velton vies

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Fala mulher

Três adeuses me destes:
O primeiro, absorto;
E os segundos, inertes;
Sem feridas, mas morto.

Vi passar no teu peito, o tempo,
Que como um escape que escorre,
Me fez sentir-me tal o vento
Que não percorre, socorre.

Imaginei os momentos,
Mas não dei pelo drama.
Vem cantar que me ama
Vou contar meus lamentos.

Velton Viés

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Poemas

1

Jornal da Censura

Está começando mais um “JotaCê”,
O jornal que te põe a mercê.

Dizem os especialistas:
Pão, circo e desonestidade;
Essa é a cara da pós verdade.
Os jornalistas do “que é que tem”,
Ja têm uma nova trindade.

Pau, mas para eles.

A censura vem de repente,
Veste e mente, veste toga.
Justiça não está em volga;
"Se'ocê roubou, 'ocê é inocente".

Não se engane amado amigo,
Nem toda censura é censura.
É censura se dói meu umbigo,
Ao inimigo é a justiça mais pura.

Pau, mas para eles.

Fede o esgoto de São Paulo,
Lá onde vivem piranhas
Vermelhas e barbudas.
Loucas por b e r g a m o t a s,
Operárias de boca torta.

E no circo de Curitiba,
Dois palhaços muy famintos,
Do jornalismo dependente,
Em frente a um platelminto,
Como espelhos frente a frente,
Batem no peito sorrindo:
“Oh, meu amado presidente”.

(Velton Notlevire)

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