Lista de Poemas

Soneto

Três vezes vi, Marília, de alva lua,
Cheio de luz o rosto prateado,
Sem que dourasse o campo matizado,
A linda aurora da presença tua.

Então subindo à serra calva e nua,
De um íngreme rochedo pendurado,
Os olhos alongando pelo prado,
Chamava, mas em vão, a morte crua.

Ali comigo vinham ter pastores,
Que meus suspiros férvidos ouviam,
Cortados do alarido dos clamores.

Tanto que a causa do meu mal sabiam,
Julgando sem remédio minhas dores,
Por não poder-me consolar, fugiam.

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Identificação e contexto básico

Pedro António Correia Garção foi um poeta português. Nasceu em Lisboa, a 7 de junho de 1724, e faleceu na mesma cidade, a 26 de novembro de 1772. Pertenceu a uma família de alguma abastança, o que lhe permitiu uma educação cuidada. Escreveu em português e viveu durante o século XVIII, um período de transição entre o Barroco tardio e o Neoclassicismo.

Infância e formação

Garção teve uma infância marcada por uma educação esmerada, típica da sua classe social. Frequentou a Universidade de Coimbra, onde estudou Direito, um percurso académico comum para jovens da sua época e estatuto. Durante a sua formação, teve contacto com os autores clássicos greco-latinos, que viriam a ser uma grande influência na sua obra, bem como com as correntes literárias europeias que começavam a despontar, como o Arcadismo.

Percurso literário

O início da escrita de Garção coincidiu com a sua juventude e formação académica. A sua poesia desenvolveu-se sob a égide do Neoclassicismo, com uma clara preferência por temas pastoris, idílicos e reflexivos, inspirados nos modelos greco-latinos. A sua obra, embora não extensíssima, é representativa do Arcadismo português. Participou em tertúlias literárias da época e os seus poemas circulavam entre os seus pares.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra principal de Garção inclui poemas de carácter lírico e bucólico. Os temas dominantes na sua poesia são a natureza idealizada, o amor sereno, a fugacidade do tempo e a busca da virtude e da sabedoria, inspirados nos pastores da Antiguidade. A forma preferencial era o soneto, que dominava com mestria, mas também explorou outras formas métricas. O seu estilo caracteriza-se pela clareza, pela elegância, pela contenção emocional e pela musicalidade do verso, com um vocabulário cuidado e um tom geralmente sereno e reflexivo. A sua poesia insere-se no movimento do Arcadismo, valorizando a simplicidade, a harmonia e a inspiração nos modelos clássicos.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Garção viveu num período de importantes mudanças em Portugal, com o Iluminismo a ganhar terreno e o Marquês de Pombal a empreender reformas significativas. O Arcadismo literário em Portugal, também conhecido como Neoclassicismo, refletia um desejo de renovação e de retorno à ordem e à clareza dos clássicos, em oposição aos excessos do Barroco. Garção, como poeta, dialogava com este movimento e com os círculos literários da época, como a Arcádia Lusitana.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Pouco se sabe detalhadamente sobre a vida pessoal de Garção para além do seu percurso académico e literário. Sabe-se que frequentou a Universidade de Coimbra e que se dedicou à poesia. As suas relações pessoais e a sua visão de mundo foram, sem dúvida, moldadas pelo ambiente intelectual e social da Lisboa do século XVIII.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Garção foi reconhecido em vida como um dos poetas mais importantes da sua geração, um expoente do Arcadismo português. A sua obra foi valorizada pela sua perfeição formal e pela sua elegância. Embora não tenha recebido prémios institucionais na forma moderna, a sua inclusão em antologias e a sua circulação em meios literários atestam o seu prestígio. O reconhecimento da sua obra perdurou ao longo do tempo como um marco do Neoclassicismo em Portugal.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Garção foi fortemente influenciado pelos poetas greco-latinos, como Virgílio e Horácio, e pelos poetas italianos do Arcadismo, como Petrarca. A sua obra, por sua vez, influenciou poetas posteriores que procuraram a pureza clássica e a elegância formal. O seu legado reside na consolidação do Arcadismo em Portugal e na demonstração de um domínio técnico e estético notável.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Garção é frequentemente analisada sob a ótica do Neoclassicismo, destacando-se a sua adesão aos ideais de equilíbrio, razão e harmonia. As suas críticas centram-se na profundidade emocional, por vezes considerada contida em excesso, mas também na sua capacidade de evocar beleza e serenidade.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Um aspeto interessante é a sua capacidade de conciliar a formação jurídica com a veia poética, mostrando a versatilidade intelectual de alguns autores da época. A sua morte prematura, em plena juventude criativa, deixa em aberto o que mais poderia ter produzido.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Pedro António Correia Garção faleceu em Lisboa, em 1772, de forma relativamente prematura. A sua memória perdura como a de um dos principais poetas do Arcadismo português, com a sua obra a ser estudada e apreciada em antologias de poesia clássica portuguesa.