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O meu lugar à mesa
Prémio Teixeira de Pascoaes 2006 Excertos … Ninguém, nenhum de vós veio trazer-me o consolo de uma lágrima. Ainda bem. Ter-vos-ia dito: Se me virem na sarjeta, pisem-me em cima; se me querem bem, não se condoam. Por agora, nem sequer preciso de um colchão para descansar como fazem os vivos — dormirei dentro de um contentor e aí chorarei sozinha o meu amigo. O meu amigo. Ele é hoje uma semente na terra. Esta sentirá a fome de suas mãos quando um camponês semear nela uma batata grelada: e, então, quando a minha apertar, mastigarei palavras limpas: honestas como o eram as suas. O meu lugar à mesa…
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