Venha vento, impulsiona-me para o alto Quero tudo ver em sobressalto As cabeças sobre corpos que andam E pensamentos que voluntariamente voam
Vento, leva-me para longe daqui! Essa cidade não pertence mais a mim. Quero voar sobre florestas E conviver com aves nas copas em festa!
Mas vejo-me, vento, toda limitada! Um fio ainda me liga à terra. A qualquer momento serei aterrada!
E serei largada num canto qualquer. Talvez volte um dia ser empinada; Talvez não. Acho que sou mulher.
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Flor na calçada
Uma flor na calçada. Entre trânsito, entre passos. Ali inerte. Uma flor na calçada. Tenra. Caída do buquê Num descuido dum enamorando Que a perdera para a calçada. Inerte a flor ainda na calçada. Desvencilham-se dela passos, Livram-se voluntariamente pessoas E passam largo para não se comprometerem. Apenas um cão decifra seu perfume. Continua a flor na calçada. Logo alvo dum pequenino olhar. Apanha ela um menino Que a entrega à sua genitora. Com esse ato, a flor da calçada Então deixa de ser uma flor na calçada E se eleva a uma flor no cabelo
271
Fruto e amor
Amor quando nasce é fruto maduro. Tem sabor adocicado mesmo imaturo. Mas quando morre, simplesmente morre. Uma vaga lembrança que entre dedos escorre.
255
Procura-se uma palavra
Resta apenas uma palavra Uma única palavra no contexto. Apenas uma palavra para dizer tudo. Aquela palavra pra fechar o texto.
A palavra que soa e confirma a festa. A palavra que fará o descanso merecido. Para o texto a palavra que resta Para o contexto, o verdadeiro sentido.
Ela pode estar escondida num desejo Ou oculta num sentimento perdido Palavra simples, mas dotada dum lampejo
Capaz de acender paixões, atrair amantes... Imprescindível como a descrição dum beijo. É essa palavra tão procurada como nunca antes.
251
Eterna melancolia
Ele, sentado na cama, ficou olhando a parede... E, escrito na parede, um nome; E no nome, o significado de sua outrora alegria. E agora em seu íntimo uma dor que o consome Alimentando sua eterna melancolia.
256
Descanso
A recompensa para quem se dedica a um ofício, é que quando finda um laborioso dia, Alguns se deleitam em saciar um vício, Outros descansam, com uma bela companhia.
264
Amor eterno
Quando o dia iniciou, Bateu-me um frio inverno; Quando a lua brilhou Corri nos braços do amor eterno!
266
O sol
O sol quando te vislumbrou na rua, Iluminou teus passos, caiu nas graças tuas.
241
Antes de escurecer
Ame tudo que puder amar! Corra tudo que puder correr! Sonhe tudo que puder sonhar, Pois o dia logo vai escurecer!
247
Atitude tardia
...E ela ficou ali pensando que ação tomar, Não valorizando o tempo que urgia... E quando tomou o ímpeto de amar, Descobriu que sua atitude era mais que tardia!