Citações para inspirar e refletir
Ocorre com a gratidão o mesmo que com a boa-fé dos comerciantes: ela mantém o comércio, e não pagamos porque é justo nos desonerar, mas para encontrar mais facilmente quem nos empreste.
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A fortuna jamais é tão cega como o é para aqueles a quem não favorece.
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O que separa o homem dos bichos é que o homem sabe que é irracional.
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O trânsito em qualquer grande cidade do mundo é uma metáfora para a vida competitiva que a gente leva, cada um dentro do seu próprio pequeno mundo de metal tentando levar vantagem sobre o outro, ou pelo menos tentando não se deixar intimidar. (Cf. Automóveis)
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Às vezes basta ser grosseiro para não ser enganado por um homem hábil.
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Minha objeção aos instrumentos de sopro é que eles prolongam a vida de quem os toca.
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O interesse fala todas as línguas e representa todos os papéis, até o do desinteressado.
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A maquilhagem diz-nos mais do que um rosto.
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Perdoar aos nossos inimigos as suas virtudes
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A saúde da alma não é mais segura que a do corpo; e embora nos pareça estar distante das paixões, há tanto perigo em nos deixarmos arrastar por elas como em adoecer quando estamos saudáveis.
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As almas pequenas ficam muito magoadas com as pequenas coisas; as grandes veem tudo e não se magoam.
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Saíamos de casa com ordens expressas de não tocar em corrimão de escada. Entre rolar na escada e segurar no corrimão devia-se optar pela queda, pois fraturas pelo menos se viam, enquanto os micróbios agiam em segredo. Resultado: inventaram a escada rolante. Outro triunfo das mães.
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Bem sabemos que não devemos falar de nossa mulher, mas não sabemos bem que deveríamos menos ainda falar de nós.
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Há certas lágrimas que muitas vezes nos enganam depois de ter enganado os outros.
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Os lugares secretos no caminho da vida não devem nem podem ser revelados: há pedras que agridem nas quais todos os viajantes devem tropeçar. Mas o poeta aponta para onde elas estão.
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Não vale a pena fazer nada pelo mundo que nos acompanha, pois a ordem existente pode, num momento, desaparecer. É para o passado e o futuro que devemos trabalhar: para o passado, para reconhecer os seus méritos; para o futuro, para tentar aumentar o seu valor.
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Deus criou a Terra e tudo que nela habita, inclusive a barata e o vendedor de enciclopédia, mas não se responsabiliza pelo rato. De todos os animais que existem só o rato não foi criado junto com o mundo.
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Os meus reflexos não andam muito bons. Noutro dia fui atropelado por um carro que estava a ser empurrado por dois sujeitos.
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A gravidade é um mistério do corpo inventado para esconder os defeitos do espírito.
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Os meus trabalhos devem ser lidos duas vezes para serem bem compreendidos. Mas tampouco me oponho a que sejam lidos três vezes. Prefiro, porém, que não sejam lidos do que o sejam apenas uma vez. Não pretendo responsabilizar-me pelas congestões de um imbecil que não tem tempo.
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O Zico no fundo não existe. É uma entidade abstrata criada pelo inconsciente coletivo do Maracanã.
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Outra alternativa seria apresentar-vos o que se denomina uma conferência de divulgação científica, ou seja, uma conferência que pretendesse fazê-los acreditar que entendem algo que realmente não entendem, e, desse modo, satisfazer aquilo que considero ser um dos desejos mais baixos dos homens modernos, isto é, a curiosidade superficial acerca das mais recentes descobertas da ciência.
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Estar satisfeito com a nossa própria riqueza é a maior e mais segura riqueza. [...] Nada é mais revelador de um espírito pequeno e mesquinho do que o amor à riqueza; nada mais honroso do que desprezar o dinheiro se não o possuímos, mas dedicá-lo à beneficência se o possuímos.
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Ninguém é capaz de verdadeiramente se dizer imundo. Pois, se eu de facto disser tal coisa, embora possa ser verdade em algum sentido, não será uma verdade pela qual eu mesmo possa ser tomado: se assim fosse, eu deveria enlouquecer ou transformar-me.
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Morrer por morrer, morra o meu pai que é mais velho.
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O que foi impresso num único dia dos últimos cinquenta anos fez mais contra a cultura do que a obra completa de Goethe fez a seu favor.
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Muitas vezes as melhores teses são as que negam os fatos, numa notável demonstração de independência.
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[…] o coice, que no cavalo é uma perversidade, no burro é um argumento, ultima ratio.
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A História não é o palco da felicidade; nela, os períodos de felicidade são páginas em branco.
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Eis algo que não consigo superar: que uma linha inteira possa ter sido escrita por um meio homem. Que uma obra fosse construída sobre a areia movediça de um caráter.
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Em relação à nata da sociedade, um gourmet disse-me que preferia a borra da humanidade.
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Sobre alguém tão grandioso como Shakespeare é provável que nunca possamos estar certos; e, se nunca podemos estar certos, seria melhor que pudéssemos, de tempos a tempos, mudar a nossa maneira de estar errados. Se a Verdade finalmente prevalece é duvidoso, e nunca foi provado; o que é certo, contudo, é que nada se revela mais eficaz na expulsão do erro do que um novo erro.
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Somos todos criados com três ou quatro ideias que, em geral, são o nosso farnel da jornada. Felizes os que podem colher, de caminho, alguma fruta, uma azeitona, um pouco de mel de abelhas, qualquer coisa que os tire do ramerrão de todos os dias.
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A mais diligente das épocas — a nossa — não sabe o que fazer com a sua diligência e o seu dinheiro, exceto cada vez mais dinheiro e mais diligência: é preciso mais génio para gastar do que para adquirir! — Bem, nós teremos os nossos “netos”!
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Pintainho de Janeiro, vai com a mãe ao poleiro.
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Galinha do mato, não quer capoeira.
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Com frequência, o historiador é apenas um jornalista virado para o passado.
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Alimento-me de escrúpulos que eu mesmo preparo.
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Os Rolling Stones levaram a revolução dos Beatles um passo para a frente, pois não eram apenas heróis culturais proletários como os Beatles, eram heróis culturais proletários e feios. Muito mais democráticos e perigosos. (Cf. Beatles )
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[…] todos os cemitérios se parecem.
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As pequenas dívidas são aborrecidas como moscas. As grandes, logicamente, deviam ser terríveis como leões, e são mansíssimas.
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As revistas de humor são uma prova de que o filisteu não tem sentido de humor. Elas fazem parte da seriedade da vida como a bebida faz parte da refeição. “Dê-me todas as revistas de humor!”, ordena um idiota cheio de preocupações ao empregado de mesa, e atormenta-se para que um sorriso apareça no seu rosto. O humor que ele não tem deve chegar-lhe de todos os cantos da vida quotidiana, e ele desdenharia inclusive a caixa de fósforos que não trouxesse uma piada no seu rótulo. Li numa delas: “Aprendiz de ofício (que comprou uma linguiça casualmente enrolada num poema): Muito bem! Primeiro vou comer a linguiça para alimentar o corpo e depois leio o poema para alimentar o espírito!”. Coisas assim alegram o filisteu, e ele nem sequer percebe o método do aprendiz de ofício como uma indireta.
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As grandes virtudes dos povos alemães suscitaram mais males do que a ociosidade jamais gerou vícios. Pudemos testemunhar, com os nossos próprios olhos, como o trabalho consciencioso, o mais sólido conhecimento e a mais séria disciplina e aplicação foram adaptados às mais atrozes finalidades. Tamanhos horrores não teriam sido possíveis sem tamanhas virtudes.
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O trabalho é honesto, mas há outras ocupações pouco menos honestas e muito mais lucrativas.
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Quem torto nasce, tarde ou nunca se endireita.
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Estou sempre sob a forte impressão daquilo que penso de uma mulher.
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O ciúme da matéria informe que diariamente se balança e se esfrega, transborda e tagarela diante do meu nariz, o ciúme de pessoas que infelizmente ainda existem, mas que ainda não foram criadas, dificilmente poderá ser compreendido por uma delas.
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A natureza adverte para refletirmos sobre uma vida que se apoia sobre trivialidades. Uma insatisfação cósmica manifesta-se por toda a parte; neves estivais e calores invernais protestam contra o materialismo que transforma a existência num leito de Procusto, trata doenças psíquicas como se fossem dores de barriga e gostaria de desfigurar a face da natureza onde quer que perceba as suas feições: na natureza, na mulher e no artista. Um mundo que suportaria o seu ocaso desde que não fosse impedido de ver a sua exibição cinematográfica não pode ser atemorizado com o incompreensível. Eu, porém, tomo facilmente um terramoto como protesto contra as conquistas do progresso e não duvido por um instante da possibilidade de que um excesso de estupidez humana possa indignar os elementos.
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