A Sibila
Marianna Belmira de Andrade deve ser entendida como a mais singular voz da poesia açoriana da sua época. Remetida ao silêncio pela generalidade da crítica, o eco dos seus versos, apesar de indiscutível qualidade, não chega ao continente português, e esbarra na indiferença da maioria dos literatos açorianos. É num contexto social em que vigora ainda um conservadorismo feroz que emerge a voz de Marianna Belmira de Andrade votada durante séculos não só ao isolamento geográfico, mas também ao arcaísmo sociocultural da condição de mulher em geral e da insular em particular. Neste livro, Marianna Belmira de Andrade reprova a sociedade terratenente, a Igreja Católica e a instituição monárquica, responsabilizando-as pelo atraso do país, da pobreza e das desigualdades sociais. A autora revolta-se contra a condição das mulheres e o papel doméstico para que são relegadas, sendo-lhes negado o direito à instrução, o acesso à cultura, bem como o desempenho de qualquer função social relevante.