Poemas
122Pronto a receber
Não posso cantar ao teulado,
Pois estás longe paraouvir;
Não posso andar ao teulado
Pois não estás aqui.
Não posso chorar ao teulado,
Pois não estás aqui prame afagar;
Não posso sorrir ao teulado,
Pois distantes, nãopodes da alegria compartilhar...
Não posso andar a teulado,
Pois estás longe dosmeus passos
Não posso unir-me ao teulado,
Pois deixastes meucoração em pedaços.
Mas se sentires desejode se aproximar,
E meu vazio preencher,
Não fiques pensandocomo voltar,
Pois estarei semprepronto a te receber
Pois se decidires aíficar,
Nunca saberás as letrasque canto,
Nem o amor que possodar.
Inatingíveis
Quando o espelho nosmaltrata,
Com suas verdadesindiscutíveis,
Mal sabe ele que asverdades reveladas
Orgulham nossos íntimosinatingíveis.
Servir
Passar um dia sem teouvir
É como um mês semalimento
Por isso que te ligotodo momento
Pra sobreviver e teservir.
Retrato x Poesia
A natureza, pintada em aquarela
Nem um quadro que retrata um ser,
Não se compara com a poesia, emdescrever,
O retrato da mulher mais bela!
Passos
Ouço passos
Passos lentos,
passos velozes.
Ouço sons
Ouço gritos,
Ouço vozes
Passos e vozes
Vozes e passos
Vozes velozes
Passos em compassos
De vozes atrozes.
Toda Saudade
Uma noite inteira, acordado
Planejando o dia vindouro
Visando sonhos sonhados
Sonhos de prata e de ouro
Casar-se, ter filho, ter casa,
Numa ordem inversa talvez.
Te amar, desejar, atiçar a brasa
E depois calar-se, provocar altivez.
Saudades desse tempo, que se viajava,
Flutuando, navegando, correndo
Atrás de certo sonho que não alcançava
E que quando tocava, vivia sofrendo
Ficava ansioso, perdia-se no tempo
Desconhecia a hora, desligava-se de tudo
Entre desejos e sonhos ao vento
Gritar, falar, murmurar, ficar mudo.
Eis que tudo se resume
Em lembranças de um tempo de vaidade...
Que talvez não mais se repita
Ficando uma saudade, duas saudades; todasaudade!
Vivia Só
Era feliz
Vivia só.
Tinha paz
E de mim, dó.
Não sonhava,
Falava pouco.
Emudecido,
Ficava louco
Sozinho,
Comia muito,
Bebia vinho
Gratuito.
Sedentário,
Só assistia
Tudo voar
Em agonia.
Eis que surgiu
A mim dizendo
Coisas mil
E convencendo
Então lancei
A minha sorte
E me joguei
Aos pés da morte.
Pois feliz
Vivia só.
Troquei a paz
E tornei-me pó.
Sob o Lençol
O poeta, sob o lençol,
só quer saber de lua;
nada de sol.
Só a companhia tua.
O poeta, sob o lençol,
não quer dormir...
Quer viajar sob o teu céu...
e que seu mar venha fluir.
O poeta, sob o lençol,
quer sentir seu calor,
apreciar o arrebol,
da manhã do teu amor.
O poeta, sob o lençol,
Fica calado.
Mas quer cantar feito rouxinol
em seus braços, entrelaçado.
O poeta, sob o lençol,
só quer dormir, se for vencido.
O poeta, sob o lençol,
poetisa e sonha. Não faz gemido.
Quando tudo se acaba...
Pouca luz. ValdirGomes
Poucas falas.
Nenhum abraço.
Nenhum carinho.
Frio.
Muito frio.
Sem conforto,
sem vida.
Eu sozinho.
Você lá...
Eu aqui...
Eu choro.
Você sorri.
Eu falo,
você levanta.
Eu fumo,
você embriaga...
Nem volta dormir.
Você sai.
Nada diz.
Durmo só.
Nem sonho.
Você chega,
eu me levanto.
Dois estranhos
em desencanto.
Ontem juntos,
hoje distantes...
Um amando,
outro sofrendo
Saio à rua.
A brisa me acalenta.
Difícil é voltar,
me ver ali,
depois chorar
e você sorrir.
O Poeta
O poeta não deveria existir.
O mundo não o compreende;
As pessoas não lhe dão esperança.
Mas suas palavras as levam a refletir...
O que o poeta fala,
não deveria ser levado em conta.
Dependendo do instante, seu grito écontido.
Às vezes a verdade é retida e ele secala.
Quem entende o poeta,
Tem a vida desarraigada!
Sente com os olhos; vê, com o coração.
Vive um mundo de aresta.
Só quem vive, entende o poeta!
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