Lista de Poemas

Luxúria

Quero descobrir
Teu corpo, teu suor
Percorrendo, correndo
Sem pressa os instintos.
Deixar mãos
Colarem pernas
Marcarem seios
Rasgarem bocas.
Quero tua descoberta
Feita em meu corpo
Na luxúria nossa de cada dia.

1 284

Cartografia

Deixe que meus versos
Acariciem teu pescoço
Para que cada palavra de minha boca
Busque os segredos profundos de tua pele.
Em verbos e adjetivos
Mapearei a geometria de tuas formas
Delirando entre sonhos e verdades
E desejos
E loucuras
E vivências.
Entre o toque da caneta no papel
E o de minha língua em tua língua
Vai uma distância tão curta
Que escala alguma representará.
Derrubando fronteiras
Com rios de prosa e versejar
Traçarei meandros de corpos em corpos
Estremecendo as atmosferas de nossos toques.
E quando o último verso meu
Escorregar de tuas pernas
Eu me afastarei
E contemplarei
Cada linha eterna de tua beleza,
Eternamente gravadas em mim.
E saberei não haver distância
Entre minhas palavras e tua boca.

1 419

Homenagem

Ah, o pecado!
Viva o pecado
Que esconde em si
A mais casta virtude.
Pequemos todos, então,
Pois a alternativa
É sermos todos pequenos e vãos.

Deixemos correr
Mãos sobre nádegas
E olhares incestuosos
Sobre nossas próprias amantes.
Degolemos padres e pastores
(que também pecam, só que pecam
escondidos)
Pelo horror de terem inventado
As velhas beatas que nunca souberam
pecar.

E pequemos sem culpa
Porque culpa e pecado
Não sabem dançar um maxixe,
Só valsas vienenses.
Quando muito!
O pecado é belo,
Fulgurante e molhado;
Feito para ser deliciado
Como outra língua em nossa boca.

Fiquemos apenas com a angústia
Do pecado mal feito
Ou do jamais cumprido.
Pequemos o aqui e no agora
O pecado doce
Da quase-castidade abandonada.

Sem o pecado
Não acredito na sinceridade de Deus.

881

Receita

Eu sonhei com tua pele
E ela cheirava:
Almíscar
Canela
Pimenta.
Tempero e mulher.
Verti memórias em desejos
Cozinhando minha angústia
Nos sumos do teu corpo:
Saliva
Sêmem
Suor
Gemidos.
Fome e fantasia.

970

Canto de nudez

Dá-me tua nudez,
Tua nudez úmida
Outorgada em pêlos e dobras,
Nas dobras desfeitas
De dez e mil lençóis

Dá-me tua nudez,
Tua nudez traçada,
Declarada em gotas e curvas,
Nas vidas desfeitas
Por uma ou tantas canções.

Dá-me tua nudez,
Tua nudez rasgada,
Marcada em veias e carnes,
Nos pactos esquecidos
De todas e outras juras.

Dá-me tua nudez,
Tua nudez faminta,
Destrancada de almas e corpos,
Nos sonhos destruídos
De meus e teus desejos.

1 155

Dança

Eu me lembro de teu corpo
Esgueirando-se sensual
Pela gula de meu olhar.
No compasso rítmico,
Sibilando,
Trazendo para mim
Tua arte feita de carne.
Degusto na memória,
Ansioso,
O arfar de teus seios
E o suor de tua face.
Que gozo escondia teu sorriso?

907

Comentários (0)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.

NoComments

Identificação e contexto básico

Paulo Montalverne é um poeta português. A data e local de nascimento, assim como detalhes sobre a sua origem familiar e contexto cultural, não são amplamente divulgados na esfera pública. A sua nacionalidade é portuguesa e a sua língua de escrita é o português.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a infância e formação de Paulo Montalverne não estão disponíveis publicamente. Sabe-se que a sua formação intelectual e sensibilidade poética foram moldadas ao longo do tempo, levando-o a desenvolver uma carreira literária.

Percurso literário

Paulo Montalverne tem vindo a construir o seu percurso literário através da publicação de obras poéticas. O seu início na escrita e a evolução do seu estilo são aspetos que se desenrolam no contexto da poesia portuguesa contemporânea. A sua participação em antologias e eventos literários contribui para a sua visibilidade.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Paulo Montalverne caracteriza-se pela exploração de temas como a identidade, a memória, a fugacidade do tempo, a relação do ser humano com o espaço e a sociedade. A sua poesia é frequentemente marcada por uma linguagem lírica, reflexiva e, por vezes, introspectiva. Utiliza recursos estilísticos que visam captar a complexidade das emoções e das perceções. O seu estilo é reconhecido pela sua autenticidade e pela profundidade com que aborda as suas temáticas. A sua escrita insere-se no contexto da poesia contemporânea portuguesa, dialogando com as preocupações estéticas e temáticas atuais.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Paulo Montalverne produz a sua obra num Portugal contemporâneo, marcado por rápidas transformações sociais, tecnológicas e culturais. Insere-se no panorama literário que procura responder aos desafios do século XXI, mantendo um diálogo com a tradição e, ao mesmo tempo, explorando novas formas de expressão.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Os detalhes sobre a vida pessoal de Paulo Montalverne são limitados. A sua dedicação à poesia sugere uma forte ligação com o mundo interior e a expressão artística como forma de compreensão e comunicação.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A obra de Paulo Montalverne tem sido progressivamente reconhecida no meio literário português, quer por parte da crítica, quer por parte de um público leitor que valoriza a poesia contemporânea. A sua participação em eventos e a publicação em antologias contribuem para a sua afirmação.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado O seu legado está em construção, mas a sua poesia contribui para a diversidade da expressão poética em língua portuguesa. As suas influências podem ser variadas, abrangendo autores da tradição literária e contemporâneos que o inspiram na sua própria escrita.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Paulo Montalverne convida a reflexões sobre a condição humana, a importância da memória e a forma como construímos a nossa identidade num mundo em constante mutação. A sua obra pode ser interpretada como um convite à contemplação e à introspeção.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Aspetos menos conhecidos da sua vida ou hábitos de escrita não são amplamente divulgados, mantendo-se uma aura de mistério em torno da sua figura pública.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Sendo um autor contemporâneo, a questão da sua morte e publicações póstumas não se aplica neste momento. A sua memória está associada à sua obra em curso.