Pedro Corsino Azevedo

Pedro Corsino Azevedo

1905–1942 · viveu 37 anos CV CV

Pedro Corsino Azevedo foi um poeta português cuja obra se insere no contexto do século XIX. Sua poesia é caracterizada por um lirismo melancólico e introspectivo, explorando temas como o amor, a saudade e a fugacidade da vida. Azevedo é reconhecido por sua habilidade formal e pela sensibilidade com que aborda os sentimentos humanos, deixando um legado de versos que ressoam pela sua delicadeza e profundidade.

n. 1905, Vila da Ribeira Brava/Cabo Verde · m. 1942, Vila da Ribeira Brava

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Galinha Branca

Sol de Agosto.
Raios a prumo.
Nem dá gosto
Viver.

Litoral ardente.
Montes nus.
Pó vermelho,
Na valsa doida do vento leste.

Meio-dia.
Nem pinga de água...
O céu plasmando infêrnos.
A agonia
Da gente pobre
- Pobre de tudo -,
O olhar mudo
Que sufoca gritos
Que não partem.

Mas:

Noite de luar,
Vento amainado.
Depois da ceia,
Brincam crianças
Ao canto da varanda:

Galinha
Branca
Que anda
Por casa
De gente
Catando
Grão
De milho.
E mais:
É mim
É bô
É Carlos
É Valério
É Fêdo.


Somos todos, todos,
Catando
Grão
De milho
Em anos de crise,
E mais...

- Não!...


Canivetinho
Canivetão


França.


Galinha branca
O espectro da morte
A sorte
De todos.

Olha pra mim!
Assim.


Canivetinho
Canivetão


França.
- A única esperança...


França lendária
Terra longínqua
De onde os meninos
Costumam vir em cestos
E para onde
Em anos de crise
Num cesto de pau
(Mácabra nau!)

Canivetinho
Canivetão

Coitadinhos
Vão!...
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Biografia

Identificação e contexto básico

Pedro Corsino Azevedo foi um poeta português. Não há registos amplamente divulgados sobre pseudónimos ou heterónimos que tenha utilizado. A sua obra pertence ao século XIX, um período de efervescência literária e cultural em Portugal.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a infância e a formação de Pedro Corsino Azevedo são escassas na historiografia literária. Presume-se que tenha recebido uma educação condizente com a sua origem social, possivelmente com acesso a estudos literários e clássicos.

Percurso literário

O percurso literário de Pedro Corsino Azevedo está ligado à produção poética do século XIX em Portugal. Embora não seja uma figura central nos movimentos literários mais proeminentes da época, como o Romantismo ou o Realismo, a sua obra contribuiu para a diversidade lírica do período. O início da sua escrita terá ocorrido na juventude, seguindo os cânones poéticos da altura.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Pedro Corsino Azevedo caracteriza-se por um lirismo contido e introspectivo. Os temas recorrentes incluem o amor, a ausência, a saudade e a reflexão sobre a transitoriedade da existência humana. O estilo é marcado pela elegância formal, com um uso cuidado da linguagem e dos recursos poéticos tradicionais, como a métrica e a rima. A voz poética tende a ser melancólica e contemplativa, expressando uma sensibilidade apurada face aos sentimentos humanos.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Pedro Corsino Azevedo viveu num período em que Portugal passava por transformações sociais e políticas significativas. A literatura da época refletia essas mudanças, com a coexistência de correntes como o Romantismo, com a sua ênfase na emoção e no individualismo, e o Realismo, com a sua crítica social. A obra de Azevedo parece mais alinhada com as tendências líricas e sentimentais, talvez dialogando com as vertentes mais intimistas do Romantismo ou antecipando sensibilidades posteriores.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Os pormenores sobre a vida pessoal de Pedro Corsino Azevedo são limitados. A sua obra sugere uma personalidade sensível e talvez um tanto reclusa, voltada para a contemplação e a exploração dos seus sentimentos mais íntimos. Não há registos significativos sobre envolvimento político ou atividades profissionais fora do âmbito literário.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Pedro Corsino Azevedo parece ter sido discreto na sua época e não alcançou a notoriedade de outros poetas contemporâneos. A sua obra pode ter sido valorizada por um círculo restrito de leitores e críticos que apreciavam o lirismo mais intimista e formalmente cuidado. O reconhecimento póstumo é limitado, sendo frequentemente lembrado em estudos mais aprofundados da poesia portuguesa do século XIX.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado É provável que Pedro Corsino Azevedo tenha sido influenciado pelos poetas românticos portugueses e estrangeiros. O seu legado reside na sua contribuição para a diversidade da poesia lírica portuguesa, com versos que expressam com delicadeza as emoções humanas. A sua obra, embora menos proeminente, enriquece o panorama literário do século XIX.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Azevedo pode ser interpretada como uma expressão da melancolia e da introspecção que caracterizam certas vertentes da poesia do século XIX. As análises críticas, quando existentes, tendem a focar na sua mestria formal e na capacidade de evocar estados de alma de forma sensível e subtil.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Dado o escasso material biográfico disponível, os aspetos menos conhecidos da vida e obra de Pedro Corsino Azevedo são numerosos. A sua produção poética pode ter sido limitada ou de difícil acesso, o que contribui para a sua relativa obscuridade.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há informações facilmente acessíveis sobre as circunstâncias da morte de Pedro Corsino Azevedo. Publicações póstumas da sua obra, se existirem, também não são amplamente documentadas, o que contribui para a sua menor visibilidade na história da literatura.

Poemas

3

Galinha Branca

Sol de Agosto.
Raios a prumo.
Nem dá gosto
Viver.

Litoral ardente.
Montes nus.
Pó vermelho,
Na valsa doida do vento leste.

Meio-dia.
Nem pinga de água...
O céu plasmando infêrnos.
A agonia
Da gente pobre
- Pobre de tudo -,
O olhar mudo
Que sufoca gritos
Que não partem.

Mas:

Noite de luar,
Vento amainado.
Depois da ceia,
Brincam crianças
Ao canto da varanda:

Galinha
Branca
Que anda
Por casa
De gente
Catando
Grão
De milho.
E mais:
É mim
É bô
É Carlos
É Valério
É Fêdo.


Somos todos, todos,
Catando
Grão
De milho
Em anos de crise,
E mais...

- Não!...


Canivetinho
Canivetão


França.


Galinha branca
O espectro da morte
A sorte
De todos.

Olha pra mim!
Assim.


Canivetinho
Canivetão


França.
- A única esperança...


França lendária
Terra longínqua
De onde os meninos
Costumam vir em cestos
E para onde
Em anos de crise
Num cesto de pau
(Mácabra nau!)

Canivetinho
Canivetão

Coitadinhos
Vão!...
1 901

Conquista

Trás!...
Explodiu a Verdade,


Agora sou capaz
De tudo
Indiferente e quedo e mudo
Deixarei escangalhar o brinquedo
Que temi na Infância,
Rasgou-se o céu em mil fatias lindas,


Ricos
Fanicos
Que recolhi na mão.

Desilusão!
Cristal, cristal, cristal!

E eu a namorar o mal...
1 368

Terra longe

Aqui, perdido, distante
das realidades que apenas sonhei,
cansado pela febre do mais-além,
suponho
mimha mãe a embalar-me,
eu, pequenino, zangado pelo sonho que não vinha.

"Ai, não montes tal cavalinho,
tal cavalinho vai terra-longe,
terra-longe tem gente-gentio,
gente-gentio come gente"

A doce toada
meu sono caía de manso
da boca de minha mãe:

"Cala, cala, meu menino,
terra-longe tem gente gentio
gente-gentio come gente".

Depois vieram os anos,
e, com eles, tantas saudades!...
Hoje, lá no fundo, gritam: vai!
Mas a voz da minha mãe,
a gemer de mansinho
cantigas da minha infância,
aconselha ao filho amado:

"Terra-longe tem gente-gentio,
gente-gentio come gente".
Terra-longe! terra-longe!...
- Oh mãe que me embalaste
- Oh meu querer bipartido!
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Comentários (2)

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vany
vany

obrigada

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voces não dão ao pedro corsino azevedo valor