A noite abre meus olhos

A noite abre meus olhos

2006

Plano Nacional de Leitura Livro recomendado para a Formação de Adultos como sugestão de leitura. A Noite Abre Meus Olhos reúne toda a poesia publicada por José Tolentino Mendonça, Prémio Pessoa 2023, nesta nova edição que, revista e aumentada, inclui agora o livro Introdução à Pintura Rupestre . Para além do posfácio que acompanha esta edição, pela mão de Teresa Bartolomei, surge-nos um novo texto, da autoria de João Maria Carvalho, onde se sumariza: «Se na Teoria da Fronteira Tolentino Mendonça interrogava a travessia – a travessia do corpo arrastado à força da sua terra –, nesta Introdução à Pintura Rupestre interroga a descida – a descida de um corpo arrastado à força para a sua terra. São forças diferentes, as que nos desenraízam e as que nos dão raiz.» Críticas de imprensa "Devemos reconhecer, com alegria, que José Tolentino Mendonça, no momento de reunir toda a sua poesia, usa a sua original vigilância: mantém quase intactos os seus primeiros livros e submete a cortes significativos os mais recentes, [fazendo com que neste livro triunfe o melhor deste poeta, tão bem posto em relevo no longo ensaio de Silvina Rodrigues Lopes que serve de posfácio]. Silvina fala da dimensão de escuta e de reflexão, de alegria e de perda, de atenção e de intensidade. E estes binómios são importantes; porque permitem perceber que a poesia de José Tolentino Mendonça não se resolve numa dimensão unívoca e reclama um nível de elaboração interpretativa que a torna sempre mais complexa, menos apaziguada, cheia de dissonâncias que vêm perturbar a harmonia." António Guerreiro, Expresso, Actual Excertos «Tudo o que a poesia de A noite abre meus olhos traz para a luz ou escuridão do sentir e do pensar, o traz no seu distanciar-se, movimento que não se compadece com os hábitos da domesticação ou simplesmente da racionalidade que para se erguer ignora o que não seja dado em método, substância ou ideia. Não ignorando aquilo de que não se pode dispor, os poemas deste livro fazem sua a condição de prosseguir nomeando o possível, respondendo ao impossível, assim fazendo ressoar a dualidade no âmago do mundo, assim inscrevendo nele os seus trajectos sem regresso. Ao fazê-lo assinalam por vezes como fé ou acompanhamento de Deus, potência alterante, o impulso de partida que se gera e se prova no ritmo mais íntimo e mais próprio da vida, do poema […]. Uma leitura deste livro não podendo remeter a fé que aí se assume para a categoria de acessório, não é por isso necessariamente conduzida à discussão de uma questão religiosa, ou sequer de uma questão de Deus. Construindo-se como escuta e reflexão, a disponibilidade para o que altera torna-se-lhe intrínseca, e também ela tem uma única forma de acompanhar o que lê.» Silvina Rodrigues Lopes

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A noite abre meus olhos · José Tolentino Mendonça · 2006
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