Citações
Citações para inspirar e refletir
A distorção da realidade na reportagem é a reportagem mais verídica sobre a realidade.
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A relação dos jornais com a vida é mais ou menos a mesma das cartomantes com a metafísica.
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A vaidade é a guardiã imprescindível de um dom divino. É loucura exigir que a mulher abandone a sua beleza sem proteção e que o homem faça o mesmo com o seu espírito só para não ofender a pobreza. É tolice afirmar que um valor não deva referir-se a si mesmo para não revelar a falta de valor de outro. Quem me acusa de ser vaidoso torna-se suspeito de inveja, que nem de longe é uma qualidade tão bela quanto a vaidade. Mas quem se atreve a dizer que não sou vaidoso, torna-me suspeito de pobreza.
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O pitoresco e o musical são argumentos que acabam com qualquer objeção. E há efeitos sobre os nervos de que nem mesmo o espírito mais antagonista pode se esquivar. Quando todos os sinos dobram, abraço um vereador.
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A ciência não atravessa os abismos do pensamento, apenas se encontra diante deles sob a forma de uma placa de advertência. Os infratores agem por sua própria conta e risco.
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A tarefa da religião: consolar a humanidade que se dirige ao patíbulo; a tarefa da política: tirar-lhe o gosto pela vida; a tarefa do humanitarismo: abreviar-lhe o tormento e envenenar logo de uma vez a sua última refeição.
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Anestesia: ferimentos sem dor. Neurastenia: dor sem ferimentos.
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A evolução do escritor: no início não se está habituado e por isso as coisas correm às mil maravilhas. Mas depois vai ficando sempre mais difícil, e quando enfim pegamos o jeito, há muitas frases que não conseguimos concluir.
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A prostituição do corpo partilha com o jornalismo a capacidade de não precisar sentir, mas o supera pela capacidade de poder sentir.
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A histeria é o resto legítimo que fica da mulher depois que o prazer masculino encontrou a sua congruência.
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Observe-se uma vez como os senhores respeitáveis cumprimentam uma mulher de quem “se fala”. No cumprimento unem-se o orgulho reservado do pilar da sociedade e o olhar cúmplice, de conhecedor, do ajudante de feira. As duas coisas dão-nos vontade de esganá-los.
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Pessoas que beberam além da conta para saciar a sua sede de conhecimento são uma praga social.
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Minha língua é a puta de todo mundo que transformo em virgem.
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Alguma verdade sempre se encontra. Dizem que certa vez fui monista. Eu realmente escrevi certa vez algo contra o monismo. Dizem que não consegui publicar naquele jornal que mais tarde combati. Eu realmente recusei as suas propostas. Dizem que procurei insinuar-me na intimidade de um sujeito influente por meio de uma carta. Realmente recebi dele uma carta desse género. Em suma, alguma verdade sempre se encontra.
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Formação é aquilo que a maioria recebe, muitos transmitem e poucos possuem.
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A arte deve desagradar. O artista quer agradar, mas não faz nada para agradar. A vaidade do artista satisfaz-se na criação. A vaidade da mulher satisfaz-se no eco. Ela é criativa como aquela, como a própria criação. Ela vive no aplauso. O artista a quem a vida recusa o aplauso de direito, antecipa-o.
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A polícia vigia com rigor para que apenas a velhice e a feiura se entreguem ao vício. Só é aceita num bordel aquela cuja corrupção datar de uma era policial anterior e cuja virtude tenha caído mais ou menos na mesma época em que caíram as muralhas da cidade. Ela precisa ser uma emeretriz... As inválidas cantam: “Eles nos sustentaram!”.
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A moral na vida sexual é o expediente de um rei persa que acorrenta o mar agitado.
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A crítica nem sempre demonstra a sua perspicácia habitual; com frequência, ignora os fenómenos mais insignificantes.
50
A nova psicologia atreveu-se a cuspir no mistério do génio. Se ela não se contentar com Kleist e Lenau, ficarei de sentinela e expulsarei os vendedores ambulantes da medicina que ultimamente fazem ouvir o seu “Quer um tratamento?” por toda a parte. A sua teoria pretende estreitar a personalidade depois de ter ampliado a irresponsabilidade. Enquanto o negócio permanecer uma prática privada, os interessados que se defendam. Mas quanto a Kleist e Lenau, vamos tirá-los do consultório!
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A ideia que faço dele não é incorreta. Se ele é diferente, isso nada prova contra minha imaginação: é o sujeito que é incorreto.
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O facto de um tema ser artístico não o deve prejudicar necessariamente junto do público. Superestima-se o público ao acreditar que ele leva a mal a excelência da representação. Ele, de forma alguma, dá-lhe atenção, e também tolera com tranquilidade coisas valiosas desde que o objecto, casualmente, corresponda a um interesse vulgar.
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A atriz é a mulher elevada à potência; o ator, o homem de quem se extraiu a raiz.
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A vida maquinal estimula a poesia interior, o ambiente artístico a paralisa.
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A obra de arte dramática nada tem a fazer no palco. O efeito teatral de um drama deve chegar até o desejo de o ver encenado: mais do que isso destrói o efeito artístico. A melhor representação é aquela que o leitor faz do mundo do drama.
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A sátira está longe de toda a hostilidade e significa um benefício para uma coletividade ideal, rumo à qual ela avança não contra, mas através dos indivíduos reais.
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Alguém que é capaz de escrever aforismos não deveria estilhaçar-se em artigos.
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A destruição de Sodoma foi um exemplo. Durante todas as épocas pecar-se-á antes de um terramoto.
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A mais arruinada das existências é a de uma pessoa que não tem justificação para ser uma nódoa na sua família nem um refugo da sociedade.
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A vida é um esforço que seria digno de uma causa melhor.
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Onde começa propriamente a repugnância e onde ela acaba? Por que não existem privadas para refeições? Comer publicamente e digerir às ocultas, eis o que convém a nobres senhoras e senhores! E, no entanto, nada ultrapassa o descaramento de uma table d’hôte .
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Ao são basta a mulher. Ao erotista basta a meia para chegar à mulher. Ao doente basta a meia.
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A ideia de que um jornalista escreva com a mesma correção sobre uma nova ópera quanto sobre um novo regulamento parlamentar tem algo de inquietante. Ele certamente também poderia dar lições a um bacteriólogo, a um astrónomo e talvez até a um pastor. E se um especialista em matemática superior lhe cruzasse o caminho, ele provar-lhe-ia que é versado em matemáticas ainda mais altas.
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A solidão na qual se está ocupado consigo mesmo ainda está longe de ser a verdadeira.
50
A boca transborda daquilo que o coração está vazio.
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A ciência antiga não reconhecia o impulso sexual nos adultos. A ciência moderna admite que já o lactente tenha sensações voluptuosas ao evacuar. A concepção antiga era melhor. Pois pelo menos era contradita por determinadas declarações dos envolvidos.
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“Eis que tu o verás com os teus olhos, porém disso não comerás.” Para os descrentes de hoje, as coisas cumpriram-se de outra forma. Eles comem o que não chegam a ver. Isso é um milagre que acontece por toda a parte em que a vida é vivida de segunda mão: no caso de fariseus e de escribas.
53
A matéria a que o compositor dá forma é o som, e o pintor fala por meio de cores. Por isso, nenhum leigo respeitável que fala apenas por meio de palavras se atreve a emitir um juízo sobre música ou pintura. O escritor dá forma a um material acessível a qualquer um: a palavra. Por isso, qualquer leitor se atreve a emitir um juízo sobre a literatura. Os analfabetos do som e da cor são modestos. Mas pessoas que sabem ler não são consideradas analfabetas.
52
A vida moderna deve explicar de algum modo uma desproporção entre oferta e procura. De outra forma, não seria possível que um diálogo socrático fosse interrompido tantas vezes por alguém a perguntar-nos se queremos comprar uma escova de dentes.
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A língua é a vara de vedor que encontra fontes de pensamento.
50
Ai do tempo em que a arte não faz a terra vacilar e em que, diante do abismo que separa o artista do homem, o artista é tomado por vertigens e não o homem!
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É inegável que sou alguém que escreve muito. Mas, na verdade, isso deve-se a uma compulsão irresistível. É certo que nenhuma máquina de escrever se pode queixar de que a sobrecarreguei. Mas é correto dizer que a minha mão nem sempre consegue acompanhar as ordens da minha cabeça. Como invejo os autores cuja cabeça não consegue acompanhar as necessidades da sua mão! Eles, pelo menos, podem descansar.
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A verdade é um criado desajeitado que espatifa os pratos quando faz a faxina.
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“Mais vale suportar os males que temos do que ir em busca de males desconhecidos.” Só não entendo como a justificação da forma monárquica de Estado possa chegar ao entusiasmo.
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A seriedade da vida é a brincadeira do adulto. Só que ela não se deixa comparar com as coisas razoáveis que enchem um quarto de criança.
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Amar, ser enganado, ficar com ciúmes — isso qualquer um consegue. O outro caminho é mais incómodo: ficar com ciúmes, ser enganado e amar!
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Quem não vê bem uma palavra não pode ver bem uma alma.
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Tenho tanto sentimento Que é frequente persuadir-me De que sou sentimental, Mas reconheço, ao medir-me, Que tudo isso é pensamento, Que não senti afinal.
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