Valdir Gomes

Valdir Gomes

Escritor brasileiro Contista Cronista Poeta Romancista Novelista

n. 0000-00-00, Curitiba

Perfil
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Velhice II

A distância é a mesma,
Mas nossas forças que minaram!
As cores são as mesmas,
Mas nossos olhos embaçaram...
O sol continua lá,
As estrelas continuam lá
As asas da imaginação ainda voam,
Mas já não tem pernas para pousar.

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Poemas

122

Pensamento

Oh, saudade ! Tu que passas por mim e viajas com o vento...
Se não puder trazer meu amor, leva-me em seu pensamento!

256

Ensaio

Preparei-me um século para declarar-te meu amor...
Mas diante de teu belo sorriso fiquei mudo.
Descobri então que todo o tempo ensaiado 
se resumiria em apenas lhe entregar uma flor.

332

Parado

Eu estava parado,
Quando a vida por mim passou, apressada!
Quando pensei em segui-la
Já estava distante, na estrada!
Então me definhei aqui, na praça, sentado!

309

A morte e o beijo

Quando eu tiver morrendo de amor,

Por favor, beija-me intensamente.

Por que teu beijo poderá aliviar-me da dor

E me fazer volta à vida gradativamente.

340

Egoismo do dia a dia

Há sonhos que se pode ter
Numa cidade que se possa sonhar...
Sonhos concretos de pisos e paredes
Sonhos todos cinzentos, sem verdes.

Sonhos em fumaças, em ruídos ao acordar
Sonhos que podem se esconder numa esquina
E em outra esquina os encontrar diferentes.
Sonhos que nos tornam ausentes.

Quando se acorda, descobre tardiamente
Que viver de sonhos num lugar assim,
Não é viver um sonho tendo vida ao lado...
É sonhar um sonho acordado!

E isso se carrega como um fardo
Que todo dia sofremos sem saber
Pois o que queremos viver nos aflora
a ganância em sonhar toda hora!

292

Dormindo

Se ao chegar me encontrar dormindo

E com as janelas dos meus olhos fechadas,

Me acordes com seus beijos, sorrindo

Para que a porta do meu coração se abra.

410

Desgosto

... E ela caminhava à beira mar...

A areia suspirando seus passos

As ondas lambendo seus pés

No afã de um desejo crasso

 

E a brisa que lhe envolvia o corpo

Era como o abraço carinhoso

Do então amante generoso

Que se desfalecera num porto.

 

E envolvida em saudades

Ela sobe em uma pedra,

E lá de cima, fita seu rosto

 

No espelho das águas do mar...

E agora perdida em desgosto

Se lança às águas pra nunca mais voltar.
392

Sem controle

Quando meus lábios tocaram nos teus,

o controle de meus sentimentos não foram mais meu.

375

Sentença

Te presenteei com o meu sorriso;

E você me presenteou com a tua presença.

Tudo pode acabar agora.

A felicidade me condenou como sentença.
392

E estava lá

E lá estava o homem que a amara...
Aquele que labutara pelos sentimentos;
Que se curvara diante de uma humilhação
Para lhe proporcionar bons momentos.

Estava lá, agora sendo observado,
Por tantos rostos que pranteavam
E por outros que, atônitos e emudecidos,
Intimamente sobre o ocorrido se perguntavam:

—Por que tal destino, levaria a cabo, um homem tão sincero
Que sempre dera a vida (e agora por ironia) pela mulher amada...
Agora sendo preparado para sua última morada, um cemitério?

E estava lá, inerte, entre flores e lágrimas, o corpo teso,
Assis de Alcântara, que não levara a traição a sério,
Hoje assassinado, a adúltera procurada, o seu algoz, preso.

376

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