A estrada branca

A estrada branca

2005

Novo título para um dos mais destacados poetas da actualidade nacional. José Tolentino Mendonça regressa à edição com poemas de primeira água, mesclando como ninguém teologia com quotidiano. Críticas de imprensa "Há uma vocação aforística em Tolentino Mendonça. Este livro tem fórmulas de encantamento, dessas em que o dizer poético diz mais do que as palavras dizem. Os paradoxos, os desajustamentos, as lateralizações, criam um estremecimento incessante: 'No silêncio basta um sopro e todo o tempo estremece.' O branco é um dos componentes destes versos: significa uma barreira derradeira, uma linha em que as coisas deixam de figurar e aparecem à luz de uma cegueira violenta e doce." Eduardo Prado Coelho, Público, Mil Folhas «A poesia é para ele uma interrogação, uma demanda incessante do que não é visível, a partir da atenta escuta do mundo, dos que não têm voz: "Não é um ofício, um trabalho. É uma atenção", diz. E é sempre, nesse sentido, uma estrada que nunca foi percorrida, um atalho, depois do asfalto, um bosque essencial.» (Maria Leonor Nunes, «Jornal de Letras», 16 de Março de 2005) Excertos O PASSO DO ANJO Pelas escarpas, nos atalhos de areia e erva em matas sombrias onde as faias se renovam os animais já não vigiam já ninguém os persegue a chuva desenha círculos perfeitos nos poços dos aldeões como nos charcos o restolhar de prata da folhagem previne do passo do anjo, na escuridão O PASSO DO ANJO Pelas escarpas, nos atalhos de areia e erva em matas sombrias onde as faias se renovam os animais já não vigiam já ninguém os persegue a chuva desenha círculos perfeitos nos poços dos aldeões como nos charcos o restolhar de prata da folhagem previne do passo do anjo, na escuridão

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A estrada branca · José Tolentino Mendonça · 2005
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