História do Escritas.org

Origem

O escritas.org nasceu a 7 de agosto de 1996 sob o nome asTormentas, alojado em geocities.com/Paris/6041 — numa época em que a internet doméstica em Portugal mal existia e o Geocities era o principal espaço de publicação independente na web.

O projeto foi criado e é mantido desde sempre por uma única pessoa, com sede em Portugal. O nome asTormentas foi escolhido deliberadamente: remete para Os Lusíadas de Camões, para o mar como metáfora da aventura e do risco, e para as tempestades do pensamento que a poesia procura dar forma.

O site começou com poemas do próprio autor e uma antologia de poetas clássicos da língua portuguesa — numa altura em que pesquisar Camões, Pessoa ou Florbela num motor de busca não devolvia praticamente nenhum resultado relevante.

Cronologia

96

1996 — Fundação

Lançamento a 7 de agosto de 1996 em geocities.com/Paris/6041. O bairro Paris do Geocities tinha sido criado apenas um ano antes, em julho de 1995, e o número de endereço 6041 atesta a precocidade do registo. Para ter noção do que significava este momento: o Sapo, o primeiro grande portal português, tinha acabado de ser lançado, e a esmagadora maioria dos portugueses nunca tinha acedido à internet. Criar um site de poesia nesse contexto era um acto simultaneamente pioneiro e quase inverosímil — a web lusófona era então quase inexistente, e a ideia de que a poesia clássica portuguesa pudesse ter presença online estava longe do horizonte de qualquer instituição cultural.

99

1999 — Primeiro arquivo documental

O Wayback Machine do Internet Archive captura o site pela primeira vez em agosto de 1999, constituindo hoje a prova documental mais antiga publicamente acessível: arquivo de agosto de 1999.

01

2001 — Domínio próprio

O projeto migra do Geocities para domínio próprio, passando a estar acessível em astormentas.com. O conteúdo e a missão mantêm-se; o domínio próprio representa a consolidação do projeto como presença estável e independente na web.

09

2009 — Rebranding para escritas.org

O site adota o nome e domínio escritas.org, mais institucional e abrangente. Esta mudança coincide com uma expansão significativa: o projeto passa a três línguas (português, espanhol e inglês) e a incluir autores e poetas de toda a lusofonia e do mundo hispânico. O mesmo ano marca também o encerramento do Geocities pelo Yahoo!, que apagou definitivamente milhões de páginas da internet dos anos 90 — a história do projeto ficou assim preservada pelo Wayback Machine como um dos raros sobreviventes desse período.

2009–presente — Expansão contínua

Os conteúdos crescem de forma sistemática ao longo dos anos seguintes, com adição de biografias, citações, autores comunitários e conteúdo multimédia. O site abre-se também à participação de qualquer pessoa: qualquer autor pode criar uma página e publicar a sua própria obra, de forma gratuita e sem publicidade. Sem custos, sem intermediários, sem condições editoriais — um espaço aberto a poetas consagrados e a quem escreve pela primeira vez.

O projeto hoje

O escritas.org é atualmente um dos maiores portais de poesia em língua portuguesa e espanhola da internet, com:

  • ✍️ 6 400 autores com páginas biográficas
  • 📜 24 000 poemas em português
  • 📜 8 000 poemas em espanhol
  • 📜 8 000 poemas em inglês
  • 💬 70 000 citações
  • 🧑‍🤝‍🧑 4 000 autores comunitários com textos próprios
  • 👥 120 000 visitantes mensais

O projeto mantém o seu carácter independente e sem fins lucrativos, gerido por uma única pessoa desde a sua fundação há quase 30 anos.

Contexto histórico

O Escritas.org / asTormentas é, tanto quanto é possível documentar, o site de poesia em língua portuguesa mais antigo com origem em Portugal ainda em actividade, e um dos dois sites de poesia lusófona mais antigos do mundo — o outro sendo o Jornal de Poesia brasileiro (jornaldepoesia.jor.br), fundado em maio de 1996, apenas três meses antes.

Ambos os projetos nasceram da mesma constatação: em 1996, a poesia em língua portuguesa era praticamente invisível na internet. Procurar Camões, Pessoa ou Castro Alves num motor de busca não devolvia resultados. Foi essa ausência que motivou, de forma independente e quase simultânea, a criação dos dois projetos que viriam a ser os pilares da poesia lusófona online.

Última actualização: abril de 2026