povo deixa de escolher entre a dignidade e a sobrevivência.

Uma nação não se mede pelos anos que celebra, 
mas pelo pão que chega à mesa 
dos seus filhos.
Uma nação livre é aquela que garante saúde, alimentação,
segurança, educação,
e esperança a cada um dos seus filhos.

Não há verdadeira independência enquanto famílias buscam no lixo o que o Estado lhes negou à mesa. A fome é a maior traição aos que deram suas vidas lutando pela liberdade dessa terra.

Enquanto houver fome,
enquanto houver crianças sem futuro,
a nossa “independência” continuará dependente.

Por: Sebastião Xirimbimbi

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Coroas Tortas

África,
minha mãe cansada de coroas tortas,
de reis que não sabem partir,
de tronos que criam raízes no chão do medo.

O poder virou espelho;
quem se olha nele esquece o povo,
apaixona-se pela própria sombra,
e chama isso de liderança.

Eles não largam o trono
porque o trono é o último abrigo,
onde a culpa dorme,
onde o ouro canta,
onde o medo veste terno e gravata.

Dizem:
“Sem mim o país cai.”
Mas o país já caiu;
caiu na escola sem livros,
na criança sem pão,
no jovem sem teto e sem chão,
no velho sem voz,
na rua que chama pelo nome da justiça
e ninguém responde.

Nossas constituições são elásticas;
esticam-se ao tamanho da ambição
dos que juram servir,
mas só servem-se a si mesmos.

E nós?
Ficamos aplaudindo as promessas,
como se aplauso fosse voto,
como se paciência fosse paz.

Mas o vento está a mudar.
Há tambores novos a bater no peito da juventude,
há vozes que recusam o silêncio,
há mentes que já não se ajoelham.

O futuro não cabe num palácio.
O futuro mora na rua,
no grito que sobe das mãos vazias,
no olhar que já não teme o rei.

Um dia,
os tronos hão de cair;
não com armas,
mas com consciência.
E então,
o poder deixará de ser coroa,
para voltar a ser serviço.

Por: Sebastião Xirimbimbi

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Comentários (2)

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Miguel Luheto
Miguel Luheto

A perda de pai e mãe é imensurável.

José Xirimbimbi
José Xirimbimbi

Muito bom poema