Aracne
Após «Duende» (galardoado com o Prémio D. Diniz — Fundação Casa de Mateus 2002), António Franco Alexandre regressa à escrita com «Aracne» de onde retirámos este poema: É muito bonito o meu amigo de agora; tem o mais belo pêlo da floresta, e olhos onde brilha, em noite escura, o faiscar do gelo nas alturas. Demora-se a falar ao telefone com a namorada, no vagar dos dias; diz-lhe tudo o que faz, e pensa, e sente, e ouve também, com ar inteligente, as divertidas vidas que ela conta. E há tantos episódios, desde o baile dos mosquitos, no verão passado, à recente soirée das sanguessugas, que se distrai, e lento se espreguiça ao sol, que lhe acentua as rugas. Então eu subo pelo pêlo, e fico a admirar tão sedosas harmonias; no sussurro sem fios, que mal entendo, colho o meu mel pequeno, e sou feliz. (p. 8) Críticas de imprensa "A qualidade «densamente musical» da poesia de Franco Alexandre (...) ecoa por todos os lados nesta sublime e prodigiosa Aracne , para mim o grande livro do ano. Partindo do Canto VI das Metamorfoses de Ovídio, é urdida uma trama poética ao mesmo tempo antiga e moderna, filosófica e emotiva, que nos enleia e deslumbra a cada nova leitura." Frederico Lourenço, In Mil Folhas (Público), 02 de Janeiro de 2005