Citações
Citações para inspirar e refletir
Violentas alegrias têm fim violento, falecendo no triunfo, como a pólvora e o fogo, que num beijo se consomem.
O mar é um mundo vasto; e há muito amor no mar.
O teu senhor está rico; é por isso que todos te chamam de generoso. Se ele fosse pobre, ninguém o chamaria de amigo.
O amor é um feitiço que nos faz ver coisas que não existem.
O caminho do verdadeiro amor nunca foi tranquilo.
Amar a si mesmo é mais fácil do que amar os outros, pois o amor-próprio é a base de todo o resto.
Doces são os usos da adversidade, que, como o sapo, feio e venenoso, ainda carrega uma joia preciosa em sua cabeça.
O amor e a alegria andam de mãos dadas.
O que há de surpreendente na situação atual é que a mentira, com as suas pernas curtas, seja forçada a correr pelo mundo — e que o consiga.
Tempere a sua admiração por um tempo, com ouvido atento, até que eu possa relatar, com base no testemunho desses cavalheiros, esta maravilha para si.
Pediram-me muitas vezes para ser justo e observar uma coisa de todos os lados. E fiz isso, na esperança de que uma coisa talvez pudesse tornar-se melhor se eu a observasse de todos os lados. Mas cheguei ao mesmo resultado. De maneira que continuei a observar uma coisa apenas de um lado, poupando muito trabalho e desilusão. Pois é consolador considerar que uma coisa é má e, ao fazê-lo, poder desculpar-me apelando a um preconceito.
A vida é um eterno aborrecimento, onde os homens são feitos de fraquezas.
Preciso estar outra vez entre seres humanos. Pois neste verão, em meio às abelhas e aos dentes-de-leão, a minha misantropia degenerou gravemente.
Uma vez que ornamentos e flores de retórica são ostentados com o maior gosto por uma época a cuja essência repugna o sentido perdido dessas formas — e com gosto tanto maior quanto mais essa época tiver ultrapassado tal sentido, sem que ela seja, no entanto, capaz de criar novos ornamentos e novas flores de retórica que correspondam ao seu próprio conteúdo —, um Estado ainda “lançará mão da espada” quando há muito já será comum lançar mão do gás. Podemos imaginar que semelhante decisão algum dia se transforme numa frase feita? Deveria ser esclarecedor acerca da técnica o facto de ela não ser capaz de criar novos chavões, mas de deixar o espírito da humanidade no estado de não poder prescindir dos antigos. O mal do mundo vive e cresce nessa duplicidade de uma vida transformada e de uma forma de vida que se arrasta consigo. A época não cria chavões, mas está cheia deles; e justamente por isso, por um conflito incurável consigo mesma, precisa lançar mão da espada repetidamente. Os novos acontecimentos não produzirão nenhuma frase feita, mas as velhas frases feitas produzirão os acontecimentos!
A miséria habitua o homem a estranhos companheiros de vida.
O clero e a guerra: a casaca do amor ao próximo também pode ser virada.
Adeus! Deus sabe quando nos encontraremos novamente.
A guerra só seria correta se apenas os não aptos fossem enviados para o campo de batalha.
O dono não suporta tão dignamente a dignidade quanto o cavalo suporta o ultraje.
Na maioria dos seres humanos não avanço até a alma, mas sou assaltado por dúvidas já nas entranhas. Pois não posso acreditar que esse magnífico mecanismo foi criado para compor um grande comerciante, e apenas por meio da autópsia me deixo convencer de que um agiota tem um baço.
Então, adeus. Conheci-te por muitos anos; tenho a certeza de que foste amado por mim.
O palavrório é conduzido por milhares de tubos à consciência popular. Um soldado ferido, que certamente jamais lera um livro ou mesmo um jornal, não obstante apropriou-se do tom com que uma consciência tranquila se despede. «Agora posso morrer em paz», disse ele, «hoje matei catorze!»
O chiste abraça a realidade e a loucura salta sobre o mundo. Como ainda podemos inventar se atrás de cada carantonha surge um rosto que lhe é igual inclusive na fala? Como podemos exagerar se os factos se transformam em caricatura do exagero? A e B estão em conflito. Diz-se que A praticou um ato ilegal. Porém, visto que por alguma razão não se pode dizer isso em voz alta, o que se diz em voz alta é o seguinte: “O senhor já sabe do ato ilegal que B cometeu mais uma vez?”. Quando se diz isso, não se pensa no facto de B realmente poder tê-lo cometido. Também não se acredita que A, consciente do seu próprio delito, alguma vez pudesse censurá-lo a B, caso este também o tivesse cometido. Não se acredita nisso, pelo menos nesse caso especialmente crítico. Apenas a experiência geral de que algo semelhante por certo já aconteceu, de que se imputou a B aquilo que somente A cometeu, justifica a jocosa confusão: “Imagine só o senhor do que B não é capaz!”. No dia seguinte, publica-se um protesto de A contra o procedimento de B. Este teria cometido exatamente aquele ato ilegal, o pior numa série de crimes semelhantes. Desse modo, o próprio A assume o método parodístico com o qual se atribui a B os pecados de A porque não se tem outra saída. Resta assim apenas a explicação de que ele sentiu remorsos e, na esperança de ser corretamente compreendido, confessou a sua falta sob a forma de uma imputação a B. Caso B realmente tivesse cometido essa falta, A pelo menos deveria perceber a justa compensação e silenciar. O que constitui a comicidade do caso não é a indignação contra aquilo que também se fez, ou que se fez apenas sozinho, mas a exatidão com que A aproveita a distorção intencional empregada pela pessoa cautelosa que precisa dizer B quando se refere à A. Por conseguinte, não se evita apenas dizer a verdade; também se é cauteloso com a mentira, pois ela também é vã e serve no máximo para motivo de farsa.
O defeito que consiste no facto de o génio provir de uma família apenas pode ser reparado por ele ao não formar nenhuma.
O acaso, que jamais podemos controlar.
A quantidade diminui o lucro sob todos os aspectos. A atração que os trajes exercem sobre as mulheres diminuiu, e o que sobrou foi a desilusão erótica. Visto que às mulheres agrada apenas aquilo que chama a atenção, o homem que usa uma roupa civil voltou a ter hoje as melhores perspetivas, o que também vale para o trapalhão de quem se diz ter se destacado por uma covardia especial diante do inimigo; pois qualquer um pode ser herói. Ocorre exatamente o mesmo que nos bailes de máscaras, em que cada pessoa promete para si mesma causar a maior sensação; quando ele termina, porém, ela reconhece que se quisesse ter chamado a atenção deveria ter usado um fraque, pois o nariz postiço era comum a todos.
Posso dizer-lhe, senhor, que, quando estiver na corte, poderei chamar a atenção para os meus próprios méritos através de lisonjas.
Não obstante, aquele que retorna a casa não se deixará reintegrar facilmente na vida civil. Acredito, pelo contrário, que ele invadirá o interior do país e só então dará início à guerra. Ele arrebatará os êxitos que lhe foram negados e a guerra terá sido uma brincadeira de crianças comparada à paz que então irromperá. Que Deus nos proteja da ofensiva que então será iminente! Uma atividade medonha, não mais domada por comando algum, pegará em armas e em prazeres em todas as situações da vida, e haverá mais morte e mais doença no mundo do que a guerra alguma vez lhe exigiu.
Negócio é negócio: porque uns disseram isto, outros disseram que eles são negociantes. Aqueles, porém, queriam dizer que negócio é negócio, e não que negócio também é vida e religião.
O francês ainda não se afastou tanto de sua superfície quanto o alemão de sua profundidade.
Eis algo que não consigo superar: que uma linha inteira possa ter sido escrita por um meio homem. Que uma obra fosse construída sobre a areia movediça de um caráter.
Há uma divindade que molda os nossos destinos, por mais que os talhemos como quisermos.
“Conquistar o mercado mundial”: porque os comerciantes falam assim, os soldados tiveram de agir assim. Desde então se conquista, ainda que não seja o mercado mundial.
Que aborrecimento é esse! Não suporto mais.
O senhor fala bem e é um bom cavalheiro.
Conheci um cão que era tão grande quanto uma pessoa, tão ingénuo quanto uma criança e tão sábio quanto um ancião. O tempo que parecia ter era tanto que não caberia numa vida humana. Quando tomava sol e observava alguém enquanto isso, era como se quisesse dizer: “Porque têm tanta pressa?”. E certamente o diria; bastaria que se esperasse.
De início, a guerra é a esperança de que as coisas corram melhor para si mesmo; depois, a expectativa de que as coisas corram mal para o outro; então, o contentamento com o facto de as coisas também não correrem melhor para o outro, e, por fim, a surpresa com o facto de as coisas correrem mal para ambos.
Estou farto desta vida e dos aborrecimentos que ela me traz.
Eros tem sorte no amor. O desperdício proporciona-lhe crescimento; a ofensa, honra. Magoe-o, e isso ser-lhe-á um prazer; difame-o, e isso ser-lhe-á útil. Podes fazer-lhe de tudo, só não lhe dizer a tua opinião na cara. Ele não é queixoso, mas também não é ávido de saber. Ele só é curioso e quer descobrir as coisas por conta própria. Ainda que saibas tudo melhor do que ele, sabe isto: ele toma parte de tudo no mundo, só não toma parte no tédio. O que dele escondes, ele partilhará contigo; mas ele desdenha a tua ciência.
A admiração é irmã da ignorância.
Adapte a ação à palavra, a palavra à ação; com a observância especial de não ultrapassar os limites da natureza: pois qualquer coisa exagerada foge do propósito do teatro, cujo objetivo, desde o início até agora, foi e é refletir a natureza como um espelho.
Muitas vezes arranho a minha mão com a pena e só então sei que vivi aquilo que se encontra escrito.
Ser abandonado é uma dor amarga, e no entanto, mais amargo é o abandono de um amigo.
No caminho pelo qual chegamos a nós mesmos também encontramos uma inoportuna fileira de curiosos que gostariam de saber como são as coisas por lá.
Não, a alma não fica com cicatrizes. A bala entrará por um ouvido da humanidade e sairá pelo outro.
Se fazer fosse tão fácil quanto saber o que seria bom fazer, as capelas seriam igrejas, e as choupanas dos pobres, palácios de príncipes.
Adeus! O meu coração está muito aflito para fazer uma despedida longa.
Talvez a guerra traga uma única mudança, mas uma mudança em razão da qual ela certamente não foi empreendida: as vítimas da psicanálise voltarão sadias para casa. Pois a guerra entende quase tão pouco de psicologia quanto a psicanálise, mas, diante do método individualizante desta, que na maioria dos casos se atém ao nada, a guerra pelo menos tem a vantagem de, na maioria dos casos, padronizar os indivíduos, e assim, proporcionar ao nada a sua verdadeira posição. É bom quando águas-vivas que nem sequer eram instrumentos sejam elevadas a tal condição.