As imagens e as coisas

As imagens e as coisas

2002

"Desejei muito tempo um livro assim. Onde quase indiferenciadamente viessem confluir não só imagens e palavras, como também onde as palavras - a sua ordem, o seu propósito, o seu tom - não tivessem todos uma mesma origem, digamos diplomática ou política. Que não viessem todas de um lugar específico e idêntico, o ensaio, a crónica, a crítica, mas antes pudessem chegar de vários lados, de várias partes e de diversas itinerências e aventuras, afluindo para um mesmo centro, como os navios num porto. Crónicas, ensaios, prefácios ou breves apontamentos, escritos de sabor diverso e de utilidade distinta no seu início, que fossem reunindo numa assembleia indistinta no final, com igual validade e propósito, sem a marca espantada de uma intenção precisa. Unidos apenas por um fundo difuso, que neste caso é a imagem, e a sua própria proximidade tangível, ou sensível, na relação com as coisas. Tal qual como num filme. Percepções breves, soltas, e no entanto fluentes, ligadas por um traço indiviso e invisível que por dentro as trabalhasse, às palavras, às imagens, como num todo quase coerente. Não sei se este livro é apenas a promessa disso ou se é já isso realizado. Trabalha, isso sei, nessas margens."

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As imagens e as coisas · Bernardo Pinto de Almeida · 2002
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