Wildiley Barroca

Wildiley Barroca

n. 1991 ST ST

Poeta e jurista são-tomense, nasceu em São Tomé a 20 de março de 1991. Licenciado em Direito e formado em Secretariado Internacional, tem colaborado regularmente em revistas e jornais nacionais e internacionais. É autor e coautor de diversas obras literárias e académicas publicadas em países como Brasil, França, Portugal e Japão, tendo representado São Tomé e Príncipe em várias bienais e mostras da CPLP.

n. 1991-03-20, São Tomé e Príncipe

Perfil
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Transcendência

Transcende-te

Rasgando o silêncio dos tempos
e as vicissitudes de aurora e de todos os tempos... cavalgamos afanosamente
cantando em canto dos encantos
o desencanto em pranto
do nosso encanto sem canto. 

a tecnologia, designer e o entretenimento
serão esteios de sustento para a aposta ao desenvolvimento
deste benquisto país insular em crescimento 

por isso, faz acontecer
oh! gente moça de agora, onde tudo passa sem demora.


Poetizando, fulminamos a pungente tempestade
Da vida quotidiana
E rasgamos o silêncio dos tempos e de todos os tempos...
Cultivamos harmoniosamente a paz, a unidade, o amor

E entramos desapaixonadamente no seu coração
Rasgando o silêncio dos tempos e de todos os tempos 
por isso, faz acontecer...

oh! gente moça de agora, onde tudo passa sem demora.

Dramatizando, caminhamos juntos
na senda do progresso deste pais arquipelágico
e rasgamos irreversivelmente o silêncio dos tempos e de todos os tempos...
por isso, faz acontecer

oh! gente moça de agora, onde tudo passa sem demora.
Hoje,
Agora,

Não amanhã,
Sem demora, faz acontecer.

O Galo que Canta, anuncia um novo horizonte...
O Galo que Canta, canta (...)
Canta bem mais alto que o som da ermida
Canta para anunciar um novo horizonte
Canta para transcender o silêncio dos tempos e de todos os tempos...
por isso, faz acontecer, 
oh! gente moça de agora, onde tudo passa sem demora.
Faz acontecer (...) 

Wildiley Barroca, in São Tomé 2016
Ler poema completo
Biografia


Wildiley Barroca nasceu em São Tomé, no dia 20 de Março de 1991. Fez os seus estudos primários e liceais em São Tomé, bem como a formação média profissional em Secretariado Internacional e Licenciatura em Direito. 

Poeta, Jurista e observador do quotidiano, vem colaborando regularmente em revistas e jornais nacionais e estrangeiros, com trabalhos na Revista Batê Mon e nos jornais digitais do país e do estrangeiro.

Poeta, Jurista e observador do quotidiano, é Autor da Obra Apuros da Minh ‘Alma Errante – primeira obra do autor lançada no Complexo Cultural dos Barris em Salvador – Bahia, Brasil; Autor da obra “João Paulo II ou o Santo da Juventude”; Coautor da obra “Moi Président” lançada em 15 de Março de 2017 na França e Coautor da obra “A Poesia Multicultural”, lançada em Julho de 2019 em Portugal; Coautor da obra “O Ensino do Direito nos Países da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP)” lançada em 27 de Março de 2021 no Brasil; e Coautor da Obra “WE HAVE A DREAM”, lançada em Maio de 2021 no Japão; 

Representou São Tomé e Príncipe como jovem Escritor na II Mostra de Jovens Criadores da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP) em Luanda - Angola, na VI Bienal dos Jovens Criadores da CPLP em Salvador – Baia - Brasil e participou em Representação de São Tomé e Príncipe como jovem escritor na Bienal dos Jovens Criadores da CPLP na Vila Nova de Cerveira, Portugal.

Foi Presidente da União Literária e Artística Juvenil - ULAJE Clube UNESCO,  Coordenador do Clube dos Poetas e Trovadores de São Tomé e Príncipe e Secretário-geral da União Nacional dos Escritores e Artistas de São Tomé e Príncipe.

Poemas

26

Saudades da terra

Saudades da terra e da minha infância,
Saudades daquele tempo perdido
Na conjuntura dos tempos e de todos os tempos,
Saudades da minha infância.

Saudades da minha infância
E dos tempos eternizados
Nos remotos silêncios já não vividos,
Lembrados em terras de Camões,
Juntando amigos e corações,
Perdendo-nos nestas canções
Que nos fazem reviver, em emoções,
As nossas raízes… a nossa infância.

Saudades da terra e da minha infância,
Saudades tenho eu
Daqueles tempos em que o tempo ainda era tempo…
Saudades de matu jaca,
Matu safu, trote e gualálá.

Nada escapa,
Nossa alma é quem fala…
Saudades da terra e da minha infância.

23

Casa da Cultura

Memórias e recordações,
lembranças que registam a história,
aspirações culturais em ascensão,
em jeito de contribuição
para o progresso deste país em crescimento,
com o arrimo e a força da gente moça.

Nesta data que marca o registo desta casa,
vamos cantar, dançar e festejar
com a malta desta gesta,
numa festa ímpar, oferecida pelo mentor,
celebrando a arte, a tradição e a alegria
que nos une e nos faz sonhar.

Que cada nota, cada passo, cada riso,
ecoem pelas paredes desta casa,
como testemunho vivo de um povo que cria,
que preserva e que avança,
transformando a cultura em luz
para todos os que aqui habitam e virão.

19

Jovens da Cidade

Jovens da cidade
decidiram vir à Trindade,
vivenciar, na realidade,
o espírito desta irmandade
que só aqui se descobre: a felicidade.

Mas, sem maldade,
e em meio a toda esta tenebrosidade,
deixam-nos ao menos saborear,
nem que seja metade,
o proveito que a nossa cidade tem a nos dar.

Em meio a tanta generosidade,
e a um misto de incerteza e ambiguidade,
descobrimos, enfim, a identidade
dessa gente da cidade
que, na verdade, só vem à Trindade
“vivenciar a irmandade”.

E quando regressam à cidade,
levam consigo a claridade
de um povo que vive a verdade
sem precisar de vaidade.

Porque a Trindade é liberdade,
é aconchego, é ancestralidade,
é o abraço que fica na saudade
de quem soube, por fim, encontrar
na simplicidade
um porto seguro para descansar.

Assim, entre passos, encontros
e algum vislumbre de eternidade,
percebemos que a maior herança
que estes jovens levarão da Trindade
não é a festa,
nem a novidade,
mas a certeza de que é na união
que floresce a nossa humanidade.

 

 

22

Mais além

Mais além
É ir em frente sem olhar a quem.
Mais além
É resistir a todos e tudo que vem.
Mais além
É persistir sem medo de ninguém.
Mais além
É enfrentar vendavais e tormento,
É resistir a todo sofrimento,
Porque depois deste mal que já não aguento
Virá, enfim, o meu dia de alento.

Mais além
É acreditar que a dor também passa.
Mais além
É renascer das cinzas com força que não se esgarça.
Mais além
É guardar no peito a esperança que abraça
E seguir, passo a passo, rumo ao amanhã.

Mais além
É saber que a estrada não finda,
Que a alma cai, mas sempre ainda
Se ergue, firme, sobre o chão.

E quando o sol enfim romper o véu da madrugada
Hei de colher a luz tão esperada,
Certo de que cada lágrima derramada
Foi semente do meu próprio renascer.

Mais além…
É onde me encontro,
É onde me sonho,
É onde, por fim,
me reencontro a ser.

 

 

 

23

À Alda Espírito Santo

A tua sábia obra literária
une-nos na mais esfuziante euforia
e convida-nos a mergulhar firmemente
nesta poética folia.

Os teus versos de sapiência
honra-nos evocá-los;
alimentam a nossa santomensidade
e fazem-nos reviver, sem resistência,
os teus ensinamentos, de tempo em tempo.

Nesta festança
que reúne gentes que te prezam,
Alda, querida,
celebramos-te de coração inteiro,
porque reconhecemos a singularidade da tua pessoa
e as contribuições que, por amor, ofereceste
à juventude, às crianças e às mulheres da nossa terra,
na edificação de uma nação sem desumanidade,
aquela que chamaste:
“É Nosso o Solo Sagrado da Terra.”

E nesta solene efeméride,
em que os nossos corações,
possuídos de viva e intensa euforia,
te saúdam exuberantemente,
mistura-se também certa melancolia.

Nesta hora de colossal exaltação,
queremos expressar, com fervor, o nosso apreço,
pois ao longo de uma demorada jornada de aprendizagens
recebemos de ti, com graça, vastos conhecimentos.

É com reverência e profundo ardor
que te dedicamos este poema sentido,
em nome do fruto do teu anseio,
testemunhando, sem adornos desnecessários,
a nobreza da tua individualidade.

In Casa da Cultura, 27 de Março de 2010

31

Tempo

Quisera eu ser as ondas do mar,
e, inteligentemente, os obstáculos contornar,
para o meu destino — sem par — enfim alcançar.

Lembranças daquele tempo
em que, ainda jovem e um tanto sedento,
palcos de relevo surgiam ao vento
e ações de juventude davam rebento.

Volta,
oh tempo,
perdido nas conjunturas do teu próprio movimento,
levado sempre ao sabor do vento.

Tempo,
quisera eu poder-te tocar,
segurar-te um pouco,
fazer-te abrandar,
para que nenhum instante
viesse a se apagar.
Mas corres, implacável,
como rio imparável,
levando sonhos, moldando vidas,
deixando marcas incontidas
na memória — doce e vulnerável.

E eu,
navegante desta travessia,
procuro, em cada novo dia,
as pegadas da sabedoria
que o teu sopro deixou no ar.
Oh tempo,
se um dia voltares devagar,
traz contigo o brilho de outrora,
para que eu possa recordar
e, quem sabe, reinventar
o que a vida deixou lá fora.

E assim sigo, atento,
entre o passado e o firmamento,
a aprender — no teu movimento —
que viver é sempre recomeçar.

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