Nicolau Tolentino

Nicolau Tolentino

1740–1811 · viveu 70 anos PT PT

Nicolau Tolentino foi um poeta português conhecido pela sua obra lírica e satírica. A sua escrita reflete uma observação aguçada da sociedade e das relações humanas, muitas vezes com um toque de ironia e melancolia. Apesar de não ter alcançado a notoriedade de outros contemporâneos, o seu contributo para a poesia portuguesa do seu tempo é reconhecido pela sua originalidade e pela exploração de temas universais com uma sensibilidade particular.

n. 1740-09-10, Lisboa · m. 1811-06-23, Lisboa

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Chaves na mão, melena desgrenhada

Chaves na mão, melena desgrenhada,
Batendo o pé na casa, a mãe ordena
Que o furtado colchão, fofo e de pena,
A filha o ponha ali ou a criada.

A filha, moça esbelta e aperaltada,
Lhe diz coa doce voz que o ar serena:
- «Sumiu-se-lhe um colchão? É forte pena;
Olhe não fique a casa arruinada...»

- «Tu respondes assim? Tu zombas disto?
Tu cuidas que, por ter pai embarcado,
Já a mãe não tem mãos?» E, dizendo isto,

Arremete-lhe à cara e ao penteado.
Eis senão quando (caso nunca visto!)
Sai-lhe o colchão de dentro do toucado!...

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Biografia

Identificação e contexto básico

Nicolau Tolentino de Almeida foi um poeta português. Pseudónimos ou heterónimos não são amplamente documentados. A sua nacionalidade era portuguesa e a língua de escrita era o português. Viveu num período de transição e efervescência cultural em Portugal.

Infância e formação

A infância e formação de Nicolau Tolentino não são extensivamente detalhadas em fontes facilmente acessíveis. Presume-se que tenha tido acesso a uma educação que lhe permitiu desenvolver o seu talento literário, absorvendo as influências culturais e literárias da sua época.

Percurso literário

O início da escrita de Nicolau Tolentino situa-se no contexto da poesia do seu tempo. A sua obra evoluiu explorando tanto a vertente lírica quanto a satírica. A sua obra mais notável é "O Poeta" (1787), um poema que lhe valeu reconhecimento. Colaborou com outras publicações e antologias da época, contribuindo para o panorama literário português.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra principal de Nicolau Tolentino é "O Poeta" (1787), um poema que aborda temas como a condição do poeta na sociedade e a natureza da inspiração. Os temas dominantes na sua poesia incluem o amor, a fugacidade do tempo, a crítica social e a reflexão sobre a vida. O seu estilo é marcado por uma linguagem cuidada, um ritmo melodioso e o uso de recursos poéticos como a metáfora e a ironia. A sua voz poética é frequentemente lírica, mas também se aventura na sátira, demonstrando versatilidade. A sua obra dialoga com a tradição literária, mas introduz uma perspetiva pessoal e crítica, associando-o a uma sensibilidade que antecipa ou se insere no contexto do Neoclassicismo e das primeiras manifestações de um sentir mais individual e observador.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Nicolau Tolentino viveu num período em que Portugal passava por transformações sociais e políticas. A sua obra reflete, de certa forma, as tensões e os debates culturais da época. A sua poesia situa-se no contexto do Iluminismo e do Neoclassicismo, onde a razão e a observação social ganhavam destaque, sem contudo abandonar uma sensibilidade lírica.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações detalhadas sobre a vida pessoal de Nicolau Tolentino são escassas. Sabe-se que teve uma vida dedicada à poesia e à observação social, mas os pormenores sobre relações familiares, amizades ou crenças pessoais não são amplamente divulgados.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Nicolau Tolentino obteve algum reconhecimento em vida, especialmente com a publicação de "O Poeta". No entanto, a sua obra pode ter ficado à sombra de outros poetas mais proeminentes da sua geração. A receção crítica ao longo do tempo tem vindo a valorizar o seu contributo individual para a poesia portuguesa.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado É provável que Nicolau Tolentino tenha sido influenciado por poetas clássicos e contemporâneos. O seu legado reside na sua capacidade de aliar a forma cuidada à profundidade temática, explorando com sensibilidade a condição humana e a arte poética. A sua obra contribuiu para a diversificação da poesia portuguesa.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Nicolau Tolentino permite diversas leituras, desde a análise da sua mestria formal até à interpretação dos seus comentários sociais e existenciais. A sua poesia convida à reflexão sobre a natureza da arte e o papel do artista na sociedade.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Um aspeto curioso da sua obra é a sua habilidade em transitar entre o lirismo e a sátira, demonstrando uma versatilidade notável. Os detalhes sobre os seus hábitos de escrita ou episódios marcantes da sua vida são pouco conhecidos.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória As circunstâncias exatas da morte de Nicolau Tolentino e publicações póstumas não são amplamente documentadas em fontes gerais.

Poemas

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Chaves na mão, melena desgrenhada

Chaves na mão, melena desgrenhada,
Batendo o pé na casa, a mãe ordena
Que o furtado colchão, fofo e de pena,
A filha o ponha ali ou a criada.

A filha, moça esbelta e aperaltada,
Lhe diz coa doce voz que o ar serena:
- «Sumiu-se-lhe um colchão? É forte pena;
Olhe não fique a casa arruinada...»

- «Tu respondes assim? Tu zombas disto?
Tu cuidas que, por ter pai embarcado,
Já a mãe não tem mãos?» E, dizendo isto,

Arremete-lhe à cara e ao penteado.
Eis senão quando (caso nunca visto!)
Sai-lhe o colchão de dentro do toucado!...

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Soneto

Em escura botica encantoados,
Ao som de grossa chuva que caía,
Passavam de janeiro um triste dia
Dois ginjas no gamão encarniçados;

"Corra, vizinho, corra-me esses dados,"
Gritava um deles que nem bóia via;
De sangue frio o outro lhe dizia
Mil anexins naquele jogo usados;

Dez vezes falha o mísero antiquário;
E ardendo em fúria o trêmulo velhinho,
Atira cuma tábula ao contrário;

O mal seguro golpe erra o caminho;
Quebra a melhor garrafa ao boticário,
Que foi só quem perdeu no tal joguinho.

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