Festas & funerais
Começa a literatura jornalística com o acidentado fellacio da Sala Oval e encerra com o apocalipse do planeta, agendado para festejar o segundo milénio. Pelo meio, descobre-se a filha de um arcebispo (de Braga); denuncia-se a bipolarização na aldeia portuguesa e a unipolarização na "aldeia global"; alerta-se para os fogos nas matas nativas e para os fogos da NATO em vários pontos do mapa; cuida-se das categorias do fantástico e do trágico do nosso quotidiano, desde as cotoveladas de um "craque" do futebol ao transe pátrio por um fadista. Trata-se (também) de insuflar algum alento aos lúcidos e aos desprevenidos nesta era de "cães de guarda" do sistema. Trata-se (também) de abominar fautores da fome, da peste e da guerra e de enaltecer vultos da resistência nas múltiplas frentes e retaguardas da "crise". Porque nestas crónicas nunca se pediu licença ao "pensamento único" para ter opinião própria. Porque, mais uma vez, os piores tomaram as rédeas do poder e do saber e cada um de nós terá, mais cedo ou mais tarde, de definir se deseja continuar a pertencer ao género humano. Adivinha-se o campo escolhido pelo cronista: o das letras contra os números.