Se me comovesse o amor

Se me comovesse o amor

2007

Se me comovesse o amor como me comove a morte dos que amei, eu viveria feliz. Observo as figueiras, a sombra dos muros, o jasmineiro em que ficou gravada a tua mão, e deixo o dia caminhar por entre veredas, caminhos perto do rio. Se me comovessem os teus passos entre os outros, os que se perdem nas ruas, os que abandonam a casa e seguem o seu destino, eu saberia reconhecer o sinal que ninguém encontra, o medo que ninguém comove. Vejo-te regressar do deserto, atravessar os templos, iluminar as varandas, chegar tarde. Por isso não me procures, não me encontres, não me deixes, não me conheças. Dá-me apenas o pão, a palavra, as coisas possíveis. De longe. Críticas de imprensa «Esta obra pertence ao imenso grupo de livros cuja melancolia nasce da vida, em que as palavras são testemunhos possíveis e não quadros de um ideal. Longe disso, os limites de estar vivo obedecem à experiência de um sujeito, lírico, com que nos identificamos ou não, mas particular.» Andreia brites

Nenhum poema encontrado

Este livro ainda não possui poemas associados.
Se me comovesse o amor · Francisco José Viegas · 2007
Livros