Horas vivas, nas palavras retidas
niso
2026

Horas vivas, nas palavras retidas

2026

A vida começa não com as obras que se fazem, mas com as plavras que as plasmam e lhe dão outra vida com que se eternizam essas obras ou se as enterram definitivamente. Por elas existem, por elas vivem e com ela morrem. Por isso um livro de poemas tanto pode ser uma tumba como um pedestal.

A chama

A chama que aquece.
A chama que deslumbra.
O que a natureza oferece
para vencer a penumbra.

A chama que convida
e a que mais atrai
A chama da vida
que em cinza se esvai.

A chama ilumina
em luzeiro de cor
A chama fascina
Símbolo do amor

Pudera eu inflamar
como chama viva
A todos arrebatar
em arte persuasiva

Amor Antigo

O amor antigo

É aquele que não te digo

E não é porque de longe te sigo

Que me esqueço do amor antigo

 

O amor antigo

sólido abrigo

Contra o olvido.

Com ele sempre consigo

O dom não merecido

Mas que nunca desdigo

 

O amor antigo

Não é jazigo

Mas um postigo

Onde sem perigo

E debruçado digo:

Fica comigo

Meu amor antigo.

 

Antevisão

Sonetilho

 Ali se há-de enterrar 
O meu coração 
Com unção 
No imenso mar. 
 
Ali se há-de encontrar 
Em comunhão 
O meu caixão
 E o imenso mar. 
 
Ali onde ele se quebra
 Como em sua casa
 O imenso mar. 
 
Não será na pedra 
Não será na campa rasa 
Mas no imenso mar.

Ao sol da primavera


O sol ilumina

Tudo aquece

Tudo engrandece

E a mim me anima.

 

O sol fascina,

A terra floresce

E o mundo esquece

A dura sina

 

Horas fagueiras

Que correm felizes

E inspiram poetas.

 

Horas primeiras

 Forças motrizes

Das almas despertas

 



Às minhas inumeráveis quedas


 

Canto hoje a minha vida de quedas

Com o zelo de um coleccionador de moedas

 

A minha primeira queda

Foi tiro e queda.

 

A minha segunda queda

Foi brutal e cega

 

A minha terceira queda

Foi um simples desarreda

 

A minha quarta queda

Foi como deslizar num escorrega

 

Ai, a minha quinta queda

Não a troco por qualquer moeda

 

A minha sexta queda

foi triste mas também leda

 

Minhas inúmeras quedas

Por veredas

Barrancos e alamedas

 

Às vezes são cinzas

Outras labaredas.

Nem nos Vedas

Há tão infindas.

 

Niso 4.6. 2014

 

 

As Nuvens


 

Maravilhosas vão as nuvens,

Maravilhosas vão;

Claras águas vão buscar,

Maravilhosas vão:

Que as vão buscar ao mar

Maravilhosas vão

 

Maravilhosas vão as nuvens

Maravilhosas vão;

Sulcando rápidas o céu

Maravilhosas vão

Como vaporoso véu

Maravilhosas vão

 

Maravilhosas vão as nuvens

Maravilhosas vão

Na sua cor carregada

Maravilhosas vão

Na tarde ensolarada

Maravilhosas vão

 

Maravilhosas vão as nuvens

Maravilhosas vão

No ar flutuando

Maravilhosas vão

Juntas em bando

Maravilhosas vão

 

Beija-flor

Beija flor

beija com ardor

bate as asas

com vigor.

Bate

cinquenta vezes porsegundo

as asas coloridas.

de flor em flor

a fundo

colhe o néctar

ás flores plácidas

e enlanguescidas.

Beija-flor

Beija flor

beija com ardor

bate as asas

com vigor.

Bate

cinquenta vezes por segundo

as asas coloridas.

de flor em flor

a fundo

colhe o néctar

às flores plácidas

e enlanguescidas.

Beija-flor

Beija flor

beija com ardor

bate as asas

com vigor.

Bate

cinquenta vezes por segundo

as asas coloridas.

de flor em flor

a fundo

colhe o néctar

às flores plácidas

e enlanguescidas.

Chuva de verão

Chuva de verão,
Água fecunda.
Não cai em vão
no solo que inunda.

Vem súbita e inesperada...
Sem prenúncio nem aviso.
Será breve, será demorada
é a pergunta que repiso.

Surpreende-me na noite.
Prolonga-se pela madrugada.
Debaixo de telhas me acoito
desta chuva obstinada.

Coisas da bola!

Quem diz sete diz Ronaldo

Quem diz sete por cento

É como lançar ao vento

Da copa, o desejado alvo.

Tem fama de portento

O número sete da seleção

Mesmo suando as estopinhas

Tanto as dele como as minhas

O pássaro parecendo na mão

Perdeu-se dentro das quatro linhas

Décima para o dia internacional da Ideia


 

Quem o dia da ideia inventa

Talvez sem mesmo o saber

Muito menos aperceber

Da pequenez do que tenta

Pois  com pouco secontenta

Ao contrário do velho Platão

Que com mais fé na razão

O mundo das ideias criou

E para cada coisa encontrou

Nas ideias a sua expressão

Des-décima a Ricardo Salgado

  1.  

    Pelo nome era Ricardo
    Pelo dinheiro ricaço.
    Para ainda maior vistaço
    Acrescentava o Salgado.
    Entre todos afamado
    Mais que todos mandante
    E o país impetrante
    Até lhe beijava os pés.

    Mas como pó se desfez
    Pese seu metal sonante.

    Niso 27.07.2014

Dia sem sol






Maré vazia
Manhã sem sol
Só o pescador sorria
A preparar o anzol


Namorar as ondas
Espreitar o mar
Prazer platónico
De olhar sem tocar

Pela beira mar se caminha
Saltando o calhau
Até o mar se retinha
deixando rondar a vau

Claridade difusa
Reino do cinzento.
Ajuda-me, ó musa
A soltar o sentimento

Pedras da calçada
Mudas e quedas
Conto cada passada
Como sendo em veredas.

Domingo

É um Domingo às avessas.

Escondes, não confessas.

Primeiro dia da semana?

Resposta não me peças.

É um domingo às avessas.

Eu findo, tu começas

É um domingo às avessas

Pelas ruas, pelas travessas

É um domingo às avessas

Se caminhas, tropeças

Se páras não recomeças.

É um domingo às avessas

Com vagar , sem pressas

Com mortos e com essas

Com caixões sobre tripeças

É um domingo às avessas

Mas da vida não te despeças.

Porque assim cessas

Com os domingos às avessas.

Niso 18.5.2014

Domingo


 

É um Domingo às avessas.

Escondes, não confessas.

Primeiro ou último dia da semana?

Resposta não me peças.

É um domingo às avessas.

Eu findo, tu começas

É um domingo às avessas

Pelas casas, pelas ruas, pelas travessas

É um domingo às avessas

Se caminhas, tropeças

Se páras não recomeças.

É um domingo às avessas

Com vagar , sem pressas

Com mortos e com essas

Com caixões sobre tripeças

É um domingo às avessas

Mas da vida não te despeças.

Porque assim cessas

Com os domingos às avessas.

Niso 18.5.2014

Domingo às avessas


É um Domingo às avessas.

Escondes, não confessas.

Primeiro dia da semana?

Resposta não me peças.

É um domingo às avessas.

Eu findo, tu começas

É um domingo às avessas

Pelas casas, pelas travessas

É um domingo às avessas

Se caminhas, tropeças

Se páras não recomeças.

É um domingo às avessas

Com vagar , sem pressas

Com mortos e com essas

Com caixões sobre tripeças

É um domingo às avessas

Mas da vida não te despeças.

Porque assim cessas

Com os domingos às avessas.

Niso 18.5.2014

Dos nomes

 

 

Nomes a mais

Nomes a menos

Nomes que tais

Nomes somenos.

 

Nomes, nomes só nomes

Nomes e cognomes

Pronomes em vez de nomes.

Por dentro dos nomes,

As coisas que os nomes

Nomeiam.

 

Renome que nome é?

É apenas o rasto do nome

Que é o nome que é.

 

Nomes a mais

Nomes a menos.

E se todas as coisas

Fossem iguais

Apesar dos nomes

Batismais?

 

O nome não afirma

Nem nega

Até pode ser

o pseudo-nome

(pseudónimo)

Que assim

 outra face enverga.

E mal se enxerga.

 

Emma

Emma
não tema.
Emma
não trema.
Emma
exponha ao mundo
a sua dor extrema.
Emma
Denuncie o esquema.
Emma
faça dele o problema
Emma,
que do seu gesto
nasça o poema.



Emma foi violada. Para chamar a atenção para o seu caso decidiu andar sempre às costas com o colchão onde foi violentada

EMMA

Emma
não tema.
Emma
não trema.
Emma
exponha ao mundo
a sua dor extrema.
Emma
Denuncie o esquema.
Emma
faça dele o problema
Emma,
que do seu gesto
nasça o poema.

Encontro comigo

Hoje, redescobri-me
no escritas. org.
Depressa apercebi-me
da distância enorme
Entre o que em letra
de forma
mais escondia
do que revelava
mais outrava
que mostrava
mais era outro
em simulado desporto
de estar vivo
e passar no crivo
do olhar de quem 
lia
e de longe
sorria
complacente
ou
indiferente
niso manhã
de agosto

Endecha ao homem insubstituível


segundo Bertolt Brecht e Niso de Sousa

 

Se este homem insubstituível

se irrita,

 o céu e a terra seagita

 

Se este homem insubstituível

Espirra

Todo o mundo se constipa

 

Se este homem insubstituível

Dorme a sesta ou se distrai a olhar o mar

O mundo vacila nos seus alicerces

 

Se este homem insubstituível

tem dores abdominais

todo o mundo desata em grandes ais

 

Se este homem insubstituível

por momentos desfalece

a linha do equador estremece

a até o polo norte aquece

 

Se este homem insubstituível

Adoece

Põe toda a Igreja em prece

E toda a nação empobrece

 

Mas, se este homem insubstituível

Falece

No céu ninguém o reconhece

E na terra o seu corpo rapidamente

arrefece

E pala acção da  vérmina

- Única  que o  reconhece-

Apodrece

Da memória

Se esvaece

E no olvido

perece.

Enquanto eles não vêm


(Título do artigo escrito pelo político e jornalista republicano João Chagas , em1891,a seguir à revolta falhada no Porto. Com a casa cercada pela polícia desde o começo da noite esperou continuando a escrever para o seu jornal A Republica Portuguesa).

Enquanto eles não vêm

Não me resigno à espera

Toda a minha força se contém

Na forte decisão que a supera

Mais um artigo para o jornal

Enquanto eles não vêm

Esperar não me coíbe

Nem minha inspiração retém.

As horas deixarei passar

Em trabalho empenhado.

Enquanto eles não vêm

Não espero amedrontado

O ideal que me inspira

Grande futuro tem

Nele ocuparei meu tempo

Enquanto eles não vêm

Enquanto eles não vêm

Em nada me vão inibir

As horas vou preencher

E até deles sorrir.

Não ficarei refém

De ansiosa expectativa

Continuarei meu labor

Enquanto ele não vêm

Sejam cinquenta ou cem

O número não conta

Enquanto eles não vêm

O problema não é de monta

Enquanto eles não vêm

sou eu o dono e o senhor

Nem o mais leve temor

Antes algum desdém

Meu trabalho ou repouso

Nada se vai alterar.

Enquanto eles não vêm

Meu tempo é precioso.

A espera me dá ânimo.

Enquanto eles não vêm

A liberdade é minha

e inalienável bem.

Enquanto eles não vêm

Não é um tempo morto

Aproveitá-lo convém

Como meu desforço.

Quanto mais o cerco se aperta

E a hora se aproxima

Enquanto eles não vêm

Vou manter-me alerta.

Seu poder é limitado.

Enquanto eles não vêm

Não me sinto encurralado

Menos prisioneiro de alguém.

Enquanto eles não vêm

Minha vida continua

A força que eles tem

Não é da liberdade gazua.

Falo ou não falo?

Não falo de sonhos. Não falo de pesadelos. Falo de pessoas.Pessoas que por mim passam e não as vejo. Pessoas que deviam estar perto masestão longe. Que deviam ter um sorriso, mas não tem nem um esgar .Pessoas quenem amo nem odeio. Que não me são caras nem adversas. Que tem a alma das coisasperdidas. A tristeza no porte e no olhar. Pessoas que olham para dentro e temnuvens no semblante. Pessoas que não rasgam caminhos, mas que passam a vida aandar. Pessoas sem rumo definido e sem passado vivido. Pessoas que são vidasperdidas e nem sentem desejo de se reencontrar .Pessoas sem partir nem chegar.Pessoas sem dar nem receber. Pessoas a quem faltou o sonhar.

 

Fazer poemas

Talvez por não saberfazer poemas faço poemas sobre o fazer poemas

Nada de mais labirínticodo que um poema

Nada de mais multiformedo que um poema

(não os meus, mas os quedestilam poesia)

Nada de mais milagroso doque um poema

Milagre de míseras vogaise consoantes

Nada de mais criativo doque um poema

(não os meus, mas osescritos na linguagem

dos deuses)

Nada do nada nascido

Nada pelo poema absorvido

Nada de palavras, só depalavras urdido

Nada sempre abscôndito,mas sempre intuído.

Fazer Poemas

Talvez por não saberfazer poemas faço poemas sobre o fazer poemas

Nada de mais labirínticodo que um poema

Nada de mais multiformedo que um poema

(não os meus, mas os quedestilam poesia)

Nada de mais milagroso doque um poema

Milagre de míseras vogaise consoantes

Nada de mais criativo doque um poema

(não os meus, mas osescritos na linguagem

dos deuses)

Nada do nada nascido

Nada pelo poema absorvido

Nada de palavras, só depalavras urdido

Nada sempre abscôndito,mas sempre intuído.

humana condição

  1. A estrela por cima
    por baixo a porcaria
    Condição que se afirma
    Como uma filosofia

    A estrela por cima
    Bem pode iluminar a vida
    Mas por baixo a porcaria
    Dá-lhe o peso e a medida
    ...

    Por baixo a porcaria
    É a regra do WC
    Por cima a estrela
    - a luz que só entrevi.


    Niso 3.7.2014

Ilha ao perto

A ILHA AO PERTO

 

 

 

 

Pedra torrada

Transtorno do mundo

Do mar profundo

A custo arrebatada

 

Terra queimada

De solo fecundo

Contigome confundo

Na vidainsulada

 

Sentir deausência

Rosto dasaudade

Em que merevejo.

 

Assomo deconsciência

Sonhandoa eternidade

Ao menorensejo.

 

 

Lágrimas

Lágrimas

Lágrimas queimadas
Por causas amargas
- A solidão, o desespero
A angústia sem termo
O adeus saudoso
O parto doloroso,
Guardai-as no coração
Esquecê-las é que não.

Lágrimas vertidas
Por falhas cometidas
- o descuido, o desleixo,
O escárneo, o motejo
O ar de desdém
Lançado a alguém,
Acolhei-as no coração
Esquecê-las é que não.

Lágrimas em choro
Por penas sem decoro
A humilhação,
a vil traição
o amor desprezado
ou vilipendiado.
Com elas molhai o rosto
O coração é que não.


Manhã

. A manhã chegou

 Dourada de sol eesperança

A noite passou

Em sono lento.

O dia não será diferente

Mas resta a confiança

Sempre presente

Em firme aliança

Manhã insular

  1. A manhã espreita
    por entre brumas
    e neblinas baças.
    O céu mal se ajeita
    às núvens de chumbo
    que nada ultrapassa.
    A noite que acabou
    deixou-nos como herança
    um dia opaco
    espesso...
    denso
    sombrio
    compacto
    e para viver
    a contrapasso.

    Niso 4.7.2014

Manhã Insular

A manhã espreita por entre brumas e neblinas baças. O céu mal se ajeita às núvens de chumbo que nada ultrapassa. A noite que acabou deixou-nos como herança um dia opaco espesso denso sombrio compacto e para viver a contrapasso. Niso 4.7.2014

Marginal

Marginal
nas margens
do livro
da vida.
Marginal
esgotado
antes 
do fim 
da corrida.
Marginal
sempre 
a descer
na tentativa
da subida.
Marginal
para todo
o sempre
no beco 
sem saída.
Marginal
não tem
regresso.
Só tem
ida.

Mau fado


 

O mau fado e a hora má

Minha vida marcaram

O mau fado sempre será

A herança que me deixaram

 

O mau fado e a hora má

Aprazaram um encontro

O destino decidirá

De tão fatal confronto

 

O mau fado e a hora má

Sempre juntos se conjugam.

Nenhum bem advirá

De tais forças que me subjugam

 

O mau fado e a hora má

São minha companhia astral

O mau fado comigo está

E estará para meu mal.

 

D.S. 21.5.2014

Metáfora


Numa jaula de oiro antigo
Um leão está cativo.
O leão é meu amigo
Porque vive, também vivo.

Em tempos era feroz
O meu amigo leão
Amansou-se à minha voz
Hoje é o meu coração.

O nada que é tudo


 

 

Não estou pensando em nada

Meu cogitar é do nada

Estou vivendo o nada

Na sua nudez emplumada

 

O nada antes de tudo

O nada acima de tudo

Não é nada, contudo

É tudo, sobretudo

 

O nada não é o que resta

Da soma nula da vida.

O nada é o que lhe empresta

A dimensão e a medida

 

O nada não é o limite

Não é nenhuma fronteira

Não é a negação, existe

Como o gonzo na ombreira

 

Do nada fez o criador

As coisas e o mundo

Matéria prima e valor

De todas as coisas o fundo

 

O ser e o nada

Se igualam

Na sua indeterminação.

O ser, o imediatamente

 Determinado

É na realidade o nada

E não a sua contraposição.

 

Não estar pensando em nada

É pensar o nada

Como objecto em geral

É dar a primeira passada

No domínio do transcendental.

 

Niso. 18.5.2014

 

Ora bolas!

Bola cá
bola lá
Assim não dá
Bola vai
Bola Vem
Tio Sam
sobressai
Bola no ar
Bola no chão
Resta-nos a consolação
das contas de somar
Arrancadas à Nani
Fintas à Ronaldo
Nem nos põe a salvo
O Varela como nunca o vi

Outono

Outono em que que as maçãs arredondam

Outono em que as uvas se despedem da videira

Outono de ramos que se desnudam

Outono dos vidros embaciados

Outono das chuvadas mansas.

Outono da natureza entristecida e delida

Passado

Sonetilho 

Passado

 

Reviver o passado

Na paz

Que traz

O tempo recordado.

 

A memória do passado

Faz

E refaz

Mesmo o facto olvidado.

 

Dias que passaram

Recordações que não esquecem

Da vida vivida.

 

Momentos que recuperam

As horas, na margem

Da experiência esquecida.

Petição

 Sonetilho


 

Na vida em que vicejo

Tenho estranhos momentos.

Em cada hora revejo

Flutuantes pensamentos.

 

Dia que começa e acaba

Apontando ao futuro.

Dia de longa meada

Que se tece com apuro.

 

Vida que por mim passas

Meus sonhos não desfaças

Que me deixas inseguro

 

Não tenho mais pedidos

Nem desejos escondidos

Nem desígnio obscuro.


Porque não?

Mas porque não a alegria?

A esperança desponta

A felicidade assoma

O sol nasce em cada dia.

 

Mas porque não a alegria?

O mundo se descobre

A natureza renasce

Razões para a euforia

 

Mas porque não a alegria?

O inverno é passageiro

A primavera jubilosa

O verão traz acalmia

 

Mas porque não a alegria?

Na força da juventude

Na segurança da maturidade

Nem a velhice o impedia.

 

Mas porque não a alegria?

Na terra com serenidade

Nos céus com confiança

Pugnando pela harmonia.

 

 

Quadras ao divino

Deus vos salve ó casasanta

Onde Cristo é nosso pão

Carne e vinho sobre a mesa

Para a divina função.

Glória ao divino Senhor

Rei da nossa coroação

Massa sovada do amor

E alcatra do coração

O Senhor Espírito Santo

E a divina Eucaristia

São duas forças nopranto

E no império da alegria

Vinho de cheiro na mesa

Sangue de Cristo no altar

São o pão nosso da pobreza

Para o povo alimentar

Niso 28.7.2015

Quadras ao Divino

Deus vos salve ó casasanta

Onde Cristo é nosso pão

Carne e vinho sobre a mesa

Para a divina função.

Glória ao divino Senhor

Rei da nossa coroação

Massa sovada do amor

E alcatra do coração

O Senhor Espírito Santo

E a divina Eucaristia

São duas forças nopranto

E no império da alegria

Vinho de cheiro na mesa

Sangue de Cristo no altar

São o pão nosso da pobreza

Para o povo alimentar

Niso 28.7.2015

Rio de palavras

Sou um rio de palavras

Em luta constante

 contra a violência dassuas margens

 que são as ideias.

 

Sou um rio de palavras

Que teima em desmentir

Heraclito – o obscuro.

Banho-me uma e outra vez

Nas mesmas águas deste rio.

 

Sou um rio de palavras

 que nunca chega

a pressentir a sua foz.

Tanto pode desaguar

 Num mar vasto  de ideias

Ou num turbulento lago de emoções

 

Sou um rio de palavras

qual dicionário de milhões de entradas

mas demandando umas às outras

a riqueza dos seus signos

ou a pobreza das suas significações

 

Sou um rio de palavras

que desconhece a sua nascente

as palavras não nascem

derivam ao sabor da  corrente.

Niso 3.6.2014

 

Sexo

  1. Sexo
    complexo
    amplexo
    Mero reflexo
    Desconexo
    E que pode deixar perplexo
    Quem lhe procura o nexo.

Triolé

A chuva cai violenta
Cai da nuvem escura.
Sobre a terra sedenta
A chuva cai violenta
Copiosa e lenta
sem tempero nem mesura
A chuva cai violenta
Cai na minha tristura.

Uma brincadeira do catano!


 

Ao meio dia

Com fulano

Tive um encontro

Do catano

 

Não fiquei ufano

Nem infeliz.

Mas foi um azar

Do catano.

 

Não se chama Elmano

Que nome terá?

Tem aspecto insano

Este catano

 

Como nódoa no pano

Sempre provoca

Um dano

Do catano

 

É humano

Ou sobre humano?

Este figurão

Do catano.

 

A este carcamano

Não fico preso

Mas também não desprezo

Co catano

 

Greco-romano

Não parece

Mas é antigo

Comó catano

 

Citadino ou paisano

De ano para ano

Parece mais balzaquiano

este catano!

 

Não sei se é muçulmano

Ou caucasiano

Mas tem um aspecto

Do catano

 

Com ar provinciano

E parecer leviano

Não passa dum marçano

Este catano

 

Seja moicano

Seja americano

Dá- se ares de soberano

Este catano.

Niso 22.5.2014

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