Ribeira Brava
Em Ribeira Brava , a arte do conto de João França acentua a natureza bifronte da modernidade autoral, alicerçada na reequação de uma convenção literária do património português. Congregando tradição e modernidade, ancorando esse gesto na dialética do contar/cantar e descrever/representar, o autor parece, nessa forma múltipla, querer abarcar as inúmeras facetas: a de escritor, a de jornalista, a de dramaturgo e a de ator. O leitor tem ao seu dispor um leque variadíssimo de contos no volume que se reedita: ora porque as ficções dialogam com o etnofantástico ( Ribeira Brava e Árvore Maldita ), ora porque a escrita reaviva a marionetização do afeto numa comédia de amores infelizes ( Chão de Areia ), ora porque alguns textos se constroem numa apelativa forma de (con)fusão discursiva ( Camisas de Lona , Selma e O Caso de Paulo Gerardo ). Enquadrado numa diversidade de situações narrativas, as histórias que compõem Ribeira Brava interligam-se através de fios lógicos que se consubstanciam no topos da degenerescência, da loucura, do duplo, do insólito e do bizarro, quer em atmosferas rurais ou em sociedades citadinas, quer em mundos fechados ou em meios cosmopolitas.