[Brasil : díptico]

[Brasil : díptico]

2000

Neste díptico, os tempos cruzados remetem para uma espessura histórica, experiência de temporalidade, modelos de conduta. O mar, esplêndida metáfora do desconhecido, é espelho ambíguo onde se projectam imagens de navegador e navegado, rumo a uma futura memória, embora possam ser invocados - a pretexto das comemorações do Descobrimento do Brasil -, motivos para a travessia dos oceanos disponíveis para a ousadia, num emaranhado de linhas, de rede inter-lugares, labirintos múltiplos. Em História o que acontece não poderá ser repetido - a efeméride torna-se abstracção -, sim recordado pelo testemunho dos actores sociais, políticos -, das personagens inconscientes do seu papel de sujeito ou observador, o tempo histórico é uma sucessão de factos. O direito de agir está sempre em foco, ainda e quando a narradora recorre à ironia, a uma estética do riso ocasional, para encenar a liberdade (Bakhtin), a subversão servida pela ruptura das regras. Apesar do universo de personagens históricas e fictícias de Ouro e Viagem, Portugal, Brasil, as ideias - destas é a epopeia - são as figuras principais, espaços onde se desenvolvem sagas de famílias que viajaram para a América. Críticas de imprensa «Tempos que se entrecruzam, como se passado, presente e futuro fossem abolidos pela magia da literatura, permanecendo a beleza da língua, a própria vida humana nesse moto-contínuo das gerações e a História […] Em Brasil. Díptico observa-se um misto de ficção, história e ensaio. Filomena Cabral não está sozinha. Tem ao lado Milan Kundera, Umberto Eco e tantos outros que fazem da sua erudição uma ponte entre o esquecimento e a lembrança.» Jornal da Tarde/O Estado de S. Paulo

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[Brasil : díptico] · Maria Filomena Cabral · 2000
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