silviovinhal

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Reside em Brasília desde 2007, onde é servidor público federal. Poesia, composição musical, design e jornalismo são outros fazeres seus. Ou vice-versa.

Perfil
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Indígna Casa

Queria poder juntar os cacos do corpo frágil e humano
que somos todos nós.
Queria poder alinhavar tecidos partidos, frágeis órgãos,
frágeis corpos de pais, irmãos, avós,
que vão se dissolvendo
enquanto a vida vai passando indiferente.

Queria colar os cacos, fundir partículas,
construir um corpo perfeito,
um supercorpo capaz de resistir à vida,
de resistir à morte
que teima em se instalar em nós a cada respirar,
como uma bomba a nos dizer
que pode ser agora ou amanhã,
Na próxima curva, na próxima queda,
Em meio ao próximo riso ou da maior tristeza.

E ela vai nos roubando de nós, amaciando as resistências
desse frágil corpo que somos.
Mina nossos ossos, faz falhar o coração,
murcha a flor da nossa pele,
tira a cor dos cabelos, torna opaca a nossa visão.
Frágil corpo, para almas tão sedentas de vida...

E o corpo (mesmo que ainda são) vai se partindo,
se rasgando, se dilacerando,
Ao ver cair, sem piedade,
Um a um,
Os corpos de nossos pais, irmãos, avós,
Amigos, filhos, amantes...

Pobre corpo humano!
Casa indigna dessa alma sedenta que Deus nos deu.
Corpo dilacerado na dor de não poder juntar, alinhavar,
fundir, reviver, enfim,
Os corpos que de tão frágeis não comportam
a alma daqueles que amamos.
Ler poema completo
Biografia
Sílvio Vinhal tem 56 anos, natural de Ituiutaba – MG. Arquiteto e urbanista, foi professor substituto na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo / Universidade Federal de Uberlândia e professor de Semiótica aplicada à Publicidade e Propaganda na Faculdade Politécnica de Uberlândia. Reside em Brasília desde 2007, onde é servidor público federal. Poesia, composição musical, design e jornalismo são outros fazeres seus. Ou vice-versa. Colaborou com o jornal “Cidade de Ituiutaba”, onde publicava a página “Intelectomania” e com o Jornal “O Triângulo” (Uberlândia), onde editava o caderno de veículos e uma página de cultura. Registra premiações em festivais musicais e lançou dois álbuns, “GEOgrafia”(1998) e “Cenário” (2001) além de participar dos CDs “Música do Cerrado II” e “Acervo Caiubi” (2009). Na internet, desde 2006, mantém o blog “Fogo de Gelatina em Pó” e, em 2012, lançou o projeto “Músicas do Mundo”. Livros Publicados: O Tempo e o Jardim, Brasília, 2013 – Poesia - Artcontato Editora AmaroAmor, Brasília, 2019 – Poesia - Artcontato Editora Participação em Antologias: Antologia Submundo, Uberlândia – MG - poesia, 2019 – Editora Submundo; O Dia que o Samba Parou, Belo Horizonte – MG – Antologia de contos 2020 – Liga de Autores Mineiros.

Poemas

3

Alquimia

De repente me transformei num mago.
Agora sou senhor dos meus momentos,
E, quando quero, eu os torno mágicos.

Vem também...
Porque minha magia sem você
É uma fantasia sem cheiro e sem sabor.

O dom de Deus fez você mulher alquimista,
Capaz de transformar em ouro puro e reluzente
O chumbo que permeia minha vida.

Minha magia é boa,
E eu juraria,
Se jurar não fosse coisa ruim.

Mas eu mostro... Olha!
Transformei meu coração aniquilado
Num cadinho encantado
E nele misturo amor e sonhos,

Criando um elemento novo e eterno
Que tem o brilho da alegria,

A dureza do aço,
E a candura do bronze Que ecoa nos sinos.

Vem...
Minha magia é boa!
E eu juraria até,
Se jurar não fosse coisa ruim.
50

Fome

A fome era meu pão,
Meu único sustento
Na ânsia louca
Por algum alimento.

Fome!
E era tudo que eu tinha de meu
Além de um corpo mirrado
Que mal se sustentava em pé.

 
Meus olhos cresceram,
Buscando qualquer coisa
Que garantisse
Mais um dia

(de vida?) divida?  
Divida!            

Dividida dívida.

 

Quem sabe um dia a mais
Para encontrar um paraíso
Onde a fome não fosse
O único pão.
42

Armadilhas

Há uma teia ligando todas as horas
Lânguida teia que oscila
E reflete as gotas de chuva
Que derramei ainda agora.

Há uma teia
E até parece o amor
Uma armadilha
Ligando todos os seres

Em dimensões
 impossíveis
Fazendo uniões
Inconcebíveis

Juntando pares
Inusitados.
Prendendo seres
Que buscavam
Liberdade.
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fernandoarroz

amém